Amaldiçoado

Por Matheus Araujo

Vamos ser sinceros. A única razão para se ver esse filme é o Harry Potter cornudo no pôster.

Amaldiçoado (Brasil e suas traduções cagonas… Trazer “Horns” (Chifres) literalmente é demais para o nosso povo?) é a adaptação de um romance de Joe Hill (o filho do Rei do Terror, Stephen) e que se trata de um thriller bem insosso, no qual um rapaz, Ig Perrish (Daniel Radcliffe), é acusado de ser o assassino de sua namorada de longa data. Para compor a imagem de mau moço, ainda mais misteriosamente que o assassinato, começam a nascer chifres em sua cabeça.

Eu gosto de ideias pervertidas, provocadoras. Não titubeei ao escolher o filme. Provavelmente tudo seria uma galhofa bem divertida. Mas, não. Na verdade, tudo alterna entre uma galhofa e um suspense mais sério, e infelizmente, é nesta segunda parte em que a trama se concentra. No fim, a amalgama prejudica, indefinindo a obra.

Algumas boas ideias são apresentadas, como a frequente liberação das vontades pecaminosas na presença dos chifres, que torna as pessoas 100% honestas, mas o recurso, mesmo que bem aproveitado no suspense, permitindo que a trama se guie facilmente pela honestidade forçada, se apresenta com melhor potencial nos trechos despretensiosos. Também ruim, julgo o excesso de flashbacks, outro dos poderes dos chifres, e a ausência de uma solução elaborada para a presença da galha. O crescimento dela é mais arbitrário que em Fable.

Horns Movie Picture (6)

A seriedade é ainda prejudicada pela previsibilidade, sobretudo por se passar em um ciclo tão próximo e pequeno de pessoas. A tentativa de suspense é risível quando ao lado do material de qualidade que tivemos no último ano com Garota Exemplar. Ademais, critico a lentidão do filme e o quão pouco corajoso, broxante, ele é pela ousada promessa de ser protagonizado pelo capiroto.

E o motivo de você estar por aqui: Daniel Radcliffe. Ele é um dos elementos que, coerentemente, condicionam Amaldiçoado à seriedade, mas, nadando contra a maré, não tem força para se estabelecer. A maior culpa disto é do roteiro, já que o ator se apresenta, senão no mesmo nível, melhor do que em toda série que fez com que toda criança no nosso mundo soubesse seu nome. No mais, elogio sua química com Juno Temple (que no ano passado era quem fazia a chifruda, como a jovem Malévola), que funciona bem melhor como seu par do que a também ruiva Bonnie Wright (Gina Weasley) e ressalto o quão peculiar é este filme ser embalado por Heroes de David Bowie, a mesma música de Emma Watson em As Vantagens de Ser Invisível.

Para não finalizar este post tão pra baixo, segue a melhor performance desse cara:

Nota: 3,5/ 10.

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