A bela história do Pequeno Príncipe

Por Luiza Fonte Boa

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

A primeira vez que vi esta frase foi no carimbo da minha professora de ciências, ao corrigir as atividades em sala. Sempre achei que fosse uma passagem da Bíblia ou qualquer coisa do tipo até que, aos 17 anos, eu li O Pequeno Príncipe. Não há outro jeito de dizer que foi amor à primeira vista. O livro me cativou antes que tivesse terminado a dedicatória.

O Pequeno Príncipe, do autor francês Antoine de Saint-Exupéry, foi publicada originalmente em 1943 nos Estados Unidos. Foi somente em 1946 – após a morte do autor – que a obra chegou a França e de lá ganhou o mundo. Traduzida para mais de 160 línguas, esta é a terceira obra mais lida no mundo e é reconhecida como um clássico infanto-juvenil.

Narrada em primeira pessoa por um aviador que cai no deserto do Saara, O Pequeno Príncipe aborda  a visão infantil de como o mundo e a sociedade funcionam, remetendo o aviador à sua infância ao se deparar com um garotinho loiro que o acorda pedindo que lhe desenhe um carneiro, há milhas e milhas de qualquer região habitada.

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Dadas estas considerações, vamos para onde o bicho pega. O Principezinho não sobreviveu só de belas rosas, ele teve que suportar algumas larvas para conhecer as borboletas.

Na segunda metade do século XX, esta obra-prima literária ficou conhecida como “obra-de-miss”. As lindas modelos – que carregavam o estigma de pouco inteligentes – ao tratar de suas leituras sempre citavam O Pequeno Príncipe como seu livro favorito. Este já não era uma obra respeitada, por ser “livro-de-crianças”, e foi ainda mais desvalorizado ao ser relacionado com o mundo das passarelas.  Apesar de ser uma visão extremamente machista e preconceituosa – de que miss não pensa – a obra sofreu com o esteriótipo criado, denegrindo sua literariedade e reduzindo-a a sitações de “auto-ajuda”.

Em decorrência de tudo isso, crianças como eu – no início do século XXI –  tiveram pouco ou nenhum contato com o principezinho. Ao mesmo tempo entendido como um livro bobo para crianças, nunca pareceu ser adequado a elas, já que tratava de “temas muito densos para estas cabecinhas”. Aqui cabe uma digressão: nossas crianças são tratadas como pequenos toquinhos, incapazes de pensar e sem qualquer capacidade critico-reflexiva. Ao mesmo tempo que tudo as influencia, elas são incapazes de “entender” – segundo a visão adulta – uma obra destinada a elas, enquanto que em outros campos são tratadas como pequenos adultos: a forma rígida das escolas; as responsabilidades da internet; etc.

Retornando da digressão, O Pequeno Príncipe foi, portanto, esquecido na gaveta por muito tempo até que, em 2010, uma série de TV com o mesmo nome surgiu, levando crianças a conhecer novamente esta história fantástica. Porém, a série procura “infantilizar” a obra (que já é infantil -.-‘) e acaba perdendo a essência que o livro trás.

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Uma tentativa mais próxima de adaptação aconteceu em 1974, porém foi muito pouco conhecida. Trata-se de um longa-metragem live-action, dirigido por  Stanley Donen, que de uma forma muito poética – caracterizando as personagens como seres humanos –  tenta retratar os infinitos conceitos que a obra possui. É sempre válido lembrar que se trada de uma adaptação e que não comporta, portanto, todas as diversas camadas que a obra original possui, o que não desvaloriza em nada a transposição da obra. Assim, apesar de antigo e com efeitos ultrapassados, é um filme que vale a pena para os amantes do Principezinho.

Por fim, 2015 chega com a melhor de todas as surpresas neste aspecto. Dirigida por Mark Osborne, a animação francesa O Pequeno Príncipe estreará dia 20 de agosto de 2015 no Brasil. A primazia deste filme está na adaptação da obra como um elemento do enredo da animação, e não na filmagem da narrativa em si. Uma garota, com todos os planos de sua vida traçados, conhece um aviador com uma história para contar. Veja o trailer:

Depois de secar as lágrimas algumas vezes, é assim que a O Pequeno Príncipe renasce para as novas gerações, trazendo consigo a magia do cinema e a eternidade do livro. Para os fãs, esta animação é ver o principezinho deixar sua casca para que sua essência voe e visite outros tantos planetas – e suas formas de arte – deixando sua marca e sua risada onde quer que vá.

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