O Exterminador do Futuro

Por Luís Gustavo Fonseca

Há 31 anos, o mundo não fazia ideia de quem era James Cameron. Arnold Schwarzenegger era conhecido apenas pelo seu papel como Conan. Droga, as pessoas mal deviam ter algum temor por robôs, muito pelo contrário. Era, sem dúvida, uma época diferente, com um jeito de fazer cinema diferente. Mas tudo mudou quando O Exterminador do Futuro foi lançado.

O Exterminador do Futuro (1984)

terminator 3

Como um filme de origem, que iniciaria toda uma franquia, e como um filme isolado também, o primeiro longa é um filmaço! Existem acertos nos mais diversos aspectos: das atuações de Arnold, que possui uma forte presença como vilão. Ele não fala seis frases no filme, aspecto que colabora ainda mais na construção do personagem; da dupla Michael Biehn e Linda Hamilton, que possuem uma boa química, apesar de ficar meio óbvio o envolvimento amoroso entre eles (e até da “charada” que o filme apresenta); passando pelo roteiro, que acerta na dinâmica, já que a obra é uma PUTA perseguição, deixando os espectadores ligados no filme a todo momento.

A maquiagem e o figurino também estão ótimos (uma característica que seria reafirmada em futuros filmes de James Cameron, como em Titanic e, claro, no Avatar), assim como os efeitos especiais. Acredito que eles estão muito bons para aquela época, principalmente nas cenas que retratam o futuro. A trilha sonora, que cria uma mistura de músicas pertencentes à época com um excelente instrumental, e possui aquele tema fantástico, também é outro acerto do filme.

Maquiagem do longa também merece destaque.
Maquiagem do longa também merece destaque.

Alguns comentários: vendo HOJE, é engraçado o modo como o Exterminador corre na cena final. Chega a doer nos olhos de tão falso que é; o primeiro “I’ll be back” é ÉPICO! A sequência dentro da delegacia é fantástica! Até rever o filme, recentemente, não lembrava que esse Exterminador era tão imortal: toma cinco tiros de escopeta; bate o carro na parede; é atropelado por uma carreta; é explodido num caminhão de gasolina; toma uma bomba no meio do corpo E AINDA TÁ VIVO! As expressões que o Arnold faz, em certos momentos, são muito engraçadas, e a parte que ele coloca os óculos escuros, memorável. Não à toa, o filme é uma referência até os dias de hoje.

Nota: 8/ 10.

O Exterminador do Futuro 2 (1991)

Se o primeiro filme é fantástico, o que dizer desse segundo? PUTA QUE PARIL! Uma obra prima! Dos filmes do Cameron, é disparado o melhor! Ele pegou tudo que deu certo no primeiro longa, e conseguiu melhorar a qualidade.

Você nunca recarregará uma escopeta com tanto estilo.
Você nunca recarregará uma escopeta com tanto estilo.

Vamos por partes: eu já tinha elogiado as atuações do Arnold e da Linda Hamilton, mas aqui, eles estão ainda melhores. Não só pelo talento individual, mas desta vez, o roteiro colaborou muito mais para um aprimoramento de suas performances. O filme ainda é uma perseguição, mas desta vez, não é o tempo todo isso. Talvez porque Robert Patrick não conseguiu ter a carisma que o Arnold teve no primeiro filme, apesar de ser ainda um bom vilão. Em contra partida, tivemos um desenvolvimento maior da personagem Sarah Connor, compreendendo melhor quem ela é, seus medos, sua visão de mundo, assim como do próprio Terminator, que está mais “humano”.

Essa profundidade nos personagens de ambos ainda conta com a incrível ajuda do John Connor, interpretado de forma muito boa pelo então jovem Edward Furlong. Ele não só colabora para o aprofundamento dos adultos, como apresenta seu personagem para a continuação da série.

Figurino e maquiagem nem preciso dizer que estão excelentes, mas o filme deu um grande passo no que se diz respeito aos efeitos. O androide agora anda perfeitamente, e mesmo que talvez você ache tosco os buracos se fechando após os tiros de escopeta, o filme está em outro patamar em relação a seu antecessor, e isso em apenas 7 anos! As cenas de ação desse são melhores, mesmo ele sendo um longa mais “cadenciado”.

Mesmo nos dias de hoje, esse efeito ainda impressiona.
Mesmo nos dias de hoje, esse efeito ainda impressiona.

Outras observações dignas de nota são a espetacular fuga de moto da carreta, passando pela fuga do hospital e concluindo-se no ultimo grande ato, a guerra no laboratório e a luta na fábrica, que têm uma excelência neste quesito. Talvez seja o outro grande trunfo do roteiro, que justamente por trabalhar mais os personagens em cenas paradas, acaba dando uma ênfase maior a estas cenas. Por fim, a trilha, que parece ausente em vários momentos da obra, mas aparece de forma triunfal nos últimos 30 minutos.

Nota: 9/ 10.

Terminator: Rise of the Machines (2003)

Ah, a ilusão causada pelo dinheiro “fácil”… Talvez esse seja o grande motivo que fez com que os produtores criassem mais um filme da franquia, nada mais do que 12 anos depois do segundo. Depois do faturamento de US$78 milhões do primeiro (uma rentabilidade de 12x em relação ao custo) e dos mais de US$500 milhões feitos pelo segundo (números expressivos para a época), a ganância gritou e foram fazer o 3º. Com um orçamento de 200 milhões (o dobro do anterior), o filme conquistou modestos 430 milhões pelo mundo.

terminator 6

Comumente, as pessoas dizem que este filme não é muito bom, que é mais do mesmo, principalmente depois do épico segundo. E eu concordo. Até revê-lo, não tinha boas memórias da obra. Mas revisitando aqui, sinceramente… Não é TÃO ruim assim.

Algumas mudanças, a começar pela direção: sai o arrebatador James Cameron, entra Jonathan Mostow. O roteiro, que antes era da dupla Cameron e William Wisher Jr, desta vez passa para o trio Michael Ferris, Tedi Sarafian e John D. Brancato, com Cameron ajudando a escrever os personagens. Troca também o apelo feminino: sai a Linda Hamilton, entra a Claire Danes, como Kate Brewster, a futura mulher de John Connor, vivido por Nick Stahl. Schwarzenegger volta como o querido Terminator, mas dessa vez, não temos um exterminador como vilão, mas uma exterminadorA, interpretada pela Kristenna Loken.

Algumas dessas mudanças são percebidas de imediato, e nem sempre de forma boa. Mostow não possui o brilhantismo de Cameron, e o roteiro tentou mais de uma vez copiar a formula de sucesso da perseguição, o que não traz nada de novo para a franquia. Eu também não senti o aprofundamento dos personagens que existe no segundo. Loken não possuiu carisma para fazer uma boa vilã, ficando abaixo do que já foi mostrado na franquia. Arnold fica mais sumido, com umas cenas cômicas forçadas, e a química entre o Stahl e a Danes não funciona muito bem, mas individualmente, ele foi bom como Connor; a trilha não participa muito nas cenas de ação… E a ÉPICA MÚSICA TEMA, SÓ TOCA NOS CRÉDITOS!

OK, a perseguição com o carro da funerária também é maneira.
OK, a perseguição com o carro da funerária também é maneira.

Mas nem só de coisas ruins é feito este filme. Os efeitos especiais, naturalmente, melhoraram, sobretudo no que se diz respeito às naves voadoras que vemos ali na base da Skynet; as perseguições continuam grandiosas Arnold continua fazendo umas expressões engraçadas, ele pegando a roupa sempre é legal (desta vez, ao som de “Macho, Macho man”), pisando nos óculos escuro de estrelinha, passando pelos óculos que lembra muito o do Neo em Matrix, até chegar no tradicional. Trocou o “I’ll be back” pelo “She’ll be back”, o que não tem a mesma graça, mas pagou com o “You’re terminate!” no final. Aliás, a luta final entre os exterminadores, é a que eu considerei mais fraca.

Nota: 6/ 10.

Terminator: Salvation (2009)

I’ll be back!” A essa altura, deveríamos estar acostumados. Em 2009, fui surpreendido com um trailer de mais um Terminator. A necessidade de fazer mais dinheiro gritou de novo, rendendo a este novo filme 370 milhões de faturamento. E desta vez foi mais por dinheiro ainda. O final do 2 para mim já estava suficiente, com o “fim” da Skynet. Veio o 3, eles dão uma explicaçãozinha ali para como ela não morreu, e no fim, vemos a imagem da Terra indo pro espaço, sendo explodida, e o futuro apocalíptico, se concretizar.

WHERE IS THE TERMINATOR? [/Batman Voice]
WHERE IS THE TERMINATOR? [/Batman Voice]

Terminator Salvation, agora nas mãos da Warner Bros, aborda um lado totalmente diferente da franquia. Se o 3 trouxe algumas mudanças, no novo longa, mudou tudo. Temos Christian Bale no papel do velho John Connor, casado com uma sumida Bryce Dallar Howard (Jurassic World), e com ele sendo o líder da resistência. O plot da história é interessante: em vez de mostrar as batalhas no passado, dá-se atenção, agora, a realidade do futuro, a real guerra entre os Terminators e os humanos. Nesse cenário, temos a apresentação de um protótipo novo, um humano que vira máquina, chamado Marcus Wright e vivido por Sam Worthington, que tem a missão de destruir (mais uma vez) John Connor. A partir daí se tem o desenrolar da história.

Não irei me estender muito, porque provavelmente poucos deram importância para esse filme. Não é o melhor dos roteiros, mas achei válida a iniciativa de mostrar o futuro; Fica, ao fim da história, um grande furo, mas com bom humor dá para relevar; As atuações são, no geral, medianas, e os efeitos estão OK, mas nada que seja espetacular; A trilha funcionou vez ou outra; foi interessante ver outros conceitos de terminators, como um grandão, as máquinas voadoras, ou as “motos-exterminadoras”. A aparição do Arnold é puramente simbólica, com uma referência maneira ao filme 2, mas no final, é um filme desnecessário, que não acrescenta nada a franquia.

Nota: 5/ 10

Por fim, temos 2 excelentes filmes e 2 filmes fracos. E assim como o 4º filme (e porque não, o 3º), não via a necessidade de termos Terminator: Genisys. Um dos trailers, que entrega um dos plot twists mais interessantes que a obra pode ter, ajudaram a jogar as expectativas lá pra baixo. Mas existem elementos interessantes e que dão esperança, como a presença de Emilia Clarke (Game of Thrones) e Matt Smith (Doctow Who), além do agora oscarizado J.K Simmons (Whiplash) e do próprio Jason Clarke* (Planeta dos Macacos: O Confronto). Plus, James Cameron já elogiou o filme, e a opinião dele é uma que se deve levar em contar. E por fim, é sempre bom ver o Schwarzenegger como Exterminador. Que o futuro da franquia seja mais animador que o futuro dominado pelas máquinas.

*Só eu acho sensacional o fato da Emilia Clarke e o Jason Clarke terem o mesmo sobrenome, tanto na vida real como no filme?

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3 comentários sobre “O Exterminador do Futuro

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