[FORA DE SÉRIE] Poltergeist de uma geração

Por Matheus Araujo

Poltergeist é o terror de uma geração, eu entendo isso. Todavia, você já assistiu ao filme recentemente? Aposto que, se ainda o defende como um bom filme, seus argumentos estão embarcados de saudosismo e história.

Lançado em 1982, o longa-metragem apresentado por um Spielberg em ascensão e dirigido por Tobe Hooper horrorizou através de seus ícones excelentemente construídos e os ecos de seu enorme sucesso são perceptíveis nas obras que o seguiram. E, exatamente por reconhecer sua importância, temo em problematizar: Poltergeist envelheceu mal.

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Bom, ao longo desses 33 anos, Poltergeist não poderia mesmo permanecer igual. Como costumeiramente acontece aos “clássicos”, o ritmo do filme transitou do agradável ao arrastado. O cansaço na experiência, entretanto, não é em vista apenas de sua lentidão na construção dessa história, mas por sua extensão claramente desnecessária. Falta conteúdo em suas quase duas horas.

Fugindo de anacronismos por mais um instante, afirmo pesarosamente que justo por ter semeado tanto entre os filmes de terror, o roteiro de Poltergeist se tornou mediano. Ele é a criação de uma fórmula já várias vezes reinventada, como nos recentes A Invocação do Mal e O Segredo da Cabana. E, portanto, demonstra alguns dos estigmatizados pontos fracos do gênero, por exemplo: não há um personagem sequer com o qual se é possível vincular laços.

Suspeito que a principal razão desta precarização temporal se justifique na grande aposta nos efeitos visuais. A direção até é competente em criar uma atmosfera, mas o clímax de todas as situações cabe aos grandes feitos da equipe de efeitos especiais, que, nos anos 80, foi absoluta em seu trabalho. Atualmente, no entanto, é desnecessário analisar a eficiência deste aspecto que impacta pesadamente na experiência, já que ele, com exceção as maiores de todas as produções, apesar de indispensável, não é mais um diferencial tão significativo.

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Por fim, não digo que a proposta de Spielberg ao lado dos filmes atuais do terror é ruim. Todavia, aos olhos de 2015, a entrega do clássico soa um tanto desalinhada. Dizem que a maior prova do cinema é o tempo e Poltergeist apenas resiste em seus descendentes. Os anos o assombraram assim. Pelo respeito ao original e pelo desejo de ressuscitar esse clássico, digo que este remake não poderia ser mais bem vindo.

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