[REVIEW] O Gigante de Ferro

Por Matheus Araujo

Existem dois bons motivos para falarmos desse filme:

-Primeiro: Logo mais estreia Tomorrowland, o novo filme de Brad Bird, que iniciou seus trabalhos com O Gigante de Ferro.

-Segundo e mais importante: sinto que as animações da Disney entre O Rei Leão e Frozen são menosprezadas por grande parte do público e crítica, principalmente, graças ao posto de destaque merecidamente ocupado pela Pixar nesse período. Todavia, como vários desses filmes fazem parte do meu crescimento e, sobretudo, possuem uma qualidade primorosa, me encontro na obrigação de defendê-los e elevá-los aos seus devidos lugares – ao menos por aqui. Ao longo dos próximos meses, alguns representantes mais queridos desses tempos têm presença certa no Filmaiada e o primeiro deles está logo abaixo.

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O Gigante de Ferro.

O Gigante de Ferro é um saudoso longa-metragem de 1999, mas que se passa em 1957, quando um gigantesco ser de metal cai numa cidadezinha litorânea dos Estados Unidos e lá se encontra com Hogarth Huges, um garoto de espírito aventureiro que desejava ter um amigo. Sem mais tardar, essa amizade florescesse, embora seja ameaçada pela indiscrição do robô, do qual desconfio possuir engrenagens de um metal feito para atrair confusão.

Sobre o desenrolar dessa história, é preciso ressaltar a qualidade do roteiro por si só. O texto apresenta com precisão e suavidade todos seus recursos, de forma que nenhum deles está apenas cumprindo um papel, sendo estritamente funcional. Em outras palavras, o roteiro é muito bom mesmo! Divertido, conciso e inocente ao ponto de não se preocupar em dar todas as explicações ou respostas completas. Não mais que o suficiente para satisfazer a criança que o assiste entretida.

Brad Bird.

Um dos fortes das animações do prezado quantum é o visual. Todas elas possuem o traço que as identifica “Disney”, mas também possuem sua personalidade. O visual de Hércules é pura arte clássica, enquanto o de Mulan alcança um resultado lindíssimo simplificando seus traços aos desenhos chineses e Lilo & Stitch simplesmente tem a cara do Havaí. Este também é o espírito d’O Gigante de Ferro. A estética do filme é encantadora e capta o interior entre-guerras perfeito para as mais mirabolantes conspirações acerca da corrida espacial.

Outro grande trunfo para a composição visual do filme é o design do gigante. Ele é simples, bem “limpo”, lembrando clássicos robôs do cinema. Todavia, essa simplicidade não o impede de se expressar e confere a ele a aparência necessária, seja ela simpática ou ameaçadora. Ademais, o fato de o gigante ser gerado por uma técnica de animação diferente dos demais personagens, o proporciona um aspecto que contribui para essa sua excepcionalidade. Quanto a estes outros personagens, todos são bem caracterizados e colaboram para a vivência de uma ambientação fantástica. Aliás, existe um brilhante ponto de união entre a ambientação e a composição de um personagem.

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Claro, que parte significativa deste mérito é devido ao trabalho dos atores (sim, todo dublador profissional é ator), que eleva o carisma de cada um deles e nos aproxima da história contada por Bird.

Como ressaltado vezes e vezes, a história aproveita-se brilhantemente de seu contexto no holocausto atômico, criando um divertido enredo repleto de elementos típicos da época. O resultado final critica duramente a paranoia da Guerra Fria, sobretudo, na forma do vilão pouco convencional. Kent Mansley não é simplesmente um praticante das maldades universais, ele é um investigador do exército, que sintetiza bem em seu caráter fanático, ufanista, pavio curto, determinado, obcecado pela competição, que realça um medo de estar perdendo, um medo do desconhecido, e, claro, bastante babaca. E dessa crítica tem-se uma clara mensagem antiviolência, contra a ignorância da força bruta, que evidencia a referência de um dos alienígenas explorados por Bird, emanando super-bondade e emocionando em um lindo desfecho.

Outro alienígena referenciado é tão escancarado quanto. Já em primeira instância salta aos olhos a clara inspiração de Bird no E.T. de Steven Spielberg, em especial, no tom e no desenvolvimento da amizade. Logo de início, ambos apresentam o contato com um ser extraordinário; interagem uma criança com ele e comunicam seus personagens de uma maneira semelhante; além trabalharem a necessidade do segredo para que essa amizade sobreviva. Disso, tiram todo desenrolar e a comicidade que transita pela obra. O filme de Bird só diverge no fato de O Gigante de Ferro ser condensado em apenas uma criança, escolha que lhe rende um filme extremamente ligeiro de 1h20, enquanto o clássico dos anos 80 divide a atenção e é mais extenso. E, particularmente, estou com Bird nessa decisão. Na verdade, entre os dois trabalhos, eu só fico com Spielberg em um quesito: a magia de John Williams.

Ainda comparando obras, observo que parte da beleza desta é ela estar embarcada do que veio antes. Bird assumiu, basicamente, a difícil tarefa de um novo E.T., e sem vergonha disso – o que já está a anos-luz de um remake qualquer – ele traduz um sentimento a um novo público, e com uma roupagem, me atrevo a dizer, mais atraente. E eu, criança público-alvo daquela época, pensar assim, comprova uma perfeita equivalência ao clássico de Spielberg. Felizmente, é O Gigante de Ferro que me emociona com amizades impossíveis.

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Bons tempos.

 

Nota: 9,0/ 10.

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