Velozes & Furiosos 7

“Sétimo capítulo da franquia homenageia não apenas Paul Walker, mas todo o legado da série”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

O ano de 2013 foi um ano de extremos para a franquia de Velozes & Furiosos. Por um lado, o sexto filme da série havia sido um grande sucesso no meio do ano, faturando quase 790 milhões de dólares pelo mundo (a maior arrecadação da saga), e provando que a série ainda tinha gasolina para queimar. A euforia era grande, e a produção para o sétimo filme começou de forma imediata, já que o plano seria lançá-lo em Julho de 2014.

Este seria o plano…

Em uma fatídica noite de Novembro daquele ano, Paul Walker, um dos pilares da franquia, ao lado de Vin Diesel, faleceu em um trágico acidente de carro. A dor e desolação não apenas foi grande para os milhares de fãs dos filmes, mas ainda mais traumatizante para o elenco do filme, uma família dentro e fora das telas. A produção foi interrompida por cerca de 4 meses, o que resultou no adiamento do filme para este ano, e o roteiro, claro, teve que ser alterado.

Uma conversinha antes da porrada
Uma conversinha antes da porrada

Foi assim, cercado de expectativas não só em relação a como explicariam o sumiço de Brian O’Conner no filme, mas quais homenagens o filme prestaria ao ator, que Velozes & Furiosos 7 estreou nesta quinta (2) no Brasil. No novo capítulo, Deckard Shaw (Jason Statham), o irmão mais velho de Shaw  (o vilão do último filme) planeja se vingar de toda a família de Toretto (Vin Diesel). Para impedir mais fatalidades como a de Han (Sung Kang), a turma deve ser unir em one last ride para enfrentar esta nova ameaça.

Já falei aqui, em outra oportunidade, sobre como a série mudou ao longo de seus quase 15 anos. Saiu de algo de nicho para se transformar em um blockbuster autêntico, recheado de cenas de ação, tiros e pancadaria. Muita dessa transformação se deve a Justin Lin, que dirigiu de Desafio em Tokyo até o último filme. Porém, no novo longa, o cargo é preenchido por James Wan (conhecido pelos terrores de Jogos Mortais e Invocação do Mal). E a entrada de Wan foi extremamente benéfica. O diretor, que fez sucesso no gênero de terror, mostra que também é capaz de conduzir um filme de ação de grande orçamento. Ele não apenas mantém a competência das grandiosas cenas de ação (que atinge um novo auge no longa), como revitaliza as cenas de porradaria entre os atores, como se colasse a câmera neles para reproduzir todos os movimentos das muito bem coreografadas lutas. Duelos como o de The Rock contra Jason Statham ou da lutadora Ronda Rousey contra Michelle Rodriguez estão dignos de entrarem nos melhores momentos de toda a franquia.

Furious 7 6

O roteiro fica a cargo de Chris Morgan, que escreve desde Desafio em Tokyo. E a esta altura do campeonato, reclamar da simplicidade do enredo é a mesma coisa que reclamar das piadinhas presentes nos filmes da Marvel. Não é algo de outro mundo, mas é um “arroz com feijão” muito bem feito, com temperos especiais: os absurdos que desafiam as leis da física, e que cada vez ficam mais mirabolantes (como a cena apresentada no trailer, dos carros caindo do avião), realizadas com capricho; as piadas clichês, que colaboram não só para o entretenimento do filme, como lhe dão mais ritmo; de nostalgia, como a presença do Race Wars (aquela competição do primeiro filme, lembra?) e do retorno de Sean Boswell (Lucas Black) em uma cena; e claro, todo o peso do conceito de família, tão presente na franquia, e aqui evidenciado mais do que nunca.

Uma das melhores qualidades que enxergo na franquia são os trabalhos dos atores. Não são atuações dignas dos prêmios mais importantes do cinema, mas é um trabalho feito com honestidade. E desta vez, não foi diferente. É legal ver Diesel, Walker, The Rock, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyresse Gibson e Ludacris juntos, porque a química entre eles funciona de uma forma espetacular. Uma química que muitíssimo raramente se nota em outras franquias, já que o conceito de família transcendeu as telas e veio para a vida real. E isso dá gosto de ver. As novas peças do filme também funcionam: Nathalie Emmanuel não compromete; Kurt Russell mostrou facilidade para entrar no clima do filme; e Jason Statham é o tipo de vilão que arrebenta (literalmente) que o filme precisava (só eu acho sensacional o fato de dois atores conhecidos por papéis envolvendo carros terem sido chamados para a trama? Quando o Ryan Gosling ou o Tom Hardy se juntarão a equipe?).

Furious 7 5

Se por um lado, o 3D do filme se mostra bastante dispensável, por outro, deve-se tirar o chapéu para o trabalho da WETA na recriação do rosto do Paul Walker. A partir do uso dos dois irmãos do ator e de dublês, com exceção da última cena, onde a evidência foi proposital, não há como, ao longo dos 137 minutos do filme, saber quais cenas foram gravadas pelo ator e quais foram feitas após sua morte. A perfeição na execução do trabalho é assombrosa. A qualidade dos efeitos, aliás, é perceptível durante todo o filme. E apesar de sentir falta das músicas que tanto caracterizaram a cultura de street racers, lá no início da franquia, não há o que reclamar da trilha sonora de Bryan Tyler.

A tão aguardada homenagem a Paul Walker vem, de forma concentrada, na cena final, feita exclusivamente para se despedir do ator. Com um texto emocionante narrado (e, provavelmente, escrito) por Vin Diesel, cenas do ator durante toda a franquia vão surgindo na tela. Não há apenas um texto bonito, mas há um simbolismo muito grande na escolha do desenvolvimento da cena, nos elementos presentes (apenas uma dica: reparem que o carro é BRANCO), e a mensagem principal transmitida. Os aplausos (e o choro emocionado de alguns) que tomaram conta da sala provavelmente se repetirão em várias e várias sessões.

Família =)
Família =)

A ideia de termos mais um filme é conflitante. Particularmente, acho que não precisava (ou mesmo deveria), mas por se tratar de um produto de sucesso, certamente teremos continuações. Não será a mesma coisa, mas ainda teremos a oportunidade de acompanhar uma franquia que conseguiu provar o seu valor ao longo dos anos. E se tivermos mesmo a Helen Mirren como vilã, numa vibe de RED: Aposentados e Perigosos, confesso que acharei sensacional!

Nota: 8/ 10.

 

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7 comentários sobre “Velozes & Furiosos 7

  1. Só pra frisar, o Supra usado na última cena é do próprio Paul Walker, no Youtube tem um vídeo que um cara mostra toda a coleção de carros do PW e esse Supra consta, eu sabia disso mas fuo conferir no vídeo…

    Abraços!

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