Tomorrowland: O Lugar onde Nada é Impossível

“Futuro otimista tem potencial desperdiçado por roteiro mediano”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

Uma das passagens de Tomorrowland é a clássica fábula dos dois lobos: o velho índio apache conta para seu neto que existem dois lobos dentro de nós. Um é mau e representa a raiva, inveja, ciúme e outras qualidades ruins; o outro é bom e representa a alegria, paz, amor, serenidade e outras boas características.  Quando o neto pergunta qual dos dois lobos será o vencedor, o avô responde “Aquele que você alimenta”.

Casey (Britt Robertson) é uma jovem menina inteligente, que tenta, a todo custo, boicotar a desconstrução de uma base da NASA, e assim, salvar o emprego do pai, engenheiro da entidade. Devido a esse enorme talento, ela acaba sendo “presenteada” com um pin por Athena (Raffey Cassidy), uma recrutadora que procura sonhadores espalhados pelo mundo todo. O pin, que a leva para o fantástico mundo de Tomorrowland, é o mote que faz com que sua vida cruze com a de Frank (George Clooney) e ambos tenham que salvar o presente e o futuro do planeta.

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Para minha surpresa, a fábula dos lobos não apenas é um dos elementos do filme, mas serve de metáfora para ele. A obra é produzida por Brad Bird e Damon Lindelof, com o primeiro ficando responsável pela direção, enquanto o segundo fica a cargo do roteiro. Quando o filme decide alimentar Bird, responsável por Os Incríveis e Missão Impossível: Protocolo Fantasma, temos coisas boas. O diretor possui uma movimentação fluída e certeira com as câmeras; mostra habilidade quando se aventura por um plano sequência; e sabe nos mostrar visuais fantásticos da arquitetura futurística de Tomorrowland. Isso tudo sem a presença do 3D, o que deixa a obra bem mais limpa, e não compromete a fotografia do longa.

O problema é quando o filme alimenta Lindelof. Não que o trabalho do roteirista responsável por Lost e The Leftovers seja inteiramente de se jogar fora. Há acertos, como as apresentações de vários itens fantásticos desse futuro; a sacada de pôr gênios do passado como os responsáveis por criar esse mundo de Tomorrowland; e, principalmente, a mensagem principal do filme, que procura inspirar todos que conferem a obra. Mas esses bons ingredientes são diluídos em vários tropeços do longa.

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Tudo bem, não é necessário fazer o filme todo explicadinho, mas vários aspectos são apresentados de forma superficial ou apenas jogados em tela, e a falta de explicação prejudica uma melhor imersão no filme. A motivação do vilão, Governador Nix (Hugh Lorie), também é abordado de forma superficial, e o trabalho com o personagem, de uma maneira geral, fica a desejar, impactando e muito no trabalho do ator. Aspecto que, aliás, se repete com os protagonistas da obra. A primeira metade do filme foca de modo excessivo na construção dos personagens de Casey e Frank, mas mesmo assim, o trabalho não é de todo bem feito, e desperdiça um potencial maior de explorar outros aspectos dos personagens, assim como o talento de seus respectivos atores. O filme também peca ao criar vários momentos arrastados, principalmente por possuir 2h10 de duração.

Mas o que mais irrita nesse aspecto nem é o final meia boca, que quebra a curva ascendente que o filme deveria ter, mas o fato que Tomorrowland não é devidamente explorada! Poxa, é até compreensível deixar um clima de mistério, um gostinho de quero mais na boca, mas utilize o cenário em prol da narrativa. Use ele para nos fascinar, para que crie em nós o desejo de ir para aquele mundo, ou pensar em como podemos construir ele.

Se pudéssemos ter mais DISTO!
Se pudéssemos ter mais DISTO!

A química do trio principal, composta por George Clooney, Britt Robertson e Raffey Cassidy, até funciona, mas de maneira estranha. Novamente, fica a impressão que o potencial de trabalho é desperdiçado, principalmente do veterano ator.. Mas os problemas com as atuações são culpa muito mais do roteiro do que dos atores em si. Alheio a esses problemas, a boa trilha de Michael Giacchino, que já havia trabalhado com Bird em Os Incríveis e Lindelof em Lost, é um dos fatores positivos da obra.

Por fim, o resultado de Tomorrowland deixa um gosto um tanto amargo na boca. O longa, um dos mais aguardados deste “Verão” aqui no site, poderia ir bem mais longe, mas desperdiça uma preciosa chance. Mas que possamos sair do cinema aproveitando a mensagem principal que o filme se esforça tanto para nos transmitir e, assim, começarmos a almejar um futuro melhor.

Nota: 6,5/ 10.

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3 comentários sobre “Tomorrowland: O Lugar onde Nada é Impossível

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