O Exterminador do Futuro: Gênesis

“Honestidade em novo capítulo mostra que a franquia pode estar velha, mas não obsoleta”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

O ano de 2015 é, definitivamente, o ano do retorno de grandes franquias para o cinema. A mais aguardada ficou para o final, já que Star Wars: O Despertar da Força só estreia em Dezembro. Mas já tivemos o retorno triunfal de Mad Max com Estrada da Fúria, e o maior sucesso deste “Verão”, Jurassic World, revitalizando de uma maneira impressionante a franquia dos dinossauros. Mas será que o Exterminador do Futuro, uma das mais emblemáticas franquias do cinema, teria o mesmo êxito?

Exterminador do Futuro: Gênesis causou um misto na expectativa. Por um lado, mostrava um potencial agradável no elenco, tendo nomes como Emilia Clarke (Game of Thrones), Matt Smith (Doctor Who), J.K. Simmons (Whiplash) e Jason Clarke (Planeta dos Macacos: O Confronto), além de claro, Arnold Schwazenegger, retornando ao seu papel mais icônico. A direção de Alan Taylor, que dirigiu alguns episódios de GoT e Thor: O Mundo Sombrio, era outro elemento que me dava um sopro de esperança. Esperança que foi enfraquecida depois do trailer (e do pôster!) que entregam um dos grandes plots do longa, e pelo fato da franquia vir de 2 filmes medianos pra baixo, como abordei neste texto aqui, ao falar de toda a série. A responsabilidade e a pressão eram muitas.

T5 3

Se por acaso você acha que a linhagem cronológica dos filmes do X-men é complicada, Exterminador do Futuro: Gênesis veio para redefinir seu conceito. Na guerra travada pelos humanos e as máquinas em 2029, John Connor (Jason Clarke) está prestes a derrotar a Skynet. Eis que os robôs decidem mandar o T-800 para 1984, para matar Sarah Connor (Emilia Clarke), e Connor envia Kyle Reese (Jai Courtney) para proteger sua mãe.  Esse, basicamente, é o plot do primeiro filme. Contudo, o ano de 1984 mostrado no filme é bem diferente do que o público conheceu há mais de 30 anos. Reese é recepcionado pelo T-1000 (sim, o que vemos apenas no segundo filme) e salvo por uma Sarah Connor treinada por um T-800 (!!!), uma Sarah que sabe do seu papel no futuro. E para salvá-lo, ela e Reese não devem viajar no tempo para 1997, quando a Skynet foi ativada como diz o 2º filme, mas para 2017, quando o Gênesis, a verdadeira Skynet, está prestes a lançar o Judgement Day sobre a humanidade.

O roteiro, escrito por Laeta Kalogridis (Ilha do Medo) e Patrick Lussier (Fúria Sobre Rodas) talvez seja a parte mais inconsistente e fora de sintonia com o resto do filme. A confusão de linhas temporais, misturando elementos dos dois primeiros filmes, confunde com facilidade não só o telespectador mais desatento, como aqueles que não veem os filmes antigos há certo tempo, o que pode prejudicar o entendimento da obra. A necessidade de explicar os efeitos e consequências dessa nova linha também prejudica um pouco do ritmo do longa que, no geral, é bastante satisfatório, sabendo distribuir a ação durante todo o filme, e capaz de proporcionar bons momentos não só quando está em 1984, mas também quando se passa em 2017.

O duelo entre Arnolds é um dos bons momentos do novo filme
O duelo entre Arnolds é um dos bons momentos do novo filme

A maioria das piadas presentes nos diálogos soam de maneira deslocada, e na maioria dos casos, não possuem efeito desejado (algo que funciona de maneira mais eficaz quando a piada ocorre de maneira visual, com um sorriso ou olhar do Arnold, por exemplo). Apesar do meu receio, ainda há reviravoltas válidas e interessantes na obra, e o desenrolar dela, mesmo com todo o risco que roteiros com viagem no tempo possuem, é um ponto positivo. Contudo, o que mais me irrita no roteiro é como ele desperdiça bons personagens, como é o caso dos papéis do J.K. Simmons e do Matt Smith. Os personagens de ambos foram uma daquelas gratas surpresas, que eu queria saber mais, conhecer mais, que poderiam trazer algo de novo para o velho quarteto Sarah-Reese-John-T-800. Mas o filme os desenvolve de maneira superficial, e desperdiça o talento de seus atores, o que é uma pena.

E não é o caso de ambos estarem ruins. Aliás, as atuações é um dos pontos positivos da obra.  Emilia Clarke é inteligente ao não querer imitar a Linda Hamilton, e cria a sua própria Sarah Connor, em um bom trabalho. A química com Jai Courtney não funciona nas piadas e como um interesse amoroso, mas na hora da pancadaria, ela possui êxito e o ator está longe de comprometer o filme. Arnold pode estar velho (e o filme brinca com isso), mas mostra que, de fato, nasceu para viver esse papel, e é muito bom perceber como ele se sente a vontade nele, se diverte sendo o Terminator. Por fim, Jason Clarke também está razoavelmente bem, apesar que, suspeito, o ator não possui a carisma necessária para exercer o papel que o filme lhe entregou.

As caretas são o humor que dão certo no filme
As caretas são o humor que dão certo no filme

É comum ouvir que, em 2015, efeitos especiais não merecem mais AQUELE destaque, já que se tornou algo padrão, mas é preciso destacar como eles fazem bem a esse filme. São muito mais interessantes e bem aplicados do que no Terminator: Salvation e para o 3º filme, é um salto de 12 anos.  A sequência que ocorre em 2029, logo no início do filme, faz querer que o filme se passe mais tempo ali, e acompanhar de perto a luta entre homens e robôs. A luta entre os Arnolds (o que retorna no tempo e o que treina Sarah) é outro momento que merece destaque, já que criou-se um efeito bem crível do Schwazenegger mais novo. E surpreendentemente, apesar das várias cenas de ação que se passam a noite, o 3D não compromete a fotografia, e até justifica o preço mais alto do ingresso em alguns momentos.

A direção de Alan Taylor é segura e com qualidade, com o diretor sabendo criar perseguições (uma das marcas da franquia) bem feitas e realizadas com esmero, seja na terra ou no ar. Obviamente não alcança o patamar estabelecido por James Cameron, mas é um trabalho que faz jus ao que representa a franquia. A trilha de Lorne Balfe (Os Pinguins de Madagascar) colabora nas cenas de ação e, mesmo sumindo um pouco na metade do filme, volta para o clímax da obra, além de utilizar o tema do Terminator nas horas certas.

O T-1500 pode até não causar o mesmo espanto que o T-1000 causou em 1991, mas, visualmente, é bem feito.
O T-1500 pode até não causar o mesmo espanto que o T-1000 causou em 1991, mas, visualmente, é bem feito.

Finalmente, Exterminador do Futuro: Gênesis possui tropeços e se arrisca em alguns campos confusos, mas é uma obra honesta, consigo mesmo e o público. O pessimismo criado com os dois últimos filmes vieram a calhar, permitindo que o novo filme fosse capaz de surpreender e, principalmente, de entreter. Mais do que isso, revitaliza a franquia. E pode ter certeza: it’ll be back!

 

Nota: 7/ 10.

 

P.S.: Não saiam da sala quando o filme acabar. Fiquem para curtir a música tema, e ver a rápida cena pós créditos!

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5 comentários sobre “O Exterminador do Futuro: Gênesis

  1. achei interessante os dois primeiros… mas enjoei dos outros, ao ponto de não ter interesse pelos números 10 ou 20 que virão, inclusive…!

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