[REVIEW] Poder Sem Limites

“A prova de que grandes poderes requerem grandes responsabilidades.”

Por Luís Gustavo Fonseca

O novo Quarteto Fantástico estreia esta semana, rodeado de expectativa. Não a melhor das expectativas, e também nem a das mais animadoras. A trajetória do filme foi marcada por refilmagens, descrença, o peso de ter dois filmes ruins na última década, e mesmo pelo fato da família mais tradicional da Marvel (e aqui, não no sentido pejorativo que usamos nas conversas de hoje!) não exercer, atualmente, a importância que tinha no início da trajetória da Casa das Ideias. Eu, assim como a grande maioria do público, espero que o novo Quarteto seja capaz de se provar. Mas no meio deste projeto todo, há um sopro de esperança: Josh Trank.

Poder Sem Limites foi o primeiro e, até agora, único trabalho do diretor americano para o cinema. A história acompanha três adolescentes, Andrew (Dane DeHann), Matt (Alex Russell) e Steve (Michael B. Jordan) que, durante uma festa, encontram uma… Coisa (Não, não é uma referência ao personagem do grupo super heroico, nem empobrecimento de vocabulário. O filme, de fato, não explica o que é, mas pode especula-se que seja algo alienígena). A questão é que a tal Coisa concede aos três jovens poderes telecinéticos, possibilitando que eles voem, movam as coisas, parem objetos no ar… Com habilidades tão especiais, o que poderia (ou não poderia) ser feito? É desse argumento simples, porém chamativo, que parte a história.

As origens das habilidades especiais saem disso daí
As origens das habilidades especiais saem disso daí

A história é pensada por Trank e Max Landis, que assina o roteiro. O curto filme (menos de 90 minutos) tem uma boa dinâmica, e passeia, mesmo que superficialmente, por vários gêneros em seu decorrer. Por ser filmado com câmera na mão (voltarei neste tópico), o momento em que os adolescentes encontram a tal coisa remete a ambientação dos filmes de terror; com os poderes, os inconsequentes jovens aproveitam seus “presentes”, e o longa ganha um caráter mais leve, uma obra mais teen; contudo, permeando toda essa obra, há o drama pessoal de Andrew, um cara tímido que possui a mãe doente e o pai abusivo. Era de se esperar, então, que os poderes exercem-se um grande impacto nele, culminando na mistura explosiva de seu transtorno pessoal com o que ele é capaz de fazer, aspecto que é explorado no clímax da obra. O desenvolver disso tudo se dá de maneira tranquila, já que o espectador se pega imaginando o que faria se, de repente, tivesse os dons dos garotos.

As atuações, de forma geral, também colaboram com o filme. Não serão as mais espetaculares que você verá na vida, mas a química entre os três protagonistas funciona. Os filmes que houveram desde então mostraram que Michael B. Jordan é capaz de entregar mais, mas o seu rendimento foi o suficiente para que ele repetisse o trabalho com Trank no novo Quarteto, como Tocha Humana. O veterano Michael Kelly (House of Cards) é pouco acionando, mas tem uma participação pontual e não deixa a peteca cair. O destaque fica com Dane DeHann. Vendo o filme, você entende o porquê dos executivos da Sony apostaram que ele daria um bom Harry Osborn (e, consequentemente, um bom Duende Verde) em O Espetacular Homem Aranha 2. E a obra de Trank mostra que, de fato, o ator tem um potencial bem maior do que mostrado no filme do Escalador de Paredes, se tiver o direcionamento adequado. Se você tomou birra dele, dê uma chance a Poder Sem Limites, que garanto que caberá uma reavaliação do talento do ator.

Os poderes telecinéticos permitem que haja uma liberdade na movimentação da câmera mas, ainda sim, seja um estilo
Os poderes telecinéticos permitem que haja uma liberdade na movimentação da câmera mas, ainda sim, seja um estilo “câmera na mão”

O maior mérito do filme mora na direção de Josh Trank. Como um fã de câmera na mão, o recurso não poderia ter sido mais bem vindo, assim como é igualmente bem utilizado. A partir das cenas gravadas por algumas poucas câmeras, que se revezam na história, o estilo de narrativa dá uma ambientação única à história, tornando-a mais palpável, mais real. Um realismo que torna o clímax do filme bem mais fácil de digerir e acompanhar do que no realismo de O Homem de Aço, por exemplo. O recurso também serve para nos aproximar dos personagens, já que as filmagens são feitas por eles, o que possibilita algumas brincadeiras no decorrer da obra. Mesmo ciente que Trank não retornará a utilizar a técnica no novo Quarteto, curioso para ver como seu trabalho será executado, e se ele conseguirá reproduzir a mesma excelência.

Na mais icônica cena do filme, uma demonstração do que poderes tão grandes e uma mente desorientada podem resultar
Na mais icônica cena do filme, uma demonstração do que poderes tão grandes e uma mente desorientada podem resultar

Finalmente, Poder Sem Limites é uma abordagem diferente e válida sobre super poderes, e nos revela alguns novos talentos (Jordan, DeHann e Trank), que devem ser observados. Em uma época cheia de filmes de super heróis, Poder Sem Limites é quem melhor demonstra que, “Com grandes poderes, deve vir também grandes responsabilidades”.

Nota: 7,5 /10.

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