[REVIEW] Poltergeist – O Fênomeno

Por Matheus Araujo

Diferente de outros clássicos dos anos 80, eu pensava que Poltergeist precisava se atualizar. Falei melhor disto neste outro texto aqui, mas, em suma, um filme que tem como sua maior aposta os efeitos especiais tende a envelhecer mal. Pela força do nome, pelo legado, realmente desejei que ressuscitassem essa saudosa experiência.

Assim como em 1982, uma família está de mudança e acaba escolhendo a casa errada. Você já sabe aonde isso vai dar. As crianças, mais sensíveis às paranormalidades que os adultos, experienciam eventos sobrenaturais antes que seus pais se deem conta deles e quem sofre as consequências disso é a caçula.

Poltergeist_trailer

A comparação com o original é inevitável e, felizmente para os mais puristas, não existem diferenças radicais. Há, sim, uma releitura no direcionamento do texto deste novo filme, assumindo um público alvo deveras interessante. A própria censura de 12 anos indica essa alteração. O novo Poltergeist é um terror infantil. Não à toa, maior importância recai sobre o trio mirim, sobretudo no irmão do meio.

Particularmente, não me interesso pela importância dada a esse menino. Talvez por não pertencer ao público alvo – não é mesmo comigo com quem ele deve cativar – mas temo que ele não seja simpático para qualquer dos públicos. Diferente, o pai da família, interpretado por Sam Rockwell, através do humor, possibilitou alguma empatia. Este não é um de seus melhores papéis, mas esse cara ainda é muito bom e que ele finalmente caia nas graças do grande público! Já o restante da família é comparável ao original, isto é, são competentes. Ok, a garotinha do antigo tinha um ar mais sinistro, mas não vejo isso prejudicando tanto, afinal ela é menos central nessa nova roupagem. No restante do elenco se destaca Jared Harris, que tem seu papel de ghostbuster refinado pelo roteiro, mas peca em performar de maneira caricata as peculiaridades de seu personagem.

Poltergeist-2015
Achei esse garoto a cara do Jesse Eisenberg.

Todavia, a grande aposta do longa-metragem permanece no âmbito da equipe de efeitos visuais, que se saem muitíssimo bem e ainda proporcionam um raro 3D surpreendente, até mesmo nas cenas mais escuras. Justamente por se assumir um espetáculo infantil, algo como uma casa dos horrores, que aliado a outro acerto do filme, a adequação de seu ritmo (o novo é 20 minutos mais curto e isso beneficia a experiência), considero os objetivos conquistados com louvor. Se o intuito é a diversão, uns sustinhos e tudo mais, tem que ser ligeiro e tem que ser visual.

Por fim, apenas algumas alfinetadas na direção. Apesar de referências diretas e indiretas as cenas mais icônicas do original existirem, o novo filme é incapaz de sequer almejar tais feitos. Além disso, o filme de 2015 perde na ambientação do terror, no próprio clima, fora a impossibilidade de uma pegada mais explícita, que casa melhor com a tradição do gênero. Justamente por abrir mão de alguns consagrados elementos, é decepcionante que as modificações não sejam mais do que ajustes e atualizações.

Poltergeist pode até não ser o que eu esperava, mas é inegável que obtém sucesso para sua proposta. Descompromissado e divertido, fico contente em dizer que há um filme de terror família!

Nota: 7,5/ 10.

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Um comentário sobre “[REVIEW] Poltergeist – O Fênomeno

  1. Nossa! Eu acho que a única coisa a ser atualizada em Poltergeist eram os efeitos visuais mesmo. Mas não atingiram esse objetivo. Os cadáveres que aparecem no final mais parecem personagens de videogame de zumbi. Sem falar que me pareceu que tentaram economizar de várias formas, cortando cenas clássica do original como a cena da piscina. Em vez de 8 caixões brotando da terra tivemos só um e bem mal feito. Os efeitos especiais do original de 1982 estavam muito bem feitos até para os dias de hoje. Quanto aos personagens, achei os pais pouco preocupados. Griffin parece ser o mais preocupado e Kendra parece estar mais interessada em tietar Carrigan Burke. Não consegui ter empatia nenhuma com os personagens. A emoção, as cenas dramáticas ficaram de fora também. Por essas e outras é que penso o seguinte: só deviam ser refilmados filmes com bom argumento, bom roteiro mas que por algum motivo deixaram a desejar. Seja por serem mal produzidos, seja por ter um elenco ou direção ruim. E esse não é o caso de Poltergeist – O Fenômeno (1982). O filme representa o que acontecia em 1982 e por isso não precisa ser atualizado de forma algum. Poderiam ter feito um remake quadro a quadro ou então um Poltergeist IV que eu acho que funcionaria melhor…

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