Cinderella

“Honesto, novo live action infantil da Disney se mostra um acerto”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Digo logo de cara: de todas as animações de princesa da Disney, a Cinderella era, de longe, a que eu menos gostava (e olha que estamos falando de uma lista que tem a Ariel no meio!). Sei que pode ser um comentário até maldoso, se for analisar pelo lado que a moça sofria nas mãos da diabólica madrasta e suas meias irmãs, mas sempre senti a falta de carisma na personagem. A trama, como um todo, também não me agrada, como o romance bem forçado entre ela e o príncipe (OK, não que os outros não sejam, mas ela dança com ele e já querem casar? A crítica feita pelo Frozen faz sentido), ou a fuga da personagem pelo medo de o príncipe não gostar de quem ela realmente é, por um viés mais visual do que de personalidade. Enfim, nunca me agradou.

Justamente por ter essa imagem da personagem na cabeça, a expectativa pelo sua versão live action (mais uma no recente aumento de versões live action das clássicas histórias infantis) só não era nula pela presença do curta do Frozen no filme. Contudo, ao subir dos créditos, não há como não reconhecer várias qualidades que a obra possui.

Cinderella 4

Ao olhar os realizadores, percebo que Cinderella serve como redenção para alguns. O diretor Kenneth Branagh pouco me agradou em Thor (que talvez seja o filme mais fraco da Marvel até agora), mas aqui ele apresenta um trabalho bem mais competente. Planos de câmera bem utilizados, uma boa direção de atores, e um ótimo trabalho na direção de arte, talvez o ponto alto do filme. Cenários ricos e bem detalhados, como o Palácio Real e casa de Cinderella, assim como um figurino vasto e que ajuda muito na caracterização dos personagens.

Se eu lamento o roteiro de Chris Weitz na adaptação de Bússola de Ouro, aqui, não vejo problemas. É verdade que o fato de eu não lembrar muito bem da animação pode ser um fator decisivo nisso, mas acho interessante a abordagem que ele dá ao filme. O ritmo é funciona perfeitamente, a origem de Cinderella ocupa o tempo certo em tela (eu nem lembrava que o nome da personagem é Ella, e o cinder é um trocadilho infame em inglês), e há um equilíbrio satisfatório entre o drama e o humor no filme. Destaco isso porque se em Malévola houve um praticamente desrespeito com as fadas, com elas se tornando um alívio cômico muito forçado e mal executado, os ratinhos amigos de Cinderella aparecem aqui na hora e no momento oportuno. A relação dela com o príncipe também é mais bem trabalhada, assim como tramas secundárias, tais como o plano da Madrasta ou o interesse nos rumos do reino do Grão Duque.

CINDERELLA

O trabalho dos atores, de uma maneira geral, está muito satisfatório. As interpretações de Holliday Grainger e Sophie McShera (as detestáveis irmãs Drisella e Anastasia), de Stellan Skarsgard (o Grão Duque) e de Helena Boham Carter, em seu papel menos chato em um bom tempo, como a Fada Madrinha, acrescentam a obra. Richard Madden, o Robb de Game of Thrones, não chega a brilhar, mas se encaixa bem na proposta e clima do filme. Das duas protagonistas, vejo um brilho maior no trabalho da ótima Cate Blanchett como a Madrasta, que soube incorporar muito bem a personagem, e soube ser a vilã do filme. Já Lily James… É verdade que há momentos que acho que falta carisma (um problema da personagem?), mas no geral, ela acerta perfeitamente na apresentação das maiores qualidades da personagem, como sua gentileza. Por fim, destaco a trilha de Patrick Doyle (Planeta dos Macacos: A Origem), que casa muito bem com o filme e gera um bom tema para o longa.

CINDERELLA

Apesar dos tempos serem outros, e a imagem das princesas e seus respectivos papéis sociais serem um tanto desatualizados, não acredito que o filme sirva como uma má influência para seu público. Ao subir dos créditos, mais do que qualquer indício de que “as meninas devem procurar serem princesas e esperarem seus príncipes”, as mensagens que a obra procura enfatizar são bem mais positivas, como gostar de alguém por quem a pessoal realmente é, saber perdoar e, principalmente, “ter coragem e ser gentil”. Coisas que podem até ser óbvias, mas que nunca é de mais relembrar.

Nota: 7/ 10.

P.S.: Ah, sim, sobre o curta do Frozen: para qualquer um que goste da animação, a chance de gostar do curta de cerca de 7 minutos é enorme. Ele também é um musical (uma das maiores características do filme), recicla algumas boas piadas do filme, e mais uma vez, prova a qualidade técnica da animação da Disney, nos entregando uma textura fantástica.

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