Crimes Ocultos

Por Luís Gustavo Fonseca

Leo (Tom Hardy) é recrutado pela URSS em 1933, na Ucrânia, quando ainda era uma criança. Doze anos depois, ele é o protagonista da icônica imagem dos Exércitos Vermelhos tomando Berlim, decretando o fim da Segunda Guerra em solo Europeu. Já em 1953, ele investigava e torturava possíveis traidores do Estado Soviético. Após a misteriosa morte do filho de seu companheiro de luta, Alexei (Fares Fares), e a suspeita de que sua esposa, Raisa (Noomi Rapace), era uma traidora, Leo inicia uma investigação não apenas para salvar sua vida, mas para trazer justiça.  Uma missão difícil quando “Não há assassinos no paraíso.”

Você já viu essa imagem ao menos uma vez na vida
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A direção de Daniel Espinosa (Protegendo o Inimigo) não é um primor, já que falha, ao menos, em dois aspectos. O primeiro é quando o assunto são as cenas de ação, característica que não é muito utilizada no thriller, mas que incomoda quando aparece, sobretudo por ser difícil entender o que está acontecendo em tela. O segundo é que o filme, em certos momentos, aparenta estar mal editado, com alguns cortes muito bruscos, e outros, mal encaixados.

Em compensação, é necessário destacar a fotografia de Oliver Wood (Ultimato Bourne), acinzentada e que consegue não apenas transmitir as sensações de desesperança e medo, mas também um ar claustrofóbico, como se, de fato, o Estado Stalinista estivesse presente a todo o momento. Essa sensação de claustrofobia é reforçada pela boa trilha sonora composta por Jon Ekstrand, presente nos momentos cruciais e que me passou a impressão de ser uma espécie de composição musical para um balé macabro.

Crimes Ocultos 5

O roteiro de Richard Price (indicado ao Oscar pelo seu trabalho em A Cor do Dinheiro), baseado na obra escrita por Tom Rob Smith, agrada pelo clima de tensão que dá a obra. A edição do longa, além dos tropeços citados ali em cima, peca um pouco na duração final do longa (são mais de 2h10), mas a espichada não chega a arruinar o ritmo do filme. Construções como a do antagonista do enredo e de Leo, assim como sua relação com sua esposa Raisa, são outro mérito do longa.

Nas atuações, os destaques ficam para a dupla protagonista: Tom Hardy, que faz muito bem o clássico sotaque russo na língua inglesa, estereótipo que, aqui, não me desagrada, e que é possível notar como se entregou ao personagem; e Noomi Rapace não fica devendo, demonstrando uma boa química com Hardy. O elenco de apoio, ainda que não muito explorado, também não decepciona. É o trabalho de Joel Kinnaman (Noite Sem Fim, Robocop) que mais me agrada, e os veteranos Gary Oldman e Vincent Cassel complementam bem.

Crimes Ocultos pode não ser um filme marcante, mas tem êxito em mostrar um outro lado da Rússia pós Guerra, um lado que o cinema comercial no Ocidente raramente tem interesse de mostrar. Para quem sair da sessão de Mad Max: Estrada da Fúria querendo ver mais de Tom Hardy, está aí um bom começo.

Nota: 7/ 10.

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Um comentário sobre “Crimes Ocultos

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