[REVIEW] The Last: Naruto

Por Matheus Araujo

Eu não seria capaz de fazer uma análise justa de Naruto sem considerações. Por mais que tenha me conquistado ainda na infância, e dessa forma ser demasiadamente querido, abandonei essa história há alguns anos no meio da Quarta Guerra Mundial Ninja. Exatamente! Mesmo desconhecendo o fim do mangá, resolvi assistir ao “último” filme.  Curiosamente, desconfio que justo por isso o familiar sentimento de que valeu a pena.

Antes dessa análise pouco ortodoxa, bastante pessoal, a breve sinopse. A trama de The Last, suspeito, serve para fechar uma ponta solta da história: Naruto e Hinata. Aparentemente, os dois não se resolvem na baderna final e, para tanto, o mundo precisa ficar em perigo mais uma vez para que o herói ninja olhe para a mocinha que sempre o estimou tanto. E, já falando mal, a razão do novo fim do mundo me soa não como um complemento de mitologia, como é “vendido”, mas um simples acúmulo nela. Novamente a Lua, irmãos, grandes ninjas do passado e habilidades oculares (dojutsu) são os causadores da ameaça. Antes de voltar a divagar sobre minha relação com Naruto, deixo a reflexão: Quantas vezes se é possível contar a mesma história?

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Não vou dizer que ele aprendeu a se vestir com o tempo, mas só de deixar o uniforme de gari…

Por mais que tenha uma boa noção desse mundo ninja, algumas situações são um tanto obscuras para mim nesse novo filme, mas, como disse, foram esses caminhos diferentes a melhor parte dessa experiência. Olhar para um Naruto sem a determinação por reconhecimento, longe daquele tristonho balancinho, com uma mão misteriosamente enfaixada (suspeito que seja consequência da última batalha contra o Sasuke) e, sobretudo, não sendo o Hokage, me surpreendeu absurdamente! Não ter essas respostas foi extremamente divertido, afinal um dos motivos pelos quais abandonei Naruto foi a monstruosa quantidade de explicações esfarrapadas. Mas, enfim, e The Last?

A direção da animação é regular. A velocidade do filme é um tanto arrastada e – entendo que a proposta não é a resolução da missão ninja, mas do caso amoroso, todavia, acredito que alguns atalhos poderiam ser tomados – provocativamente é até possível dizer que existem minutos de filler em The Last! Embora esse lado “negativo”, o segmento do genjutsu, por exemplo, é ótimo e permite a utilização dos recorrentes flashbacks. A diferença é sua aplicação eficiente e a ausência da sensação de enrolação.

Engraçado é que relacionado à repetição, existem também no roteiro elementos curiosos. O “gorro” e o “soco” emocionam claramente em decorrência da repetição. O restante do roteiro mantém o bom nível, no entanto existem algumas coisas, como os exageros mencionados na sinopse ou simplicidade com que o amor é tratado, que ainda me incomodam.

O design do vilão, com ou sem olhos, é ótimo.

Outros elogios ao longa-metragem cabem ao seu visual que sintetiza algumas melhores características de Naruto. Particularmente, sempre adorei a paleta de cores que utilizam para o por do sol. Além disso, a batalha final é maneira, apesar de pouco inventiva (que era um ponto forte das lutas de toda a série), e a trilha sonora desses momentos continua excelente.

Por fim, se The Last, é de fato o fechamento, com algumas oscilações, o considero bem bonito. Muitas vezes Naruto não soube construir um drama por pieguice e, felizmente, esta não é uma delas. Em suma, com uma nostalgia não cega o suficiente para ignorar os desgostos, reencontrar Naruto valeu a pena. The Last foi feito para mexer com as emoções e, talvez, não da forma pretendida, me acertou em cheio.

Nota: 7,0/ 10.

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