Elysium

“Segundo filme de Neil Blomkamp não possui o brilho de Distrito 9, mas ainda é capaz de agradar “

 

Por Luís Gustavo Fonseca

Quando foi lançado e causou frisson em 2009, Distrito 9 logo mostrou o todo o potencial que havia em Neil Blomkamp. A crítica social, a história, o plano de fundo, as semelhanças com nosso mundo, o design das máquinas e dos ET’s… Sensacional! Um filmaço! As más línguas dirão que muito da qualidade do filme vem de seu produtor, o renomado Peter Jackson, e eu não tiro (a total) razão desses. Claro que as mãos dele interferiram muito no projeto, certamente, mas ainda considero mais importante os méritos de Blomkamp na obra.

Pois bem. Pressionado por esse padrão de qualidade, o diretor sul-africano retorna em 2013 com seu segundo longa. Com maior orçamento, rostos mais conhecidos, o diretor deveria enfrentar a (injusta!) pressão de seu novo filme ser melhor ou ter a mesma qualidade de Distrito 9. Qualidade e esmero que não foram alcançados, mas que não tiram de Elysium suas qualidades.

951023 - Elysium

O enredo conta a história de uma Terra do ano 2154, distópica, onde os mais ricos fugiram e passam a morar em uma estação espacial, Elysium, com casas luxuosas,e principalmente, saúde. Coube a Terra ficar com bilhões de pessoas pobres, que vivem na miséria, no meio da poluição e da exploração feita pelos ricos, e imposta pelos policiais robôs.

O protagonista, Max (Matt Damon), é um ex-presidiário que na infância que conheceu e se tornou amigo de Frey (Alice Braga), pelo qual desenvolveu sentimentos por ela. Após um acidente na fábrica onde trabalha, Max vê a extrema necessidade de ir para a Elysium, e procura Spider (Wagner Moura), uma espécie de traficante e coiote, para levá-lo até lá. Para isso, ele terá que fugir das defesas da estação espacial, que tem como chefe de segurança Delacourt (Jodie Foster), e de seu mercenário infiltrado, Kruger (Sharlto Copley).

kinopoisk.ru

Um dos méritos do filme cabe à direção. Por ser sul africano, livre de algumas marcas da cultura americana, a visão de Blomkamp se torna mais singular em Hollywood. Assim como em Distrito 9, considero deveras interessante a retratação desta Terra distorcida, pobre, em uma Los Angeles que virou um favelão (neste caso, até exagerado, pois pouquíssimos prédios da metrópole continuaram de pé). Uma miséria mais crua, e por isso, mais crível. Ele enfatiza a divisão social e de classe presente no filme, já que Elysium não há negros, nem mesmo morenos (OK, o presidente tem nome de indiano, mas não é o indiano que estamos acostumados a ver representados no cinema), enquanto, em contra partida, temos uma Los Angeles tomada por latinos e pessoas da mais variadas etnias.

Os robôs, uma das características que mais me chamaram a atenção em Distrito 9, também continuam apresentando um visual excelente, assim como as espaçonaves. Julgo a estética de Blomkamp quase como única, não conseguindo comparar com outros diretores que tenham trabalhado essa temática. O diretor ainda conta com vários planos interessantes; a fotografia para mim esta ótima; e as cenas de ação foram bem executadas.

Elysium 2

Se na direção Blomkamp se sai bem, no roteiro ele peca um pouco mais do que eu esperaria. O plano de fundo é excelente, me atraiu muito a forragem que ele dá para aquele universo, mas as questões sociais, tão bem abordadas em seu trabalho anterior, aqui são um tanto ignoradas, em detrimento da história de Max. Uma pena, pois acaba desperdiçando um baita potencial. Lamento, mais ainda, o roteiro um tanto clichê e previsível, onde várias coisas são sacáveis já no meio do longa. Por último, o filme poderia ter se aprofundado um pouco mais nos personagens, principalmente em suas formações e ideologias, sobretudo, de Krugen, que nesse quesito, fica um tanto quanto deslocado dos demais. As cenas de ação se anulam: se por um lado, são necessárias, e acho que colaboram para a narrativa do filme, por outro, por se tratar de um blockbuster americano, acabam, muitas vezes, “impostas” ao diretor, o que atrapalhou o desenvolvimento de outros núcleos, como o da crítica social, por exemplo.

As atuações não estão fantásticas, mas vem bem a calhar. Damon nem de longe lembra seus trabalhos em Bourne, mas possui um personagem que cria certa empatia com o público; pode-se dizer o mesmo de Alice Braga, apesar de suspeitar que ela poderia ter rendido um pouco mais; estreando em Hollywood, Wagner Moura surpreende (ou não) em seu trabalho. Mesmo com um sotaque carregado (provavelmente, proposital), o ator se sai bem em cena com os outros, e consegue segurar as cenas protagonizadas por ele, tendo um importante papel no filme; Sharlto Copley está SENSAFODÁSTICO como o mercenário Kruger, também com sotaque, entrando como uma luva no papel de vilão; e infelizmente, um dos meus temores se realizou: Jodie Foster não convence como antagonista, com um papel superficial.

Elysium 3

No cinema, a trilha de Ryan Amon (estreante em Hollywood) chama bastante a atenção, conseguindo a ditar o ritmo do filme. Em uma segunda visita ao filme, ela se mostra menos espetacular, mas continua sendo um dos pontos altos do filme, casando bem com as cenas de ação e com o filme como um todo.

Finalmente, Elysium não causa o impacto, nem se iguala, a Distrito 9, mas ainda se mostra como uma agradável ficção científica, sobretudo em um ano onde as ficções científicas se destacaram pela qualidade (Oblivion, Gravidade, Star Trek, Pacific Rim, cabendo a Depois da Terra ser a regra a exceção). Resta saber, agora, se com Chappie, ele voltará a trilhar os caminhos feitos por Distrito 9.

Nota: 7/ 10.

 

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