[FORA DE SÉRIE] Trailers e seus problemas

Por Matheus Araujo

Existem três tipos de trailer:

  • aquele que você já viu na internet;
  • aquele que você já viu pra caramba na internet;
  • e aquele que confirma que o trailer vai ser a única coisa que você vai ver do filme.

Mas sabe o que os três, em geral, têm em comum?! Contam o filme todo! E nem preciso ir muito longe pra provar isso. O recentíssimo Homem-Formiga, apesar de campanhas publicitárias dignas de aplausos, revelou DIAS antes de sua estreia, através clipes (vou contá-los como trailers também uma vez que o propósito é extremamente similar), o que seria uma grata surpresa para o espectador desavisado. Aliás, o histórico da Marvel colabora para esse banco de dados absurdamente… Permanece ainda incompreensível o motivo dela ter soltado 90% do combate Hulk x Hulkbuster também na reta final de divulgação de Era de Ultron. O que é muito mais revoltante, já que há um cagaço em relação ao sucesso de Homem-Formiga e daí ficar “spoilando” meio que dá pra “entender”, agora… VINGADORES?

Mas nada mais ilustrativo para esse caso do que Exterminador do Futuro: Gênesis. Se você o assistiu, tá ligado que o grande lance do filme são as reviravoltas. Se você não o assistiu e ficou só com os trailers, tá ligado que o grande lance do filme são as reviravoltas. Parando para pensar: qual o incentivo para ir ao cinema? E isso para não mencionar Jurassic World revelando seu Indominus Rex, enquanto o próprio filme tenta criar certa expectativa quanto a aparência do monstro… Aliás, eu até compraria a crítica ao entretenimento que exige um “maior e com mais dentes” do filme, caso ele não tivesse feito questão de me sorrir com todos eles ainda nos trailers. Como eu gostaria de ter uma dificuldade para encontrar exemplos!

Terminator-Genisys-poster-final
Tem SPOILER até no poster!!!

O que mais entristece é que, em decorrência disso ou não, a maioria desses filmes está fazendo rios de dinheiro, incentivando esse comportamento que destrói nossa experiência. Atualmente, a melhor saída é enfiar a cabeça dentro do balde de pipocas até o filme começar. Todavia, vamos imaginar um mundo melhor por um instante…

Por que não “vender” o filme com uma parada diferente?

Para convencer uma ida ao cinema, não é necessário passar trechos do filme (apesar de não descartar essa ideia que até vinha sendo utilizada uns tempos atrás – afinal enxergo um trecho sendo menos prejudicial à enorme variedade de momentos que andam mostrando). Que tal mostrar bastidores? É fato que o povo adora uns erros de gravação! O que poderia funcionar especialmente com as sequências. Novamente, você acha que alguém precisa ver uma cena de Capitão América: Guerra Civil para ir ao cinema?  Ao botar o Chris Evans e o Robert Downey Jr. lado a lado dizendo como foi filmar a porrada entre eles, pelas piadinhas ou mesmo empolgação que falarem, a CURIOSIDADE impera na sua cabeça e imediatamente é gravado a ferro e fogo na sua memória: VAI SER FODA! PRECISO VER ESSA PARADA!

Um cara que parece me entender é o J. J. Abrams, que atualmente finaliza seus trabalhos em Star Wars: O Despertar da Força. Você se lembra o que já sabemos do filme por enquanto? O material até agora são dois trailers que não entregam nada (ao menos, eles deixam você montar o filme na sua cabeça), algumas imagens oficiais e conceituais e, exatamente o que eu estava falando no parágrafo acima, divulgação pelos bastidores! Dê uma olhada no que eles levaram para a San Diego Comic-Con!

Eu concordo que quase 4 minutos (!) de Batman vs. Superman são sinistros, mas nada lá mostrado se compara ao cuidado mostrado nesses bastidores do sétimo episódio ou à cativante declaração de Simon Pegg: “I’m in heaven”. É impossível, por hora, afirmar qualquer coisa sobre a qualidade dos filmes, mas com muito menos material, Star Wars passa toda uma excepcionalidade, que, sem dúvidas, o primeiro encontro de Superman e Batman poderia passar.

Ok. Com o passar do texto, podemos até concluir que o problema não é o trailer em si, mas como ele é feito. Então, se, mesmo com tudo o que eu disse, formos continuar com trailers nessas intermináveis suposições, voltemos para o problema inicial. Existem três tipos de trailer.

  • Aquele que você já viu na Internet
  • Aquele que você já viu pra caralho na Internet
  • E aquele que confirma que o trailer vai ser a única coisa que você vai ver do filme.

Cara… Lugar de trailer é no cinema! Inclusive, utilizo esse “textão” para mais um mimimi: 10 MINUTOS DE PROPAGANDA! Mano, os valores do ingresso ou da pipoca já não são abusivos o suficiente para serem capazes de sustentar um cinema? Pelo menos um cinema sem propagandas imbecis?!

Voltando… Lugar de trailer é no cinema e, tão corta tesão quanto receber tudo nos trailers, é só ver trailer repetido! Que tal trailers exclusivos pro cinema? Que tal? “Ah, mas vai ter o FDP que vai filmar e postar na Internet pra todo mundo enfiar essa merda no c…” Mas o filme também vai ser filmado? E o cinema deixa de exibi-lo?

jared-leto-joker

As pessoas vão ao cinema por uma qualidade de experiência e não simplesmente pelo conteúdo do produto. Que tal prestigiar o público que prestigia? O público que, com bem menos investimentos, poderia muito bem ver seus filmes na Netflix dali uns tempos ou mesmo enveredar-se por caminhos obscuros com direito ao “tempo da pipoca”. Essa exclusividade nem é tão dispendiosa assim, vai… De verdade, é legal se sentir bem com suas escolhas e, hoje em dia, pro público médio de cinema, a tevê da sala tem ficado cada vez mais atrativa.

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