[REVIEW] Game of Thrones – 5ª Temporada

Por Matheus Araujo

Prólogo

A fim de evitar confusões ou criar falsas expectativas, alerto que este é um texto que analisa o seriado Game of Thrones como obra em si, distinguindo adaptação de transposição. Afinal, como discutimos meses atrás neste outro texto, nesta quinta temporada maior é a liberdade criativa da HBO, que jamais (!) deverá ter seu trabalho desrespeitosamente confundido por uma fanfic, como brincaram os “fãs do livro” internet a fora. Ademais, obviamente as palavras abaixo estão consideravelmente repletas de revelações da trama.

Cersei

A personagem certamente não era das mais queridas nas temporadas anteriores e, com as grandes baixas no núcleo de Porto Real para esta temporada, temo que pouca coisa tenha ficado a seu favor. A princípio, pouco envolvimento ou interesse desperta ao espectador o novo sofrimento e a contínua deterioração da Rainha Mãe ou da Rainha Viúva. Deficiência composta parte por Lena Headey, que não consegue convencer (por favor, não confundam esta crítica com o fato de que a atriz utilizou dublê de corpo para sua cena derradeira. Ela tem todo direito de se preservar!), parte pelo texto inerte. Com o avançar dos episódios e a introdução dos pardais, o quadro muda.

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O Alto Pardal interpretado por Jonathan Price, mais conhecido do grande público por seu papel na franquia Piratas do Caribe, se mostra um grande adendo e proporciona, como pode, uma sobrevida a Porto Real. Tanto sua atraente imagem comuna, quanto a fervorosa militância confrontando a hipocrisia da alta sociedade renderam deleitosos momentos à série.

Jaime

Jaz há duas temporadas um Jaime Lannister interessante. Pouco presente, de relevância nula, seu núcleo somente se vale pela presença sempre carismática de Bronn, e pelos belos e novos cenários de Dorne. No mais, a missão do maneta incestuoso apenas faz sentido para removê-lo de Porto Real e depreciar um pouco mais o personagem. Para ser justo, Doran é bem apresentado, todavia a vingança pelo mais querido personagem da última temporada não foi excitante da forma como os produtores esperavam.

Sansa

A trágica saga de Sansa não possui fim. Felizmente, a garota volta a apresentar alguma evolução como personagem. O plote não é desastroso como o anterior, mas chega a ser no mínimo esquisito o tão bem informado Mindinho deixar uma de suas mais valiosas conquistas na mão do Joffrey 2.0.  Enfim, pouco empolgante. De mais proveitoso daqui, tirei  a excepcional vista de Fosso Cailin no caminho para Winterfell.

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E aproveito para comentar, por comodidade mesmo, a participação escassa e decepcionante de Brienne de Tarth. Desnecessariamente violenta para alguém que defende até o Regicida, a personagem rendeu bons momentos no combate e proporcionou a sua intérprete demonstrar, em diálogo com o sempre simpático Pod, algumas de suas qualidades dramáticas.

Stannis

O remanescente Baratheon finalmente recebeu o destaque de um rei e soube aproveitá-lo para se impor como poucos personagens nesta temporada. Até certo ponto, tenho certeza que vários tenham ponderado sobre seu ossudo traseiro no Trono de Ferro. Além dele, com maior destaque também puderam melhor cativar Sheeren, uma das melhores atrizes mirins que já vi, e o querido Capitão das Cebolas. Em relação a temporadas anteriores, o salto é gigantesco.

Jon

A crescente do atual Lorde Comandante (por sinal, ótima eleição) continua. O protagonista e tudo a sua volta nunca foram melhores representados. Momentos diversos são memoráveis: desde a adequação a suposta importância de Mance Rayder, passando por uma grande execução sumária, até o melhor segmento de batalha de toda a série. Uma menção honrosa também deve ser concedida a participação mais emocional do inesquecível Mestre Aemon. O melhor núcleo da temporada. Nada, senão elogios.

Hardhome

Ah! Já ia esquecendo… Aos desesperados, não temam! A Sacerdotisa Vermelha ronda a Muralha. E, antes que alguém reclame, eu jamais cheguei perto de ler mais que dois livros, então, se isso for um spoiler, não é intencional!

Arya

A jornada de Arya é pontuada por ótimos elementos e a quinta temporada, com o retorno e ampliação do, talvez, melhor deles, não é diferente. Além disso, a evolução de Maisie Williams, a possibilidade de sempre contemplarmos a belíssima Bravos ou aquela espécie de homenagem ao RPG fazem desse um dos mais prazerosos núcleos da série.

Tyrion

Muito se perdeu por culpa de Tyrion, mas entre ele e o restante… É incrível a habilidade de Peter Dinklage com sua arma mais afiada, o humor. Mesmo sem texto, tendo seus momentos reduzidos a lembrar à audiência de sua existência, o ator sempre agrada. Certamente, esta não é a melhor de suas temporadas (provavelmente sua melhor participação este ano foi nesta cantoria AQUI), mas a sua constância, formando uma boa dupla até com Sor Jorah Mormont, deve ser valorizada. No mais, novamente enalteço o trabalho da equipe de arte: Valíria remete brilhantemente a ruína de dias mais gloriosos, em uma referência direta, arrisco, à Antiga Roma (aliás, uma de VÁRIAS referências aos romanos dessa temporada).

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Daenerys

Infelizmente a trama em Mereen não aproveita seu potencial ou justifica seus investimentos monetários. Notavelmente, no núcleo mais rico do seriado, Daenerys se mostra uma personagem indigna de sua bela jornada, não apresentando sua suposta força feminina e se submetendo constantemente aos personagens secundários que a acompanham, incluindo os digitais. No entanto, os mais graves erros desta parte não são propriamente seus. Além da contornada de problemas extra-audiovisuais com Sor Barristan, no nono episódio, ao entregar uma cena esperada há muito, acaba-se por anestesiar um momento dramático de Stannis – o que, particularmente, considero desastroso. Todavia, a proposta em lidar com as consequências da “carta de alforria” e os digníssimos efeitos especiais são suficientemente interessantes para suportar todas as críticas.

Epílogo

A quinta temporada de Game of Thrones é a mais irregular das cinco. Vagarosa em seu desenrolar, porém correta na ascendência de sua curva dramática, a série justifica sua posição como uma das mais relevantes dos últimos anos. Assim, em vista de tudo que já conquistou, esta alta nota a seguir ainda é amarga.

Nota: 8/ 10.

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