[FORA DE SÉRIE] Superman Lives: o pior filme que não aconteceu

Por Luís Gustavo Cunha

 

Hoje, mais do que nunca, os super heróis estão enraizados como parte da nossa cultura. Os consecutivos sucessos de bilheteria, o alvoroço criado pelos trailers de Batman v Superman e Esquadrão Suicida, a popularização de personagens desconhecidos, como o Homem-Formiga e os Guardiões da GaláxiaOs heróis tomaram conta do cinema (e da TV!), e se consolidaram como um dos mais emblemáticos gêneros audiovisuais da atualidade.

Vários fatores colaboraram para essa consolidação. O sucesso de crítica e público da trilogia do Batman de Christopher Nolan; a iniciativa da Marvel de criar um universo de seus personagens, culminando n’ Os Vingadores; o Homem-Aranha de Sam Raimi… E, principalmente, o X-men de Bryian Singer, que há 15 anos, de fato, abriu as portas para que tudo isso fosse possível. Uma caminhada que não foi livre dos mais vexatórios tropeços: os dois Quarteto Fantástico; Motoqueiro Fantasma; Lanterna Verde; Demolidor; Elektra; Liga Extraordinária… Mas que, apesar de tudo isso, continuou firme sua caminhada rumo aos faturamentos bilionários e popularidade exorbitante.

Tudo, TUDO isso, poderia ter tomado um rumo completamente diferente, se apenas um filme tivesse visto a luz do dia.

Superman lives 6
A imagem que RESUME o que poderia se esperar do filme

Neste mês de Julho, foi lançado o documentário The Death of Superman Lives: What Happened?, obra produzida por Jon Schnepp que procura desvendar os mistérios e as justificativas sobre o porque de Superman Lives não ter acontecido. A conturbada produção do mais icônico herói contaria com a direção de Tim Burton, que possuía dois filmes do Batman sob sua tutela, e seria estrelado por Nicolas Cage, um dos atores que mais divide opiniões mundo afora.

Em seu documentário, Jon coleta entrevistas de várias pessoas que estiveram envolvidas com o filme: além da presença de Burton (talvez o maior chamariz), há também a presença dos três roteiristas que a obra teve: Kevin Smith, Wesley Strick e Dan Gilroy; dos produtores Jon Peters e Lorenzo Di Bonaventura, além de vários e vários outros nomes, ligados, principalmente, a área de produção artística e de design do filme.

Apesar das ideias, várias das artes conceituais presentes no documentário são verdadeiros tesouros.
Apesar das ideias, várias das artes conceituais presentes no documentário são verdadeiros tesouros.

À medida que as entrevistas vão sendo concedidas, não há como não imaginar como o filme teria sido. E a constatação parece clara: um desastre. Há, sim, algumas boas ideias. O fato de Kal-El ser enviado pra Terra ao lado de um robô, K, uma espécie de “ursinho de pelúcia” que serviria como mentor, que o ensinaria e o treinaria, eu considero uma sacada interessante. Tudo bem que o roteiro também previa que K se transformaria no uniforme do Superman, e que ele também teria a personalidade de seu pai, Jor-El (!), mas, de certa forma, esse aspecto foi reciclado em O Homem de Aço. O visual de Krypton, também, confesso ter despertado bastante o meu interesse. Certamente, é algo que eu queria ter visto o resultado definitivo em tela. Aliás, uma das melhores coisas do documentário é sua riqueza ao mostrar vários storyboards e artes conceituais que dão um vislumbre do que seria o filme. É o tipo de coisa que quem se interessa pelo assunto se amarra em ver, e mesmo as artes das ideias mais bizonhas e assustadoras do filme, são bacanas de serem conferidas.

Mas no geral… Quantos erros, quantos equívocos, quantas ideias malucas! Dentre elas, é possível citar: uma aranha gigante estaria no 3º ato do filme, e seria um dos maiores desafios do Superman, ideia que foi reutilizada em As Loucas Aventuras de James West, estrelado por Will Smith; Brainiac também teria uma aparência um tanto aracnídea, com sua cabeça no topo de várias pernas mecânicas; Lex Luthor e Brainiac (que poderiam ser interpretados, respectivamente, por Kevin Spacey e Christopher Walken, sendo que Spacey chegou a interpretar o personagem em Superman Returns) iriam se fundir em um só corpo (!!!!), como a exemplo de Voldemort em Harry Potter e a Pedra Filosofal; o Superman usaria sua capa como uma arma, assim como o S do seu peito, que também poderia ser arremessado; e o uniforme, que em várias de suas versões, parecia feito de plástico de garrafas pet? Só não é pior que a ideia do produtor James Peters que é, de longe, o pior problema da produção (e o documentário deixa claro isso): Brainiac, ao ir a Fortaleza da Solidão, PRECISAVA enfrentar alguém. “Por que não colocar guardas?”, ele sugere. Como se o SUPERMAN precisasse de guardas. “Mas o Braniac precisa enfrentar algo… Que tal ursos polares?”. Sim. Isso mesmo. Ele queria que o vilão enfrentasse DOIS FUCKING URSOS POLARES!!! Não tinha como dar certo.

Esse era o tipo de ideia que tinham para o Brainiac
Esse era o tipo de ideia que tinham para o Brainiac

Isso sem contar que o filme queria contar coisas de mais, mas parece que não haveria tempo para tudo isso: Os momentos finais de Krypton; Clark e seu “ursinho”; ele como jornalista; ele enfrentando Brainiac, Luthor, a tal aranha gigante e TAMBÉM o Doomsday! Ah, sim, o personagem morreria e voltaria graças ao seu uniforme! Putz, como iriam encaixar tantos elementos tão distantes, em um filme que não deveria passar das 2h30? O próprio roteiro, que passou por três pessoas diferentes, já apontava para o desastre do longa.

Outro aspecto que acho que prejudicaria bastante o filme seriam os efeitos. A partir das artes conceituais, observa-se que o filme queria ser grande demais, espetaculoso demais. Tudo deveria ser imponente, monumental… E não acho que os efeitos do fim dos anos 90 dariam conta de entregar um material de qualidade, que não parecesse incrivelmente brega. De fato, se o filme tivesse saído, as pessoas achariam Batman e Robin bem melhor.

A jornada da confecção do contraditório uniforme é algo que vale a pena ser conferido
A jornada da confecção do contraditório uniforme é algo que vale a pena ser conferido

O que talvez seja o mais fascinante disso tudo, e que talvez seja o maior mérito do documentário? Eu AINDA gostaria de ver o filme. Não apenas porque sou fã do Nicolas Cage, mas porque, mesmo com tudo apontando contra, eu gostaria de saber realmente o que Tim Burton tinha em mente, como ele apresentaria esse universo, por mais escroto que fosse. Seria, sem dúvidas, um filme que seria um divisor de águas na história de Hollywood. Feliz (ou seria infeliz?) é o universo paralelo no qual o filme existe.

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