[REVIEW] Terremoto: A Falha de San Andreas

“Um terremoto para o seu entretenimento”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

A temática da destruição em massa, dos desastres naturais, e como eles afetam a vida dos humanos, sempre foi um gênero que me atraiu. Talvez por ter crescido com alguns “clássicos” da Temperatura Máxima, como Volcano, O Dia Depois de Amanhã e Impacto Profundo. Não era apenas legal ver toda a destruição, mas a dinâmica criada pelos personagens, ante à situação adversa.

Terremoto: A Falha de San Andreas é mais um filme desse gênero. Infelizmente, ele é um desastre quase completo. A Falha de San Andreas, na Califórnia, desloca-se e causa um terremoto de magnitude incomparável. Durante todo o desastre, o veterano socorrista e bombeiro Ray (Dawyne ”The Rock” Johnson) tem que lutar contra o tempo e os mais diversos obstáculos para salvar sua ex-mulher, Emma (Carla Gugino), e sua filha Blake (Alexandra Daddario).

San Andreas 4

Dos vários elementos que transformam esse filme em um desastre (no pior sentido da palavra), a direção de Brad Peyton é, sem dúvidas, a mais destacável delas. Mas quando se vê que ele é o diretor de Como Cães e Gatos 2, as coisas passam a fazer mais sentido. Em um filme dessa magnitude, de quase 2 horas de duração, devem haver 3 ou 4 takes interessantes, no máximo! No resto, uma destruição descontrolada e sem sentido.

Uma comparação é inevitável: podem criticar o Roland Emmerich o quanto quiser mas, pelo menos, o diretor alemão SABE como causar uma destruição em massa e de forma visualmente interessante. Tsunamis impossíveis cobrem o Himalaia em 2012, tudo bem, mas o próprio filme da suposta profecia maia tem cenas de destruição urbanas bem feitas, bem executadas. A destruição de Terremoto almeja ser grandiosa, mas é vazia. Arranhas céus caem a todo o momento, asfaltos se desfazem, mas nada daquilo parece real, não causam impacto. A natureza artificial dos efeitos fica inquietantemente em evidência, e é como se apenas passássemos os olhos por um mar de imagens sem sentidos. Imagens que o 3D também não tenta, nem um pouco, transformá-las em algo mais interessante. Outra comparação: No Olho do Tornado é um filme muito menos audacioso nesse sentido, mas justamente pelo seu estilo de filmar com câmera na mão, ele obtém mais êxito em causar essa imersão no espectador.

San Andreas 3

E essa destruição toda se torna ainda mais desinteressante por causa do fraquíssimo roteiro escrito por Carlton Cuse. Todos os clichês desse tipo de filme estão lá: os pais separados que, dada à situação, deixam quaisquer diferenças de lado para salvar a filha; esta, que sempre se encontra em outra localidade, muito mais ameaçada; o encontro da filha com um potencial interesse amoroso, JUSTAMENTE nessa situação; o professor ou especialista, que vai explicando todas as causas dos desastres e prevê coisas ainda piores. Esses e outros clichês, necessariamente, não são algo ruim, mas é decepcionante perceber que o texto pouco procura deixar os personagens mais cativantes, com uma história que seja possível nos cativas.

O filme peca tanto nesse quesito, que ele consegue algo que é bem difícil: mostrar um Dawyne “The Rock” Johnson muito pouco carismático. Gosto do ator em trabalhos como o de Velozes e Furiosos, G.I Joe e até mesmo no Hércules. A falta de um talento mais refinado é compensada pelo esforço e por um trabalho honesto. Contudo, sua simpatia não é aproveitada aqui. A química dele com Carla Gugino não funciona, e também não há nada de relevante nos trabalhos da bela Alexandra Daddario ou do experiente Paul Giamatti. Coroando tudo isso, a trilha genérica do longa, que também não ajuda em nada em deixá-lo melhor.

San Andreas 2

Se há algo que o filme não conseguiu abalar (ok, foi inevitável), foi o meu gosto pelo gênero. Mas Terremoto: A Falha de San Andreas é o mais esquecível dessa temática. Espero que eu possa esquecer, também, a falha que o longa causa na imagem que eu tenho do The Rock (sim, essa também foi intencional).

 

Nota: 3/ 10.

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