Meu Malvado Favorito 2

“Segunda aventura de Gru e seus ajudantes é diversão na certa”

Por Luís Gustavo Fonseca

A meu ver, existem duas formas de se fazer animação hoje em dia: aquelas que querem mais encantar, com um subtexto mais aprofundado, como WALL-E  e outras animações da Pixar (como o recente Divertida Mente); e outras são produzidas com o intuito maior de divertir, como Operação Big Hero e Uma Aventura LEGO. Não que essas animações encantadoras não divirtam (muito pelo contrário), mas vislumbro claramente uma linha que separa as animações feitas visando ganhar um Oscar, e outras que são feitas para a família ir ao cinema num final de semana e se divertir bastante.

Meu Malvado Favorito se encontra no segundo grupo. E em matéria de diversão, é uma excelente pedida. Peço um ou dois parágrafos para falar, brevemente, sobre o primeiro filme. Um dos trunfos do filme são as pequenas sutilezas existentes, que colaboram na hora de construir a imagem dos personagens, ou terem efeitos cômicos, tais como: o jardim de Gru é seco e morto, em contraste com a viva dos vizinhas,; em uma cena, os minions estacionam na vaga de deficientes; os meios de transporte utilizado por Gru são de extrema poluição, caracterizando-o também como um vilão contra o meio ambiente; até uma referência a uma cena clássica de O Poderoso Chefão tem no filme! Aliás, a cena de apresentação de Gru é muito boa, mostrando que o cara é “mau”.

Despicable me 4

Claro, o filme é até bem previsível. Claro que você sabe que o Gru ficará do bem, que no final ele fica com as garotas, o Vector por si só não é lá um grande vilão, mas… Numa trama que o cara que roubar A LUA, que exigência do roteiro dá para pedir? Ignore alguns absurdos, e se divirta com as cenas, já que o longa tem vários momentos divertidos, me lembrando clássicos sketchs de humor, a lá Coyote e Papa-Léguas e Pernalonga. História bonita, a empresa com a luminária saltitante sabe como fazer. Aqui, o foco da Illumination Entertainment é arrancar os sorrisos da plateia.

Na segunda aventura, temos Gru como um pai de família, abandonando a vida de criminoso e iniciando um “negócio de geleias e gelatinas”, enquanto cuida de Margo, Edith e Agnes. Enquanto isso, um vilão misterioso prepara um novo plano maléfico, e por isso, Gru acaba sendo convocado por Lucy pela AVL (Liga Anti-Vilões) para deter este novo perigo. Tem-se, aí, o início de uma divertida jornada, envolvendo espionagem, relacionamentos e novas loucuras.

Despicable me 3

O primeiro acerto do filme vai para o trailer. Em 5 minutos, você já vê 80% do trailer na tela, permitindo mais 1h30 de puro descobrimento. Para quem gosta “não saber do filme”, foi uma tacada em cheio. As referências culturais passam por Alien, a reconstrução da icônica foto Lunch atop a skyscraper, até Carmen Miranda. O roteiro, novamente, mesmo que não seja algo magnífico, sabe como entreter sua audiência, e até cria momentos mais tocantes, protagonizado pela Agnes. As meninas, um pouco coadjuvantes no primeiro longa, estão até melhores aqui. Outros novos personagens também ajudam na dinâmica da obra, como Lucy ou Eduardo. Destaco, do roteiro, um pedido que o Gru faz para a Agnes, para que “ela não cresça nunca”, algo que pode ser interpretado, de forma metafórica, como um pedido para que as crianças não cresçam, para que elas não troquem os desenhos por qualquer outra coisa nunca, ou no mínimo, não tão de pressa, pois é da inocência das crianças que o filme tira seu melhor.

Contudo, quem rouba a cena são os minions. As criaturinhas foram uma das ideias mais sensacionais da história do universo das animações. Até antes o lançamento do novo filme, eu não tinha reparado como eles eram tão queridos. Revendo o primeiro filme, você encontra o motivo para tanto amor: eles são a alma do filme, o fator FUN no seu estado mais puro. E no segundo longa, eles estão ainda mais imperdíveis! É impossível você não rir em nenhuma das cenas que têm eles. O problema, para mim, é que o filme acaba sofrendo certa dependência, usando-os de muleta. Fica a dúvida de como funcionará a dinâmica de um filme só deles.

Todo charme das criaturas amarelas!
Todo charme das criaturas amarelas!

Visualmente, o filme se sai bem. Talvez não tenha o capricho de uma DW ou Pixar, mas olhando pela ótica da diversão, se enquadra bem, já que o traço um tanto cartunesco do Gru cai como uma luva para a proposta da obra. A trilha sonora, comandada novamente por Pharrell Williams, está ótima, e por ter essa pegada de espiões, lembra, em certos momentos, a trilha de Os Incríveis, o que não é um elogio de se jogar fora. Sobre a dublagem, trabalho feito de forma satisfatória. O trabalho de Leandro Hassum e a Maria Clara Gueiros encaixou com o espírito do filme.

Existem alguns enquadramentos de câmera, sequências de cenas, que impressionam pela excelência, sobretudo o momento em que a câmera fica em primeira pessoa. Parabéns aos diretores Pierre Coffin e Chris Renaud, a mesma dupla do primeiro. O 3D merece aplausos à parte. Está entre os melhores 3D que já vi, o melhor em uma animação, em um gênero que julgo desperdiçar muito as oportunidades da tecnologia.

O seu desejo de morrer nunca será tão insano como a de El Macho
O seu desejo de morrer nunca será tão insano como a de El Macho

Com isto em mente, as expectativas para o filme solo dos minions é das mais animadoras. Mesmo temendo que a franquia possa cair num mais do mesmo indesejado, a produção já mostrou que é capaz de divertir seu público. E a partir de quinta feira, diversão e risadas são o que não vai faltar nos cinemas.

 

Nota: 8/ 10.

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