O legado de Mad Max

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Até o início deste ano, sabia praticamente nada sobre Mad Max. Bem, sabia que teríamos um novo filme, que estreia no Brasil na próxima quinta, dia 14. E também sabia que era um dos pontos altos da carreira de Mel Gibson. Mas após ver um dos trailers do novo filme no cinema (ainda não viu? Pode assistir aqui), percebi a necessidade de conhecer sobre este mundo.

O primeiro Mad Max estreou há mais de 35 anos, em 1979.  Numa Austrália distópica e com uma sociedade cada vez mais decadente, a polícia se esforça como pode para manter a lei, enquanto gangues tentam ao máximo desafiar o sistema. O filme começa com uma das melhores características de toda a franquia: as cenas de perseguição. Enquanto bandidos escapam da polícia, constrói-se, em paralelo, através de close ups, a imagem de badass de Max.

mad max 2

A franquia Mad Max tem várias coisas positivas. A melhor delas, provavelmente, é o nome de George Miller, diretor e roteirista dos três filmes. E nos dois aspectos, seu trabalho merece elogios. As perseguições são um dos grandes méritos da obra, principalmente pela maneira como Miller as executa: tudo parece real. Cada acidente e batida tem tempero de espetacular, enquanto as perseguições são de tirar fôlego. O trabalho do diretor com as câmeras é muito bem realizado.

Vai me falar que não é um visual bacana?
Vai me falar que não é um visual bacana?

No roteiro, ele também acerta em cheio. O primeiro Mad Max é um ótimo filme de origem. A construção do personagem de Max é excelente, desde o mistério que o cerca nos primeiros minutos, até a condução dos eventos que o levam a adotar sua personalidade mad. Tudo com uma boa dinâmica. A ambientação deste universo também merece grande destaque. É prazeroso ver cada novo elemento surgir nessa distopia. É um mundo que faz bem conhecer cada novo detalhe.

Se o primeiro Mad Max é ótimo, o segundo, The Road Warrior, eu considero uma obra prima. Miller pega tudo que houve de bom no primeiro filme, e aprimora ainda mais seus conceitos: a ambientação, que utiliza mais uma vez seu caráter de road movie, mas que desta vez dá mais espaço para o lado distópico da franquia, se aproveitando do clima e dos cenários desérticos, assim como de diferentes organizações sociais, muito bem apresentadas; do vestuário, muito mais bem trabalhado e interessante, e que eu julgo ser sensacional. É através dos diferentes vestuários existentes, que a loucura de todo esse mundo é transmitida, e é mais um elemento que te faz sentir dentro dele; e, mais uma vez, as perseguições, que culminam num excelente clímax, extremamente bem executado. Um último adendo: a trilha composta por Bryan May nos 2 primeiros filmes, que colabora, ainda mais, para transformar esse universo em algo tão palpável.

Design dos veículos também merece destaque
Design dos veículos também merece destaque

É uma pena que o terceiro filme, Beyond Thunderdome , esteja aquém dos outros dois. Não que ele seja ruim. Há boas coisas nele, como a apresentação de uma sociedade mais bem elaborada, ou mesmo a arena onde “dois homens entram, um sai”. E, sinceramente, não acho que a presença da Tina Turner seja um desastre. Acho até que não compromete. Mas o filme parece não ter a mesma empatia, a mesma magia, que os outros dois possuem de sobra. Até mesmo as perseguições parecem menos brilhantes. O que talvez mais me incomode seja a presença de Bruce Spence, presente também no segundo filme, mas aqui, em um papel totalmente diferente. A relação dele com Max no filme anterior é um dos pontos altos da trama, e aqui, esse reset na relação dos dois é um retrocesso.

mad max 4

Claro que o gosto pela franquia também é facilitada pelo trabalho de Mel Gibson, protagonista dos 3 filmes. Não foi um trabalho que me causa impacto em mim como em Coração Valente, mas é uma atuação, ainda sim, excelente, que cria um personagem muito querido. E como ele funciona como protagonista, os outros ao seu redor (ao menos, nos dois primeiros filmes) também funcionam, sobretudo o já citado Bruce Spence. Apesar de achar que Gibson cai tão bem no papel, e talvez por ter conhecido a série tão tardiamente, não sou desses que vê com maus olhos a entrada de Tom Hardy no papel. Ao menos, não até ver o filme, onde comparações serão inevitáveis.

O retorno à tela grande, 30 anos após o terceiro filme, poderia trazer desconfiança, já que parece, muito, uma tentativa de Hollywood de ganhar algum dinheiro em cima da nostalgia de gerações passadas. Mas a presença de George Miller na direção e roteiro traz um grande sopro de esperança. Se ele conseguir conciliar os efeitos especiais que ele tem acesso nos dias de hoje, com os efeitos práticos que utilizava nos filmes na época, as chances de sair algo fantástico são gigantescas. O filme merece ser conferido tanto para aqueles que não conhecem a franquia (e se gostarem, podem correr atrás dos antigos), como por aqueles que já conhecem o trabalho de Miller. Que o destino queira que a próxima quinta seja “A lovely day”.

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