[FORA DE SÉRIE] Transistor

Por Luís Gustavo Fonseca

Eu sou, no máximo, um casual gamer. Eu até me interesso e fico ansioso pelos novos jogos (ah, esse Fallout 4!), mas, infelizmente, não sou daqueles que tem uma devoção pelo mundo dos games, zerando trocentos mil jogos, sendo habilidoso em cada um deles.

Mas, vez ou outra, me arrisco com algum deles. Durante a última Summer Sale da Steam, que ocorreu mês passado, achei por um ótimo preço o Transistor, jogo indie da Supergiant Games, produtora, também, de Bastion (que aliás, pretendo retomar agora).

Transistor 2

Mesmo com a recomendação, minha expectativa com o jogo era praticamente nula, já que nada sabia sobre sua história e mecânica. E esses são dois dos aspectos que surpreenderam de maneira incrivelmente positiva. O personagem título é, na verdade, uma poderosa espada, responsável também por narrar o jogo (sei que parece bizarro, mas o jogo explica isso de maneira bem plausível). A narração da espada serve de contraponto para o silêncio da protagonista, Red, uma cantora que, após sofrer o ataque de um misterioso grupo, acaba perdendo a voz. Com a ajuda da Transistor, ela parte pelas ruas da desértica cidade futurística de Cloudbank, procurando solucionar os problemas que se deflagram na cidade.

O jogador pode ficar perdido no começo do game, mas os elementos da história vão sendo entregues (e desenvolvidos) à medida que Red explora a cidade. A cada nova área, Red e o Transistor devem enfrentar o Process, um hostil programa de computador que gera monstros variados. São nesses momentos que o jogo apresenta um de seus trunfos, o sistema de combate, que é simples e o jogador já domina após dois ou três duelos. O jogador pode derrotar os inimigos usando habilidades de forma espontânea, ou entrando em um modo de planejamento, onde traça como serão realizados os próximos movimentos, que são executadas de maneira rápida. Após o uso, é necessário que o jogador espere alguns segundos para usar o efeito novamente, criando a necessidade de haver um balanço entre as formas de atacar os inimigos.

Transistor 5

As habilidades que estão ao alcance do jogador são obtidas no decorrer do jogo, quando o jogador sobe de nível, ou encontra alguns dos “cadáveres” presentes na cidade. Cada habilidade apresenta as características de uma gama de personagens, que ajudam a construir o background da cidade e de sua sociedade. Para saber mais sobre os personagens, o jogador deve criar um rodízio entre as habilidades utilizadas, configurando-as, de diversas maneiras, em 3 tipos: ativas (as habilidades que você usa em combate, que se limitam a 4); de suporte (as habilidades secundárias, que dão um bônus específico  para cada habilidade ativa, limitada a duas por habilidade ativa); e as passivas (habilidades que dão vantagens exclusivas quando postas nesse modo, que também estão limitadas a, no máximo, 4 de uma vez). Cada habilidade tem um custo de memória do Transistor, sendo assim, o jogador tem que procurar sempre equilibrar suas combinações, para que não fique carente em um momento de necessidade.

A história por trás do jogo é instigante, e leva o jogador sempre ir adiante, e resolver os mistérios que circundam Cloudbank. Outro motivador interessante é quando os life points do jogador se esgotam durante um combate. Em vez de morrer e ter que voltar em algum save point, o personagem perde uma de suas habilidades ativas (em geral, a mais poderosa). Para recuperá-la, o jogador precisa avançar dois save points. Há, ainda, os limiters, artifícios utilizados para aumentar a dificuldade do jogo, e que podem ser (des)ativados em cada save point. Se por um lado, o não uso dos limiters facilita o jogo, por outro, quando mais limiters forem utilizados, mais bônus o jogador consegue ao fim de uma batalha, subindo de level ainda mais rápido e tendo acesso a novos benefícios. Saiba medir sua ganância.

Variedade de skills possibilita diversas combinações
Variedade de skills possibilita diversas combinações

Além da história, do ótimo sistema de combate, e da customização variada de habilidades (que atende cada tipo de jogador), Transistor tem outra imensa qualidade: a sua excelente trilha sonora, composta por Darren Korb (que também fez a de Bastion). A trilha não apenas colabora para criar o clima do jogo, mas também faz parte dele: várias das músicas que compõe a trilha são liberadas quando o jogador supera certos testes presentes no game e, acredite, você vai querer liberar todas. Algumas delas são cantadas por Ashley Lynn Barrett, e dão uma amostra de todo o talento que Red tinha, antes de perder a voz. Confira abaixo um pouquinho dessa maravilha.

Se o jogo peca em algum aspecto, são os seus chefões. Comparado a certos momentos da jornada (principalmente se você joga com os limiters), eles são até mais fáceis de serem derrotados, e não requerem uma estratégia muito elaborada. Uma pena.

Por fim, Transistor é um jogo que aposta na simplicidade, aliada a eficácia, e fácil de cair no gosto de qualquer tipo de jogador, sendo repleto de características que o tornam uma obra memorável. Um achado que, para quem tiver a oportunidade, vale o investimento e o tempo gasto.

Transistor 4

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