Nova York: antes e depois

Por Matheus Araujo

A Marvel, enquanto produtora independente, já surgiu estúdio grande. Ainda assim, é possível delinear dois momentos bem claros quanto a sua dimensão: antes e depois de sua consolidação com o estrondo d’ Os Vingadores. Além da própria linha do tempo, o orçamento e a bilheteria, o respaldo da indústria, a expansão de mídias e do escopo das produções e, subjetivamente, a alçada na qualidade dos filmes, reforçam a ideologia das duas fases estabelecida pela organização.

No início de 2008, a realidade dos super-heróis no cinema era outra. Há um ano, a atualmente sofrível Sony havia lançado o maior sucesso das adaptações de quadrinhos, Homem-Aranha 3; a Warner/ DC era uma competidora promissora, afinal, abalaria o mundo com o ápice da franquia Cavaleiro das Trevas; e a Fox, mesmo que com várias dúvidas, ainda era maior do que o inexistente Universo Cinematográfico Marvel (MCU).

Mais tarde nesse mesmo ano, o MCU nasceu fazendo muito barulho e, junto dele, o fenômeno Tony Stark. A título de comparação, a performance de Robert Downey Jr. (RDJ) conseguiu ser um contraponto ao renomado O Cavaleiro das Trevas, e estabelecer uma forte frente de oposição ao estilo mais realista de Nolan. A guerra entre esses estilos ainda não foi decidida, mas a maioria das batalhas, inclusive o reencontro do Cavaleiro das Trevas com Tony Stark, foi vencida pela Marvel.

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O primeiro Homem de Ferro ainda é um dos mais queridos filmes de quadrinhos. A construção do super-herói em tela é uma das melhores histórias de origem feitas até hoje, aliás, boas origens são uma constante nessa primeira fase da Marvel. O início do “ferroso” é dinâmico, dramático e, ao mesmo tempo, divertidíssimo. Quem não se lembra do disfarçado projeto da primeira armadura? Do amigo no cativeiro? Dos hilários testes de voo? A estrutura é tão eficaz, que sua “repetição” no segundo filme do herói é até compreensível. Aliás, curioso é notar que o ótimo O incrível Hulk de Edward Norton, a outra experimentação nesse início do estúdio, teve seu enredo de “história já em movimento” esquecido pelos demais projetos.

O caminho até Vingadores ainda contou com Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador. Infelizmente, o deus nórdico constitui o pior da primeira fase, mesmo que não muito abaixo da média que vinha sendo estabelecida pelo estúdio. Apesar de um roteiro mediano-fraco, o filme possui um ótimo visual, um elenco no qual salta aos olhos a presença de Sir Anthony Hopkins (!) e um vilão que desbanca com louvor todos os outros nomes.

Já o filme do Capitão, que desde o subtítulo se mostrava o mais medroso dos Vingadores, superou as baixas expectativas. A obra soube brincar com as próprias fraquezas, como o ridículo uniforme ou o ufanismo que não mais caberia em 2011, constituindo uma ótima introdução. Todavia, e talvez por isso, esqueceu-se de divertir no restante, e com uma participação decepcionante de Hugo Weaving como Caveira Vermelha, não soube desenvolver uma aventura no mesmo nível. Como ficamos sabendo mais a frente, o potencial estava longe de ser aproveitado totalmente.

Os Vingadores em 2012 é, sem exageros, a realização de um sonho coletivo. Seja da geração que primeiro viu um super-herói em tela e ansiava para que ele tivesse companhia, seja pela minha, que teve a oportunidade de crescer envolto dessas super produções numa infância dos anos 2000. Não se tratava mais de UM filme, mas de um evento, uma catarse mundial. Impecável em sua diversão, enlouquecedor em sua existência.

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No entanto, não seria justo deixar de fora desta retrospectiva, uma dúvida que tive pré-lançamento. Tamanha a força de RDJ, não seria esta nova obra algo como um Tony Stark e seus amigos? Após o filme, tolice pensar algo assim. RDJ, sim, é o centro, mas é um centro que articula com todos os seus membros, que os eleva ao seu nível e proporciona: melhores Capitão América e Thor, pois se retira deles o peso do protagonismo; mais “relevantes” Gavião Arqueiro e Nick Fury, agora, com maiores propósitos.; uma ainda melhor coadjuvante Viúva Negra; e o, surpreendentemente, melhor Hulk do cinema. É impressionante a sinergia. Tudo cresce. Até mesmo o que já era muito bom. O roteiro do filme assume a galhofa, é simples, até se esquece do drama (que aparentemente vai coroar A Era de Ultron, mas isso é conversa para outra hora) e aposta na diversão pura, o que dá muito certo. A própria direção, nas mãos de Whedon, nunca foi tão boa quanto agora. Os quesitos técnicos são mal-educados de tão bem trabalhados e a trilha sonora sabe se portar em vista dessa magnitude. Resumindo, Os Vingadores é o marco do Universo Cinematográfico da Marvel.

Depois d’Os Vingadores, quando nada poderia dar mais certo, o primeiro “tropeço”. O Homem de Ferro 3 foi a maior bilheteria de 2013. Todavia, o filme se configura como um retrocesso dentre os filmes do próprio herói. Um desgaste de RDJ, afinal era o quarto filme do personagem em cinco anos; a polêmica virada do filme, da qual poucos classificariam o desfrutar como uma grata surpresa; o roteiro e a direção no geral, que são bem abaixo dos longa-metragem anteriores. Assim como “trabalhado” no filme, Nova York traumatizou o mundo – de uma forma curisosa, uns para bem, outros para mal.

Já quanto ao desempenho do restante dos integrantes, a melhora é indiscutível. O menor dos saltos, mas ainda bem considerável, talvez seja o de Thor: O Mundo Sombrio. Com exceção de Natalie Portman, todos os aspectos amadureceram, e Tom Hiddlestone tem o filme na palma de sua mão.

Por outro lado, O Soldado Invernal se tornou para muitos o melhor filme solo da Marvel. Os irmãos Russo chegaram arrebentando. Tanto que são eles os sucessores de Joss Whedon para a vindoura terceira fase da Marvel. Os caras transformaram o mais quadrado dos quadrinhos em um puta filme de ação e espionagem.

Mas a segunda fase da Marvel não é feita só de aprimoramento, há também apostas. E quem, se não o estúdio mais foda da atualidade, apostaria em uma árvore alienígena andando com um guaxinim maníaco no “ombro”? O resultado? A maior bilheteria do verão de 2014.

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Outra aposta da Marvel foi a “TV”. Além de Agents of S.H.I.EL.D, que não acompanho, mas ouço bastante de sua constante evolução, houve no início deste ano Agente Carter, um spin-off muito bem recebido pelo público e que possui a participação direta do time de cinema do estúdio. Todavia, o mais impressionante passo neste aspecto, fica por conta do recente lançamento de Demolidor em parceria com a Netflix. O que acontece quando duas das mais amadas produtoras de audiovisual da atualidade se juntam? Leia esta resenha e descubra.

Em 2015, não há concorrentes concretos para Marvel. A Sony abriu mão de sua maior propriedade para a própria; a Warner/ DC, enquanto a maior rival se erguiu do zero e tomou conta do mercado, permanece uma promessa; e a Fox até atingiu certa constância, mas está longe de ser uma ameaça ao Império Marvel, que domina indubitavelmente o cenário desde Nova York.

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