[FORA DE SÉRIE] Game of Thrones: Ultrapassagem

Por Matheus Araujo

A quinta temporada de Game of Thrones estreia em breve (12 de abril) e, junto a ela, há a promessa de uma adaptação cada vez mais distante da obra original de George Martin. Isto ocorre porque, mesmo tendo publicado o primeiro de seus livros em 1996, o autor possui um ritmo bastante vagaroso de escrita, que a cada livro se torna pior, sendo que os dois últimos distam de mais cinco anos de seus antecessores. Caso Martin não acelere o processo, e tudo indica que não vai, a projeção desesperadora é que essa história termine para algo além de 2021.

Além da preocupação desrespeitosa quanto à sobrevivência de Martin a este processo, os fãs d’As Crônicas de Gelo e Fogo temem pela adaptação do seriado, que já está um tanto próximo do limite de material escrito, e que poderia dar passos adiante do enredo publicado. Afinal, lampejos de tal ousadia já foi objeto de bastante discussão na temporada anterior. Por hora, Martin alertou que elementos futuros dos livros virão, sim, ao longo das próximas temporadas, e que isso faz parte de certa estratégia dele em uma produção de conteúdo emparelhada, que visa fomentar o interesse dos diferentes públicos em ambos os produtos.

Particularmente, duvido que esta seja a decisão final quanto ao impasse. É uma longa caminhada e a série precisa de 10 episódios anuais, o que torna improvável o crescimento das duas tramas quase que simultaneamente. Portanto, proponho observar alguns casos semelhantes, buscar parâmetros e pensar em três outras possíveis estradas para Game of Thrones.

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Spartacus no meio de sua produção encontrou uma dificuldade: seu protagonista estava com câncer. Dada a impossibilidade de prosseguir com a série e vontade de perpetuá-la como um produto, os produtores realizaram um spin-off, que contava histórias anteriores de vários de seus personagens coadjuvantes.

Há muita coisa fascinante sobre o passado de Westeros nos livros, que por limitações da mídia, se reduziram a citações na série. Quem sabe se eles utilizassem esse material, consigam preencher o vazio entre a produção dos livros. Todavia, isso é um tanto complicado, pois existem alguns atores jovens centrais que acabariam se modificando significativamente nesse período. Sem o recurso de um salto temporal, essa paralisação na produção seria problemática. Ademais, pessoalmente, prefiro ter apenas lendas do passado de Westeros, jamais se confirmando a veracidade completa e o glamour de certos acontecimentos históricos. Nos tempos atuais, vemos apenas um florescer de uma alta fantasia. A maioria dos personagens sequer acredita nisso. E esse caráter mítico de eras atrás é o que provoca grande impacto em se ver um lobo gigante ou um dragão vivo ou qualquer tipo de fantasia concreta.

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O oposto desta ideia comedida de espera poderia ser construção de uma nova história na TV, abrindo precedente até para uma futura nova adaptação com a promessa de ser fiel. Isso já aconteceu com o anime FullMetal Alchemist, que ainda no começo de seu mangá foi adaptado, e que jamais poderia terminar sem que se adicionassem uns cinco anos de puro filler. Ao contrário do mais convencional, estabeleceu-se um ponto de ruptura entre as obras e, a partir dele, o estúdio teve a liberdade para criar o que quisesse. Após o rompimento, o anime durou um bom tempo e essa versão alternativa ainda é bastante elogiada. Vários anos depois, quando o mangá estava próximo do fim, resolveram por fazer uma nova adaptação, dessa vez ipsis literis, e entregaram uma obra completamente fiel. O mais divertido disso tudo é que não existe consenso entre os fãs, pelo menos com aqueles que conversei, de qual a melhor versão. Todos adoram as duas. Pelo histórico da adaptação da série, com alguns momentos de maior liberdade criativa já apresentados pela HBO, isso poderia tranquilamente ser feito.

E, por fim, pensando parecido com o que já está sendo feito, só que diferente, também poderiam terminar a série no cinema – o próprio Martin já flertou algumas vezes com a ideia de fechar sua história nas telas grandes. Quanto à adaptação, como é inviável se fazer apenas um filme dessas infindáveis páginas (isso ainda apoiado pela moda de Hollywood em se dividir livros) e como uma produção cinematográfica tomaria um tempo maior em relação à televisiva, os longas-metragens do último livro poderiam rolar até mesmo enquanto Martin o estivesse escrevendo.

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Esse processo de criação conjunta já ocorre. Os produtores HBO já sabem até o final do Martin! Levando para o cinema, a diferença seria o nível de controle sobre as revelações dos livros em tela. Haveria uma diluição do poder de criação dos diversos roteiristas e diretores, tornando a relação com o material mais íntima. A criação conjunta já rolou levemente com Harry Potter (com o Alan Rickman já sabendo o final de Snape desde A Pedra Filosofal) e também, de certa forma, com The Walking Dead, devido à participação muito ativa de Robert Kirkman no seriado. Já a questão da transposição TV-Cinema é algo ainda mais recorrente e o melhor exemplo disso talvez seja Star Trek.

Raciocinem que se A Dream of Spring fosse dividido no cinema – ele, diferente d’O Hobbit, certamente tem enredo para isso – poderiam ser gastos em sua produção total uns 5, 6 anos. Tempo que, se somado ao que já está pronto e por terminar, seria suficiente para o Martin entregar o livro completo antes do lançamento do segundo, quiçá, primeiro filme. E isso sem nem falar em todo o upgrade no valor de produção. Enfim, haveria tela para sentir os exércitos de 10, 20, 40, 100 mil guerreiros!

É… Viajei bonito.

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