[FORA DE SÉRIE] A Insignificância Humana, o Guia e a Poesia Vogon

Dont panic

Por Luiza Fonte Boa

Bem, se você é uma dessas pessoas que, ao contrário do que esta frase em letras gritadas diz, sempre entra em pânico, esta é uma obra para você. O Guia do Mochileiro das Galáxias (1979), do brilhantíssimo autor Douglas Adams, é a primeira obra de uma trilogia de cinco livros lançados entre 1979 e 1992.

O tema curioso de que esta obra trata são as aventuras de Arthur Dent pelo espaço depois que sua tão adorável Terra foi destruída para que uma via expressa hiperespacial passasse por onde, um dia, havia uma linda bolinha de poeira azul. Acompanhado de seu amigo alienígena e mochileiro, Ford, o mais britânico dos humanos acaba encontrando a singular Coração de Ouro, Marvin (um amor de robô) e tudo mais.

Ok, caso você não esteja se debatendo em posição fetal pela excentricidade mental de Douglas Adams, exploraremos alguns pontos essenciais deste universo: a insignificância humana e suas construções sociais; o Guia; e a linda poesia Vogon. Claro que esta obra não se resume de forma alguma a isso, mas estes aspectos são fundamentais.

Enquadrada como uma sátira de ficção científica inglesa, doravante H2G2 (do inglês The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy), possui um dos narradores mais irônicos que já li. Sua ironia é tanta que chega a escorrer pelas páginas e sujar a mão dos leitores mais distraídos.

É partindo desta ironia que Adams personifica em Dent seu desprezo pela raça humana e sua insignificância perante a magnitude do universo. Primeiramente, através dá já comentada demolição da Terra. Em segundo lugar, submetendo Arthur a inúmeras enrascadas enquanto viaja com Ford pelos confins da galáxia, sem ao menos entender a real necessidade de uma toalha e sem conhecer o número 42 – se você se identificou com Dent pela falta das duas últimas informações, o Guia sugere que você busque esta obra o mais rápido possível, antes que os golfinhos tirem proveito de sua ingenuidade.

42

Esta insignificância humana parece ainda mais pontual quando esta raça tão pequena se julga suficientemente importante para estabelecer como parâmetro de suas vidas – e dos demais seres do universo – construções sociais tão frágeis. É algo como: “É claro que os Vogons vieram destruir a Terra na hora do almoço…” Como se, de alguma forma, os Vogons sequer tivessem parado para pensar que em algum lugar da Terra era meio-dia e algumas pessoas estavam almoçando. O hábito humano de usar seus paradigmas, subjetivos e relativos, como padrões universais confirmam a Adams a supremacia dos ratos.

O Guia do Mochileiro das Galáxias, por sua vez, é o principal recurso que Douglas Adams utiliza para espalhar seu habitual desdém por estes seres tão pretensiosos e absurdos. O Guia é um manual para mochileiros galácticos (viajantes vagabundos do espaço), que visa auxiliar estes transeuntes em suas peripécias. Trata-se de um livro onde qualquer um pode escrever qualquer coisa sobre qualquer assunto (Douglas Adams profetizando a Internet…). Todavia, como uma mão amiga, este Guia nos estende sua grande sabedoria já em sua capa: NÃO ENTRE EM PÂNICO, e é esta frase que nos leva através da narrativa sem que o desespero absoluto recaia sobre nós e nossa pequenitude.

E não, não me esqueci da linda poesia Vogon. Porém, sugiro que leia esta obra-prima de Douglas Adams antes que você ouça mais sobre a dádiva concedida a esse povo. Do contrário, receio que será muito tarde para seu cérebro, suas capacidades motoras e cognitivas. Então, siga os passos: curta e compartilhe esta resenha, leia H2G2, tenha um Feliz dia da Toalha e, sempre que puder, evite se maravilhar com a poesia Vogon.

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