[REVIEW] Divergente

“Um início ameno, marcado pela falta de carisma, é o pontapé para nova franquia infanto-juvenil”.

 

Por Luís Gustavo Fonseca

A esta altura do campeonato, acho que todos já estão cientes do boom que as adaptações infanto-juvenis tiveram. A intensificação veio com o sucesso do Crepúsculo. Muitas bombas e muitos fracassos seguiram este processo, nesse fervoroso mercado que se tornou um dos principais alvos do cinema nos últimos 15 anos.

Desse movimento todo, veio o novo hit de bilheteria, Jogos Vorazes, que trouxe de novo, às pautas das discussões, as distopias futurísticas, mas trazendo agora os adolescentes para a conversa, servindo de porta para procurar obras mais consagradas, como 1984.

Divergente 2

E do sucesso de Hunger Games, claro, a máquina de criar e desejar dinheiro chamada Hollywood, procurou logo um substituto (e potencial concorrente): a série Divergente, que teve seu primeiro filme lançado em Março de 2014.

Tive a oportunidade de ler o primeiro livro, Divergente, antes de ver o filme. Apesar de algumas semelhanças perceptíveis com a franquia estrelada por Jennifer Lawrence, achei Divergente um livro bom, merecedor de ser lido. O plano de fundo no qual o livro estabelece suas bases foi um dos fatores que mais me atraiu, com sua sociedade distópica sendo suficientemente interessante, com um bom gancho no fim para o segundo livro.

A trama, portanto: numa Chicago futurista, cercada por altos muros (Attack on Titan feelings), a sociedade se dividiu em 5 facções: Candor (os honestos), Abnegation (os altruístas), Dauntless (os corajosos), Amity (os pacíficos) e Erudite (os inteligentes), com cada facção tendo uma tarefa nesta sociedade, de acordo com suas melhores qualidades. Os Abnegations são responsáveis pelo governos; Dauntless são a polícia; os Amity cuidam da terra, como agricultores; os Candor são a parte judiciária; e os Erudite, a de pesquisa/ciência. Temos, então a nossa protagonista, Beatrice (ou simplesmente Tris, vivida por Shailene Woodley) que, assim como os demais adolescentes, ao completar 16 anos, deve escolher a qual facção ela quer fazer parte (“Facção antes de sangue”). Fácil, né? Não. O fato é que Tris é uma Divergente, alguém incontrolável, com aptidões para mais de uma facção. E isso é um perigo para a ‘estabilidade’ desta sociedade.

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A direção de Neil Burger apresenta um resultado ainda mais triste quando pesquiso o histórico do diretor. Poxa, ele comandou os ótimos O Ilusionista e Sem Limites, mas aqui, seu trabalho está longe de estar no nível desses dois. Particularmente, uma fotografia OK, mas nada mais do que isso. Nenhum tipo de posicionamento de câmera, ou movimentação, que tenha se destacado, que acrescente a narrativa. Mesmo com um elenco razoavelmente bom em mãos, a direção de atores não se destaca, dificultando a missão de simpatizar com os personagens da obra. O espectador que não tenha lido os livros pode se sentir como um observador em uma voltinha no tour no parque de exposições.

Na adaptação do roteiro: Vanessa Taylor (Um Divã para Dois) e Evan Daugherty (Branca de Neve e o Caçador). Costumo ser um crítico chato (o famoso cricri) sobre adaptações literárias,  mas elas estão com sorte de não recordar, em detalhes, da obra. No filme, o ritmo imposto aos telespectadores é agradável, não tendo uma pegada tão frenética quanto ao primeiro Jogos Vorazes (o que na verdade não deveria ter mesmo, pois são tons diferentes), e colocando muitos elementos chaves do livro na tela. A apresentação dos cenários está legal, muita coisa próxima do que o leitor pode ter imaginado. Porém, apesar disso tudo, fica uma sensação incômoda: as coisas parecem não querer engatar, o clima de urgência é diluído nas mais de duas horas do filme, é difícil se sentir dentro da obra, parte dela.

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A falta de ‘alma’ do filme pode ser justificada pelas atuações, o que talvez seja o maior problema do filme. Shailene Woodley já mostrou seu potencial em filmes como Os Descendentes, A Culpa é das Estrelas e The Spectacular Now, mas achei bem aquém agora. Preocupa por ser seu primeiro papel principal em uma franquia grande, e temo que ela possa não estar preparada para o fardo. Porém, mesmo mais fraca do que em outras aparições, ela ainda é a melhor neste quesito. Theo James, que faz Four, importante personagem e par romântico da Tris, não atrapalha, mas também pouco acrescenta. Falta um aprofundamento na personalidade, algo que marque o personagem, como a “irmã” Jogos Vorazes conseguiu fazer com o Peeta. O pior problema fica com o resto do elenco. Novamente, falta a personalidade, e as personagens não conseguem cativar o público, mesmo os que tem maior importância no livro. O maior sintoma disso é o talento de alguém como a Kate Winslet ser desperdiçado em uma vilã que pouco simpatiza.

O figurino é satisfatório, sobretudo no importante papel de evidenciar as diferenças visuais de cada facção. O elogio pode ser estendido, também, ao trabalho na trilha sonora de Junkie XL, mesmo com ele bebendo muito de seu trabalho em 300: A Ascensão de um Império.

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Apesar deste primeiro passo pouco empolgante e com alguns deslizes mais graves, o interesse em assistir a continuação permanece. Resta agora saber se Insurgente será capaz de consertar a maioria destes problemas, e permitir que a série cresça dentro do cinema.

Nota: 6,5/ 10.

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