[REVIEW] Insurgente

“Continuação mostra capacidade de evolução, mas franquia ainda não deslanchou”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Geralmente, a segunda parte de uma trilogia traz consigo aspectos interessantes em relação a sua estrutura narrativa, aspectos que na maioria das vezes, me agradam. Ele não tem a tarefa “chata” de apresentar todo um universo fictício a partir do zero, o protagonista e suas principais relações (seja com amigos ou com o antagonista) e o plano de fundo principal da obra. Contudo, ele deve tomar cuidado para possuir um clímax “controlado”, já que, tradicionalmente, o desfecho principal e mais marcante fica ao fim da trilogia. Essa “função de ponte” entre o começo e o fim requer cuidado e capricho aos realizadores.

Insurgente é a segunda parte da trilogia escrita por Veronica Roth, trilogia que será transformada em quatro filmes no cinema, com o último livro sendo dividido em duas partes (o que de cara lamento, pois essa modinha mercenária que tomou conta de Hollywood mais prejudicou do que ajudou). Ao contrário de Divergente, ainda não tive oportunidade de ler o livro que deu origem ao filme, o que me põe em um lado da moeda que não costumo ficar, mas que cada vez mais, aprecio. Confesso que os trailers não me transmitiam, muito bem, o caminho que a série queria tomar, mas a sinopse do filme não é algo complicado. insurgente 2

Após os fatos derradeiros do primeiro filme, Jeanine (Kate Winslet) encontra uma misteriosa caixa, que possui uma mensagem dos Fundadores desta sociedade dividida em facções, na qual ela acredita ter a resposta para controlar o princípio de revolução iniciado no longa anterior. Contudo, esta caixa só pode ser aberta pelos Divergentes, o que a obriga a caçá-los, incluindo Tris (Shailene Woodley), considerada uma fugitiva, ao lado de Quatro (Theo James). Para revidar as forças de Jeanine e tirá-la do poder, o casal precisa ajudar a articular uma aliança entre a Audácia e os sem facções.

O principal problema de ver Insurgente sem ler o livro são as inevitáveis comparações que faço, na minha cabeça, em relação a Jogos Vorazes. Digo isso porque, logo na abertura do novo filme, por exemplo, já vemos Jeanine fazendo uma forte propaganda, garantindo que Tris é a culpada dos atos finais do primeiro tempo. Propaganda que foi o grande foco de A Esperança: Parte 1.

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Esse tipo de semelhança acaba pondo boa parte da franquia na sombra da “irmã mais velha”, o que pode ser um lado negativo para quem não leu os livros. Contudo, o roteiro deste novo filme é capaz de forjar as suas próprias pernas. O ritmo, um ponto já positivo no primeiro, deu um salto ainda mais agradável, sendo mais ágil e objetivo (ponto para a redução em 20 minutos da duração em relação ao primeiro filme). As relações entre os principais personagens parecem mais sólidas e críveis, assim como a entrada de novos personagens, como é o caso da líder dos sem facção, Evelyn (Naomi Watts), é bem realizada (apesar de que aqui, como uma opositora de Jeanine, ela estabelece uma dualidade semelhante ao do Presidente Snow e Alma Coin em A Esperança).

Uma pena que não vejo na direção de Robert Schwentke (RED: Aposentados e Perigosos) a mesma evolução. A direção continua sendo um ponto fraco da franquia, já que o novo diretor também não consegue estabelecer uma marca, algo que realmente chame a atenção. Não que a execução, no geral, esteja ma feita. Pelo contrário, é bem realizada, mas transmite a sensação de ser algo feito sob encomenda, que qualquer outro poderia vir e fazer o mesmo. De melhor momento, suas cenas de ação, que ajudaram a criar o bom ritmo do filme.

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Nas atuações, aconteceu o inverso do que achei em relação ao primeiro. Shailene Woodley não acompanhou a evolução do roteiro e, novamente, me fez questionar se ela é capaz de ser a protagonista deste tipo de série. Foi prejudicada, ainda, em certas cenas mais dramáticas, onde as câmeras lhe conferiram uma expressão involuntariamente cômica, e até mesmo, exagerada.

Em contrapartida, o restante do elenco se encontrou melhor. Theo James foi capaz de mostrar mais do que um simples parceiro da protagonista, tendo uma presença maior neste filme; Ansel Elgort e Miles Teller, mesmo que sem muito tempo em tela, mostraram o poder de versatilidade dos atores, já que seus jeitos e modos relevam um material bem diferente do que pode ser visto em A Culpa é das Estrelas e Whiplash, respectivamente. Aliás, acho até que o Teller conseguiu roubar o filme. Tenho certeza que esse novo filme do Quarteto Fantástico terá, ao menos, uma coisa boa. Ainda acho que Kate Winslet, no geral, continua sendo desperdiçada, apesar de estar melhor aqui. Por outro lado, a adição de Naomi Watts no elenco foi um acerto para a franquia.

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A construção do cenário e o figurino persistem sendo bons pontos da série. Destaco, na segunda, os trajes tanto da facção da Amizade como o da Franqueza, que conseguem transmitir boa parte da essência das facções pelas roupas. É uma pena que o 3D não esteja a par deste visual, já que ele é muito, MUITO dispensável. Talvez seja a pior conversão para o formato que assisti, e olha que tem o Espetacular Homem Aranha nessa lista. Outro que também fica devendo é Joseph Trapanese e sua trilha sonora, pouco memorável.

Apesar de alguns tropeços mais graves, que impedem que o filme esteja no nível de excelência, por exemplo, de Jogos Vorazes: Em Chamas (que exerce a mesma função), o balanço do novo capítulo é positivo. Sobretudo, pelo excelente plot twist de seu fim, que é onde eu vejo a oportunidade da série sair da aba de Hunger Games de uma vez por todas. Causa a mesma sensação que ao fim de Maze Runner: eu não faço a mínima ideia de para a onde a série vai caminhar, mas eu realmente quero saber. Contudo, é preciso ter em mente que, independentemente de que caminho escolha, os problemas devem ser identificados e sanados, para que a franquia deslanche de uma vez por todas.

Nota: 7/ 10.

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7 comentários sobre “[REVIEW] Insurgente

  1. Bom , kate winslet não faz muita coisa msm , mas o destaque dela já é aumentado em relação ao livro … se aumentassem mais iria ficar pior …. ao contrario de vc acho que ela tava melhor eu divergente , o filme é um resumo do livro .. é cortado 50 porcento (ou mais ) do livro , então , recomendo a vc e tds que leiam o livro pq vale a pena , assim como o primeiro … a tris narra de um forma fantastica e é impossivel não se identificar com ela e seu jeito de pensar .

    1. As pessoas comentaram mesmo que o filme parecia bem diferente do livro, e de fato, não duvido que ele seja melhor, tanto que só tive interesse pela franquia graças ao primeiro livro. Já que teremos aí mais 2 anos para contar o fim da história, vou procurar ler os livros mesmo, para ver se consigo obter uma visão mais apropriada sobre os filmes.

  2. Eu sinceramente não gostei do segundo filme, Insurgente porque primeiro a essência da narrativa de Verônica não e capitada , sei que o filme não necessita de ser uma copia fiel do livro ate porque e uma releitura de obra mas acho que desejou muito a desejar no quesito historia e também a decepção de tantas cenas que eram muito boas no livro não foram incluídas no roteiro e outras cenas foram modificadas e outra o personagem de Marcos aparece muito pouco entre outras criticas mas eu contaria as cenas de ação como um ponto positivo..o livro Insurgente e o melhor de todos da serie e recheado de boas cenas de ação mas recomendo a leitura do livro e bemmmm melhor a Autora Veronica Roth provou que veio pra ficar.

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