Quarteto Fantástico

“Nova empreitada do grupo mais antigo da Marvel não consegue tirar o nome da equipe da lama”

Por Luís Gustavo Fonseca

Eu acreditava no novo Quarteto Fantástico. Aquele primeiro trailer, com uma pegada que lembrava, vejam só, o Interstellar (!), mostrava que o filme poderia apontar para uma adaptação decente da equipe, destruída pelos dois desastrosos filmes da década passada. Tanto que a comparação é digna de um 7×1… Apesar dos problemas ocorridos durante a produção do longa, como refilmagens em cima da hora e o cancelamento do 3D, o tal trailer me animava. O elenco já havia mostrado que possuía talento. O diretor era Josh Trank, o mesmo do bom Poder Sem Limites, que eu abordei, mais detalhadamente, aqui. Apesar de tudo, eu tinha fé.

Contudo, quis o destino (!!) que a nova produção estivesse fadada a repetir a qualidade abaixo da crítica dos filmes anteriores. A obra aborda, mais uma vez, o surgimento da equipe, quando o projeto financiando pelo Instituto Baxter, e liderado por Victor Von Doom (Toby Kebbell) e Reed Richards (Miles Teller) consegue criar a viagem interdimensional. Claro que quando os dois viajam à outra dimensão, junto com John Storm (Michael B. Jordan) e Ben Grimm (Jamie Bell), as coisas dão errado, e o momento do retorno é a hora em que eles ganham suas habilidades especiais, atingindo, no processo, também a Sue Storm (Kate Mara). Agora, os jovens e promissores super dotados devem escolher o deve ser feito com suas habilidades especiais.

FF 04
Sério, parecem que passaram uma silver tape na boca do Dr. Destino

O principal problema do filme, causador de praticamente todos os demais, é o roteiro. Fraco em diversos aspectos, chegando a repetir os erros da franquia anterior. A relação entre os personagens é quase nula e, quando existe, mal desenvolvida. Muitos aspectos que poderiam ser interessantes, como a rivalidade entre Doom e Richards, ou a relação de irmãos entre Sue e John, são apenas arranhadas, e deixadas soltas no ar. Nesse aspecto, o único ponto que mostrava um melhor desenvolvimento, é o início da relação entre Ben e Reed, amigos desde a infância. Contudo, os rumos do filme levam a uma destruição precoce desse bom desenvolvimento, tornando tudo mais simplista e superficial.

As relações fracas entre os personagens, evidentemente, atingem elo entre da equipe, não promovendo aquele sentimento de família que o Quarteto Fantástico deveria transmitir.  É verdade que é um filme de origem, a família ainda não está constituída… Mas poxa, você tem ao menos duas duplas com algum passado, mas isso não serve como facilitador. A relação de Reed com Sue e John é até razoavelmente satisfatória, mas Ben fica extremamente deslocado no grupo. O desenvolvimento do enredo, como um todo, também é fraco e inconsistente.

FF 02

Por fim, Victor Von Doom. É lastimável que um dos maiores vilões da Marvel tenha sido tão mal retratado, e de maneira tão absurda, nas três adaptações cinematográficas da FOX. O do novo longa beira o inacreditável. Os poderes? Nem se fala. Os motivos para suas ações? Os mais esdrúxulos possíveis. Empatia (afinal, quem não gosta de gostar dos vilões?)? Nenhuma, ficando abaixo de vários vilões esquecíveis da Marvel Studios. Sua inteligência é meramente explorada, assim como sua personalidade. A atuação de Toby Kebbell, extremamente fraca, só corrobora para que o circo dos horrores esteja totalmente montado.

Por falar em atuações, que desperdício! O filme TEM bons atores, mas nenhum deles tem uma atuação digna do que eles já mostraram. Michael B. Jordan melhorou muito de Poder Sem Limites pra cá (se ainda não viu, veja Fruitville Station), mas seu Johnny não tem um pingo de graça (!!!). Kate Mara, que manda muito bem na primeira temporada de House of Cards, até consegue trazer uma base para a personalidade de Sue, mas é algo que não é explorado. Miles Teller está à milhas do seu trabalho em Whiplash, mas ainda é o trabalho de maior destaque do filme, apresentando um Reed Richards que, dado a proposta, me agrada até certo ponto. Por fim, Jamie Bell (As Aventuras de Tintim) também pouco acrescenta.

A maior decepção no filme é a direção de Josh Trank. O diretor mostrou todo seu potencial em Poder Sem Limites, mas a sua abordagem neste  filme é problemática. Até tiro parte da culpa dele, já que, enquanto escrevia esse texto, o diretor desabafou no Twitter, implicando que os executivos da FOX seriam os responsáveis pelo resultado final. O que parece ser totalmente verdade, já que o filme, nos seus 30 primeiros minutos, é bem honesto, desandando de forma desastrosa depois.

Desabafo do diretor repercutiu na mídia. O tweet foi apagado minutos depois
Desabafo do diretor repercutiu na mídia. O tweet foi apagado minutos depois

Mas não dá para livrar a cara dele por completo. A fotografia é pouco interessante (que bom que esse filme não foi convertido para 3D), e a fórmula, o ritmo do filme, lembra muito o de Poder Sem Limites. Em outros casos, isso seria um elogio, mas aqui, está longe de ser o caso. Se a ação, que ocorre somente no fim, é um ponto positivo em Poder, já que corresponde a proposta da obra, no filme do Quarteto é um dos pontos mais fracos. A impressão que fica é que o filme é um trailer de 1h30, que culmina numa ação medíocre que, se alcança os 15 minutos de duração, é muito. Claro que uma dose excessiva de ação, como a mais de 1h de luta de Homem de Aço, também não é o caminho, mas abdicar da ação é um pecado. Sobretudo porque, depois de ver relações e personagens com uma construção tão fragilizada, o espectador espera que ao menos a porradaria valha a pena. Bem, não foi dessa vez.

A trilha de Marco Beltrami e Philip Glass tem seus momentos, mas é excessivamente genérica e, portanto, esquecível. Já os efeitos, são uma montanha russa. Visualmente, o Coisa e o Tocha Humana chegam a ser interessantes. Mas outros efeitos, como o visual do Dr. Destino e as cenas de luta em si, chegam a ser medonhos, até surreais para um blockbuster de um estúdio em 2015.

FF 03

Infelizmente, a nova adaptação do Quarteto Fantástico volta a mostrar um desempenho fraco, desperdiçando não só a chance de emplacar a popularidade da equipe, mas como de apresentar o universo deles para o grande público. Virão agora os velhos pedidos para a família voltar para a Marvel (que, convenhamos, não tem como fazer algo pior). Acho complicado incluir o Quarteto no atual cenário que o Universo Cinematográfico da Marvel desenvolveu… Mas que seria EXCELENTE se o Surfista Prateado, Galactus e os Skrulls fossem para o Universo dos Vingadores… Ah, isso seria!

 

Nota: 4,5/ 10.

P.S.: Não percam seu tempo. Não existe qualquer tipo de cena pós-crédito no filme.

Anúncios

7 comentários sobre “Quarteto Fantástico

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s