7×1: Quarteto Fantástico (2005)

Por Matheus Araujo

Assim como o primeiro Demolidor, os filmes do Quarteto Fantástico dos anos 2000 merecem um “7×1”. Afinal, tratam-se de filmes que considero maldade analisar seriamente. O desempenho é tão catastrófico, patético, que se torna piada. Melhor, então, seria abraçar esse lado e trazer algo de divertido de tão penosa experiência. Através de uma analogia com a memória recente do brasileiro que melhor transcreve esse sentimento, analisemos 7 erros e 1 acerto dos filmes:

ERROS:

1. Coisa (Ben Grimm)

Listarei os erros através dos personagens, já que são tantos, e tantos abordados de forma tão equívoca que se tornam o núcleo das mais graves falhas, perpassando pelos vários elementos cinematográficos.

Pois bem. O Coisa. Comecemos por seu visual… Poxa, para um pedregulho humanóide ele é até que bem amigável. Além de não curtir o conceito dessa maquiagem, de mantê-lo essa coisa “fofinha”, o descuido é claro. O cara é evidentemente de borracha e, para não restarem dúvidas, quando ele se abaixa, temos cenas em que vemos as dobrinhas da barriga, cara! O COISA TEM GORDURA?!

the thing

Sem falar no desrespeito excessivo com o personagem. Vão de um passarinho fazer cocô no cara até o Tocha-Humana cruzar os limites da zueirinha saudável dezenas de vezes… Como ser imponente com tudo isso? Urrando para um urso?! Porque foi essa a definição de badass do Coisa que vi em tela… O milho deste bolo de cocô é a forma ainda mais relapsa com que tratam as relações de Ben. Quando se torna pedra, o cara é largado pela mulher, até então, da sua vida, o que simplesmente desaparece do roteiro quando não mais conveniente. Soma-se a isso que todo o restante do drama, que cai sobre o personagem por ter os piores poderes, é esculachado ao fazer do herói um ser facilmente manipulável. Rochas não são tão flexíveis, meus caros roteiristas… Vocês mesmo justificaram os poderes nas personalidades dos heróis, com Johnny “on fire” e Sue se sentindo invisível…

2. Sr. Fantástico (Reed Richards)

Notoriamente reconhecido como uma das mais brilhantes mentes da Marvel, Reed Richards sequer tem ares de inteligência. Não há UMA demonstração dessa fama. Toda genialidade do Sr. Fantástico está reduzida à construção de uma ou outra “tecnobaboseira”. Minto. Eles até tentam deixá-lo inteligente em combate, o que nos leva a criação de uma SUPERNOVA no meio de uma megalópole! Mas arruinar todo seu intelecto é besteira. Ainda temos o infortúnio de acompanhá-lo em seu nada fantástico relacionamento, que rende o exato comentário no início do segundo filme: “O que é bem patético quando você pensa a respeito”. De verdade, agradeça caso você jamais tenha visto a cena da despedida de solteiro. Vergonha alheia não descreve.

fantastic paper
Uso mais brilhante de seus poderes no filme é esticar a mão para fora do banheiro para suprir aquelas necessidades. Brilhante porque, se você pensar um instante, serve para limpar a merda que são esses filmes…

3. Mulher Invisível (Susie Storm)

Quais os motivos para a escalação da Jessica Alba? Sim, ela é extremamente bonita e para centenas de blockbusters isso é motivo suficiente. Mas, convenhamos, a beleza dela reside em seus traços latinos! Traços que são fervorosamente combatidos por sua maquiagem. Só eu acho que ficou um ~pouquito~ artificial?

E isso tá longe de ser o maior dos meus problemas com a Mulher Invisível. Devido à alta sexualização que Alba traz, os filmes despem sua personagem QUATRO vezes! Sinta o nível desta que é a menos gratuita delas: a grande mente de Reed Richards sugere, em frente a uma barreira de proteção de policiais, que a Mulher Invisível, ainda sem seu traje especial, tire suas roupas e passe pela barreira. Obviamente seus poderes falham no meio do streep tease censura livre, mas eventualmente retornam para transpor a barreira. Bem sucedida e já do outro lado dos policiais, Alba se reencontra com Richards e o irmão. Ao reclamar do vexame passado, Richards a lembra que os fins justificam os meios. Mas, pera aí… Se esses FDP simplesmente deram a volta na barreira sem problemas, por que a Alba não? Exatamente…

4. Tocha-Humana (Johnny Storm)

Eu até poderia reclamar mais do Johnny. Mas, se você olhar com cuidado, ele é o personagem mais alinhado com o espírito do filme. Obviamente, isso não significa que seja bom. Desde sua introdução, beijando uma mulher que dirige um conversível enquanto ele pilota uma moto ao lado, e isto sendo observado ao longe através de binóculos por Reed e Ben… Cacete, me perdi. É difícil transcrever uma coisa dessas. Quem dirá escrever isso do nada. Parabéns aos responsáveis!

johnny intro

Enfim, Johnny Storm é o Senhor Diversão. Ele é o “crianção” do grupo. Por mais que aos olhos de um adulto ele seja apenas um c*zão, o personagem é feito para as crianças se divertirem com a humilhação que ele submete o Coisa. Não estou exagerando. A abordagem é tão inocente, que chega a ser displicente e trucida o espírito família pelo qual o Quarteto, a família de super heróis, deveria ter.

5. Dr. Destino (Victor von Doom)

Entre tantos acertos, outra brilhante mente dos quadrinhos ser reduzida a megalomania e profundidade de um vilão caricato é o esperado. Por motivos de simplificação, apesar de mencionarem a Latvéria, não há real sentido para a existência dela, e por conseqüência, Doutor Destino possui seus poderes significativamente modificados, recebendo-os na mesma expedição do Quarteto. Assim, sem qualquer misticismo, Victor vê seu corpo, a partir da famosa cicatriz, se transformar em um metal ultra-resistente e passa a manipular a eletricidade. Eu poderia dizer que, como fã dos quadrinhos do Quarteto Fantástico, isso me irrita profundamente. Mas não sou fã de Quarteto Fantástico.

O que realmente me irrita é ver uma lambança com as motivações dele. A princípio, entende-se que Victor possui uma história de conflitos com Richards, mas nada a ponto de matá-lo. Existe uma linha tênue entre uma rivalidade na faculdade e o mortal combate, né?

Além disso, outro ponto de atrito entre os dois é o interesse amoroso por Sue. Todavia, a gratuidade disso é tamanha que não temos qualquer background, já que não fizeram questão de explicar ou tratar das conseqüências dela escolher outro cara. Antes do acidente, o maluco tava pedindo a mulher em casamento, dali em diante a história entre os dois é apagada e, minutos a frente, ele já tá tentando matar a mina.

Na verdade, a raiva que o Doom sente do Richards é bem justificável. Tipo, o erro dele erodiu uma companhia bilionária. O problema é que a vingança quanto a isso parece estar limitada aos atentados aos executivos da empresa, não ao Richards. E tentar matar todo o Quarteto? Putz, de onde veio isso? O cara simplesmente lança o míssil termo-guiado no Tocha, que era só o piloto da missão. É recalque demais.

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No segundo filme, as motivações fazem ainda menos sentido. Mesmo após recuperar seu corpo, o Destino se torna obcecado pela prancha do Surfista, mas jamais considera que em meia hora vai bater na porta o DEVORADOR DE MUNDOS!

6. Surfista Prateado e Galactus

Seguindo a lógica, o próximo núcleo de problemas são os vilões do segundo filme. Quanto ao Surfista Prateado, a bagunça continua dos poderes às motivações. É improvável que um espectador médio consiga lhe explicar a vasta gama de poderes do cromado. Perturbação climática, force push¸ distorção da realidade e até poder de salva vidas quando o roteiro precisa. Entretanto, nem computo esse problema, uma vez que compro que o sujeito é tão excepcional que sua compreensão é difícil para terráqueos. O complicado de aceitar é sua relação com Galactus, afinal, após sabe se lá quanto tempo de servidão, na sua tentativa de rebeldia para salvar a Terra, ele e ele apenas (exato, o Quarteto Fantástico não faz NA-DA de relevante nesse filme a não ser convencer um ser de boa índole a lutar pela não destruição de um planeta) consegue impedir o DEVORADOR DE MUNDOS. O que me leva a questionar… PORRA, GALACTUS! Por que dar tanto poder pra esse cara? Não tinha nada preparado pra parar esse FDP? Devorou um mundo de cocô? SÉRIÃO que você concedeu o incrível poder de te derrotar pra um cara que você “escravizou”?!

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É tanta merda que eu já ia me esquecendo da extrema fidelidade ao visual do Galactus… Chega a ser bonitinho pensar que os produtores acharam que o filme poderia ficar mais bobo colocando um gigante de saiote e saca-rolhas na cabeça cor de rosa!

7. O Quarteto

“Mas você já fez todo o mimimi a respeito do Quarteto, certo?” Nope. A maior parte do que eu disse envolvia o aspecto individual de cada personagem. Este filme deveria ser sobre uma equipe. Sobre a família de super-heróis. A dinâmica e a química entre os personagens são, mais do que em X-Men ou Vingadores ou Guardiões da Galáxia, essenciais. Ao invés disso, a despretensão do filme assola esse relacionamento com insensibilidade que, somada à falta de empatia entre os integrantes (você jamais diria que Sue e John são aqueles irmãos; ou Reed e Ben, os melhores amigos; ou Reed e Sue, “almas gêmeas”), oblitera a chances de vermos uma família. A tentativa de infantilizar o filme reduz as interações aos clichês dos clichês. Todos sabemos quem soube trabalhar exatamente o que é um Quarteto Fantástico e, até hoje, é lembrado como um dos melhores filmes de super-heróis: Os Incríveis. A maior semelhança entre o grupo da Pixar e o Quarteto não são os super-poderes, mas a dinâmica dos poderes em uma super-família.

ACERTO:

ENFIM! Quarteto Fantástico possui lapsos de qualidade. Assim, vou juntar os que mais me impressionam e anotar como um verdadeiro acerto das obras.

  • A cameo de Stan Lee como Stan Lee no casamento de Richards e Storm é uma de suas melhores;
  • O visual do Surfista é o inverso do que foi feito com Galactus;
  • E o Chris Evans largar o Tocha-Humana para ser um ótimo Capitão América é singularmente fantástico.

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2 comentários sobre “7×1: Quarteto Fantástico (2005)

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