Pixels

“Boa ideia com jogos de fliperama tem seu potencial desperdiçado”

 

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Passei longe de viver no auge do sucesso dos fliperamas no Brasil, mas já tive o prazer de experimentar e sentir como é o clima desse lugar. Minha lembrança mais vívida envolvendo isso foi quando passava horas jogando, em uma colônia de férias, jogos como Cadilac Dinossauro, Captain Commando (putz, qual era o nome desse jogo em português?), Marvel VS Capcom (e olha que eu nem era bom nesses jogos de luta), tinha também aqueles de corrida… Putz, que saudade!

Nos anos 80, o sucesso era maior ainda. Era época que jogos como Donkey Kong (quando ele ainda era um vilão!), Galaga, Space Invaders e o imbatível Pac-Man chegaram com tudo nesses estabelecimentos, e cravaram de vez seu nome na história. É desse sucesso que sai a premissa de Pixels. Em 1982, a NASA envia uma cápsula com vídeos contendo esses jogos para o espaço, na esperança que vida inteligente lá fora possa achá-los e conhecer-nos. Em um desses vídeos, há os confrontos do Campeonato Mundial de Video Game, protagonizados por Brenner (Adam Sandler) e “Fire Blaster” Eddie (Peter Dinklage). Entretanto, quando os extraterrestres acham a cápsula, eles interpretam os jogos como uma declaração de guerra, e decidem invadir a Terra… Usando os jogos!

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No trailer, a ideia parecia bacana. É sem, dúvida, interessante de ver o Pac-Man tacando o terror nas ruas de Nova York, ou milhares de jogos dessa época destruindo Washington (inclusive aproveitando a ótima sacada de como o Tetris ajuda a demolir os edifícios). Os humanos e as construções sendo pixelizados também aparentava ser um efeito interessante de ver. Mesmo assim, essa ideia é diluída em um mar de elementos de baixa qualidade.

Na boa, o que aconteceu com o Chris Columbus, diretor do filme? Como alguém que dirigiu Goonies, os dois primeiros Esqueceram de Mim, Uma Babá Quase Perfeita e os dois primeiros Harry Potter se perdeu tanto assim ao longo dos anos? Eu até consigo ver o ar de aventura oitentista que ele quer colocar no filme (e talvez eu esteja sendo realmente rabugento em relação à isso), mas esse ritmo não cola, a edição atrapalha totalmente a dinâmica do filme, e as cenas de ação carecem de maior epicidade. A sua direção nem o maior problema do filme, mas também não chega a corresponder as expectativas criadas por uma proposta tão agradável.

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Os efeitos do filme são interessantes, e a pixelizações são um atrativo a parte, de fato. Porém, corram de qualquer forma do 3D, que é pífio, e consegue a proeza de não aproveitar, em nenhum momento, o fato de ter centenas e centenas de quadradinhos para jogar na sua cara. Sem contar que destrói, por completo, a fotografia do filme, o deixando assustadoramente escuro em vários momentos. Outro aspecto que acho decepcionante é a trilha de Henry Jackman (que nos últimos anos, já tinha composto para outro filme que conversa com vídeo games, Detona Ralph). Ausente e, por isso, nenhum pouco memorável.

Mas os piores aspectos do filme andam de mãos dadas. Um deles é o roteiro escrito por Tim Herlihy e Timothy Dowling. O texto da obra é de dar vergonha, tamanho é o absurdo de algumas frases estarem incluídas. As piadas, em sua quase totalidade, são forçadas e sem graça. As situações têm desenvolvimentos esquisitos, que por mais que se baseiam em um absurdo (afinal, estamos falando de vídeo games invadindo a Terra), apelam para uma suspensão de descrença muito acima do tolerável. Os personagens são incrivelmente rasos, e seus relacionamentos também são construído de maneira fraca, não havendo clichê que justifique a previsibilidade da relação entre Brenner e Violet (Michelle Monaghan). A áurea de comédia pastelona fica evidente, aspecto que julgo que prejudica e muito a obra.

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Com frágeis relacionamentos e sem profundidade, é claro que o roteiro iria afetar as atuações. Só não suspeitava que seria tanto. Nenhum trabalho se destaca, e a maioria decepciona. Michelle Monaghan, Kevin James, Josh Gad… Todos prejudicados pelo roteiro besta, e descalibrados com o humor. Sean Bean também tem uma passagem esquecível. Eu até acho louvável a dedicação do Peter Dinklage no projeto e, de fato, ele talvez seja a melhor coisa do filme, mas está há universos de distância do que faz em Game of Thrones. E Adam Sandler… Que tristeza! Decepcionado porque eu ainda acreditava no ator, no seu toque humorístico. Por incrível que possa parecer, ele era um dos meus atores favoritos da infância (a sessão de Click é uma das mais marcantes da minha vida até hoje). Mas depois desse filme, perdi totalmente a fé no ator.

O ponto mais alto de Pixels, talvez, seja seus créditos. Não apenas pelo fato que o filme chegou ao fim, mas porque os créditos recriam, resumidamente, o filme todo, no formato de 8-bits. Aliás, fica a sugestão: confira o curta (mesmo, são 2 minutos e meio, apenas) que deu origem ao filme. Resultado bem mais agradável.

Nota: 3/ 10.

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