[REVIEW] The Last Man on Earth

“Quando o fim da civilização encontra a comédia”

Por Luís Gustavo Fonseca

A temática apocalíptica de fim do mundo, apesar de suas mais diversas roupagens, quase sempre é apresentada pelo mesmo viés: a partir de cenários desastrosos, acompanhamos a luta pela sobrevivência de um pequeno grupo de pessoas, geralmente com uma pegada mais realista e, muitas vezes,  desesperançosa.

É a partir dessa característica do gênero apocalíptico que The Last Man on Earth inicia sua quebra de expectativa. A série, criada e estrelada por Will Forte (Nebraska) é ambientada em um mundo onde as pessoas misteriosamente sumiram. Sozinho, Phil Miller (o personagem de Will, e também não deixa de ser uma referência aos co-criadores Phil Lord e Chris Miller, diretores de Uma Aventura LEGO) roda os EUA, no ano de 2020, tomando para si itens importantes, enquanto espalha cartazes dizendo que está em Tucson, caso ainda haja alguém vivo no país.

Esqueça dilemas filosóficos ou a necessidade de se organizar para contornar a situação. Em um divertido episódio piloto, o protagonista nos revela outra possibilidade quando não há ninguém para te vigiar: estacionar onde quiser, consumir todas as bebidas que conseguir, fazer um “boliche” com carros ou uma piscina composta por bebidas alcoólicas. Um mundo com apenas uma pessoa é catastrófico, mas também é livre de responsabilidades.

Obviamente, a série encontraria várias dificuldades em se sustentar com essa proposta somente. E é aqui que mora uma de suas maiores qualidades: a sua capacidade de se reinventar sempre que tende a entrar na mesmice, e proporcionar novas situações hilárias. Novos personagens vão se unindo a vida de Phil, a começar pela “chata” Carol (Kristen Schaal), uma parceira que, definitivamente, Phil não gostaria de ter nesta situação.

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Depois, temos a chegada de outros, como Melissa (January Jones) e Todd (Mel Rodriguez). E o roteiro é certeiro ao sempre proporcionar dinâmicas e tipos de relacionamentos diferentes para cada um dos novos personagens, tornando-os singulares, cercados por bons diálogos, o suficiente para preencher os episódios, de 21 minutos cada. Phil, um canalha de primeira, é formidável ao criar as mais embaraçosas situações, culminadas de sua vontade de mentir compulsivamente. Cria-se, sempre, a expectativa de qual será sua próxima grande lambança.

Se a direção dos episódios não é algo memorável, mas que também não compromete, é do trabalho no roteiro que saem boas atuações. Se em Nebraska ele não possui unanimidade, em Last Man on Earth Will Forte mostra seu timing certeiro para comédia, tendo méritos em criar um personagem que, mesmo sendo de um dos piores tipos de pessoa, possamos nos afeiçoar. A química com os demais personagens funciona muito bem: para muitos, o jeito de Carol será insuportável, e isso pode afastar potenciais espectadores. Mas é a chatice da personagem, executada tão bem por Kristen Schaal, que acrescenta a obra um elemento essencial, e que refina sua dinâmica; a personagem de January Jones serve como contraponto as loucuras de Phil, sempre esperando que ele apronte alguma coisa; e Mel Rodriguez adiciona um novo gás a série, na pele do simpático Todd.

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Com um final que traz um inesperado ar dramático, e abre outras tantas possibilidades, The Last Man on Earth encerra seus 13 episódios com um saldo pra lá de positivo. Uma segunda temporada já foi confirmada, e fica, agora, a esperança que a série continue não se desgastando com o passar do tempo.

Nota: 8/ 10.

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