[REVIEW] Jurassic World

 

“Após quarto filme da franquia, parque dos dinossauros pode, finalmente, fechar as portas.”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Faço parte do grupo de pessoas que não cresceu tendo algum tipo de afeto por Jurassic Park. Como expliquei nesse texto aqui, só fui conferir o primeiro filme em 2013, quando o longa foi relançado em 3D, em comemoração ao seu vigésimo aniversário. Mesmo ficando encantado com o resultado, e entendo o porque do primeiro filme ser algo tão louvado e querido, não era (e é) a mesma coisa para quem gosta do filme desde pequeno. E é justamente esse distanciamento, essa falta de nostalgia, que não me fez empolgar por Jurassic World.

Convenhamos: havia, DE FATO, a necessidade de o filme existir? Após a queda de qualidade nas duas sequências que o filme teve, não era necessário voltar ao cinema. Tudo estava devidamente concluído. Mas em um ano em que antigas franquias, como Mad Max e Star Wars, voltam ao cinema, por que não trazer a marca Jurassic Park junto?

OK, confesso que seria até maneiro ir a um parque para ver isso
OK, confesso que seria até maneiro ir a um parque para ver isso

No novo filme, o sonho de John Hammond é realizado, e o Parque dos Dinossauros é finalmente aberto. Sucesso de público, que se acostumou com a ideia dos dinossauros voltarem a viver, o parque, comprado pelo bilionário Simon Masrani (Irrfan Khan), procura sempre investir em novas atrações, e aposta agora em híbridos criados em laboratório. Obviamente, essa se revela a pior das ideias, e quando uma nova espécie se liberta do seu cativeiro, resta ao adestrador de velociraptors (!!!) Owen (Chris Pratt) tentar salvar a vida de Claire (Bryce Dallas Howard) e seus sobrinhos, Gray (Ty Simpskins) e Zach (Nick Robinson)… Além de, claro, todo o lugar.

Mesmo sem uma relação profunda com a franquia, foi bacana perceber que o diretor, Colin Trevorrow (que também é um dos quatro roteiristas do longa), fez algumas referências visuais ao primeiro filme (sem querer exagerar também, não tendo a audácia, felizmente, de reproduzir a cena com o copo d’água). Há algumas outras sacadas autorais interessantes, e o trabalho do diretor, em seu segundo longa metragem, satisfaz a proposta. Nada que se iguale ao toque especial de Spielberg, mas um trabalho aprovado.

Jurassic World

O principal problema de Jurassic World está em seu roteiro. Ele até parte de uma premissa válida, que é a de como seria caso o parque realmente fosse aberto, e isso garante, ao menos, um plano de fundo diferente. A “polêmica” envolvendo o fato de Pratt domar os velociraptors é até algo interessante, o que não chega a ofender a “mitologia” do primeiro filme, como eu esperava.

Contudo, o quesito falha miseravelmente ao tentar criar empatia com seus personagens, o que é um dos pontos altos do primeiro filme. Os irmãos não são nem um pouco tão legais (ou toleráveis) quanto os do primeiro filme, e ainda deixam no ar uma estranha e bizarra situação de divórcio dos pais, que não acrescenta nada a obra; a relação entre Claire e Owen também vai e volta  de forma visivelmente artificial; a química entre os quatro não funciona e, assim como no primeiro filme, você não acredita que eles estejam, de fato, correndo algum perigo, já que aqui é Jurassic Park e não Game of Thrones; Essa “imunidade” dos protagonistas confere ao roteiro um caráter previsível, e assim que o problema aparece, você tem quase certeza de como ele será resolvido.

A combinação funcionou melhor do que eu esperava
A combinação funcionou melhor do que eu esperava

O mau trabalho no roteiro acaba influenciando, muito negativamente, o trabalho dos atores. Não há ninguém que ultrapasse o mediano, isso sendo generoso. Chris Pratt até se esforça, ao se demonstrar o personagem mais sensato da obra, mas passa longe de ser algo do nível de Guardiões da Galáxia. Vincent D’Onofrio, que voltou com tudo esse ano em Demolidor, também passa batido como um “vilão” do filme. Uma pena.

Os efeitos especiais são ótimos, e o 3D, para minha surpresa, não atrapalha a boa fotografia do filme nem mesmo nas cenas noturnas, e é até bem aproveitado em alguns momentos. Apesar disso, os efeitos de 2015 servem para engrandecer o que foi feito em 93, quando o impacto do visual foi consideravelmente maior. A trilha do experiente Michael Giacchino (Tomorrowland: O Lugar onde Nada é Impossível) utiliza o tema clássico de John Williams nos momentos certos, contudo, no restante, talvez seja seu trabalho recente menos destacável.

JW 5

Apesar de estar longe do original, Jurassic World é tranquilamente o segundo melhor filme da franquia. E apesar dos tropeços, se revela uma ótima oportunidade para revelar a uma nova geração esse fascínio pelos dinossauros. Porém, mesmo com o sucesso que o filme certamente terá, fica o conselho: não precisamos voltar ao parque mais uma vez. Que agora, ele permaneça fechado.

Nota: 6/ 10.

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