[FORA DE SÉRIE] House of Cards da BBC

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Se você ainda não assiste (não cometa o mesmo erro que eu, veja o mais rápido possível!), deve ao menos ter ouvido falar de House of Cards, uma das séries mais conhecidas da Netflix, estrelada pelo Kevin Spacey e Robin Wright (e de qual já falei sobre aqui).

O que talvez muitos poucos fãs saibam (também, quem iria questionar o “Uma série original da Netflix”?) é que não só existe uma versão britânica da série, de 1990, como ela é baseada no livro de mesmo nome, escrito por Michael Dobbs e publicado em 1989. Por isso, para quem já terminou a 3ª temporada e não sabe o que fazer até a próxima chegar, pode matar a saudade com a minissérie britânica de apenas 4 episódios.

HoC BBC 3

Na produção, Francis Urquhart (Ian Richard) é o Chefe da Bancada do Partido Conservador da Inglaterra. Com a renúncia de Margaret Thatcher do poder e um eleição geral que deixou o Partido Conservador com uma maioria reduzida, ele espera que o novo Primeiro Ministro, Henry Collingridge (David Lyon) ofereça a ele uma recompensa: um cargo de importância no Gabinete do novo governante. Contudo, a vaga lhe é negada, e Urquhart começa arquitetar um plano para se vingar do Primeiro Ministro.

A versão americana, claro, tem semelhanças com a versão britânica: o primeiro nome do principal personagem; a motivação para sua vingança; o envolvimento de Francis com uma jovem jornalista, Mattie Storin (Susannah Harker); a condução da história como um todo. Aliás, os 4 episódios contêm elementos que são explorados nas duas primeiras temporadas da Netflix. A semelhança mais curiosa talvez seja o uso, na versão americana, de frases idênticas ao que foi usado na versão BBC.

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Contudo, obviamente, há diferenças, como o cenário político inglês, que é diferente do americano. Por conter apenas 4 episódios de 1 hora, a versão britânica não tem tempo de explorar ou colocar na trama um maior número de subtramas, o que considero um dos pontos mais altos da nova versão da série. Com isso, personagens como a esposa de Francis, Elizabeth (Diane Fletcher), ou o braço direito de Francis, Stamper (Colin Jeavons) não possuem a mesma oportunidade de serem bem trabalhadas como suas versões americanas. E isso, claro, acaba afetando o trabalho dos atores de uma maneira geral.

Outra barreira para quem tem a versão nova em mente (ou quem acompanha série em geral) é a idade da série. Assim como o cinema, o modo de fazer TV mudou bastante nos últimos 25 anos. Eu diria até que a TV passou por uma mudança mais radical, já que ela conta, hoje, com um maior orçamento, possui uma infraestrutura maior, e ganhou ares cinematográficos (não a toa, a versão americana teve a direção de David Fincher nos 2 primeiros episódios). Por isso, a condução da minissérie pode causar estranhamento para os espectadores mais novos.

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O fato de ter o trabalho de Kevin Spacey na mente também pode afetar o envolvimento emocional do espectador com o trabalho de Ian Richardson. Não que o ator esteja mal, muito pelo contrário: se mostra capaz de ser um ótimo protagonista, criando uma intimidade com o telespectador de uma forma diferente da versão americana (uma diferença que muito me agrada, já que mostra as variáveis formas de causar essa aproximação pela quebra da quarta parede). O Francis de Ian não transmite o ar sombrio e pesado que existe no de Kevin, mas nos oferece uma versão igualmente inteligente e determinada, com o ‘bônus’ do jeitão inglês que o personagem possui.

No fim das contas, ainda prefiro a versão da Netflix. Contudo, a obra britânica possui e seus méritos, e se apresenta como um entretenimento interessante para quem procura algo interessante, mas ainda dentro dos assuntos que gosta. Uma leitura do personagem que vale a pena ser conferida.

Nota: 7/ 10.

P.S.: Se houvesse um remake da BBC, Charles Dance (o Tywin Lannister de Game of Thrones) cairia como uma luva no papel.

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