[REVIEW] True Detective – Season 2

“Segundo ano da série de Nic Pizzolatto não consegue sair da sombra da primeira”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Mesmo tendo assistido a primeira temporada apenas às vésperas de seu segundo ano, foi possível perceber o tamanho do hype causado pela série. O tom da história, o enredo, os atores envolvidos, a ambientação… Tudo culminou para que a primeira temporada de True Detective se tornasse a maior série de 2014.

E também a maior inimiga de sua segunda temporada.

O ano dois do seriado deixa para trás as paisagens pantanosas da Lousiana e muda para a metrópole Los Angeles. Ao invés de acompanharmos a história de dois detetives, a história se expande para 4 personagens principais: os detetives Bezzerides (Rachel McAdams) Velcoro (Colin Ferrell); o policial e ex soldado da Guerra no Afeganistão, Paul Woodrugh (Taylor Kitsch); e o mafioso Frank Semyon (Vince Vaughn).

TD 2 03

Apesar de não ter nenhuma ligação com o enredo da primeira temporada, é impossível assistir ao segundo ano de True Detective sem fazer comparações com sua temporada inaugural. E se ao menos Better Call Saul conseguiu transpor muito do clima de Breaking Bad, a repaginação proposta por Nic Pizzolatto em sua nova trama não consegue alcançar a qualidade e o tom de novidade visto anteriormente.

O primeiro aspecto que me chama a atenção é o formato da série. Como eu vi a primeira atrasada, tive a oportunidade de ver, por exemplo, 4 episódios de uma única vez. Algo que, julgo, colabora muito para entender a trama da série, sobretudo em uma história cheia de camadas. Mesmo alguém desatento como esse que lhes escreve, que deixou passar várias das sutilezas presentes no ano 1, conseguiu compreender melhor a história quando a viu em forma de maratona. Contudo, ao acompanhar o segundo ano de forma semanal, me sinto muito mais perdido. Ao longo dos 7 dias, um detalhe ou outro acaba esquecido, e isso pode dificultar o entendimento do espectador. Não fazia a ideia que esse jeito diferente de acompanhar a série seria tão impactante.

TD 2 04

A compreensão parece mais difícil, também, pela mudança na proposta e na dinâmica da série. O texto de Pizzolatto ainda é extremamente louvável, com bons diálogos, boas relações entre os personagens (e seus respectivos desenvolvimentos), e com uma trama que é capaz de te prender. Iguala o que já foi visto? Não, mas ainda está acima da média do que podemos encontrar na TV. O principal pecado nesse aspecto fica na ideia de expandir os pontos de vista de 2 para 4. A intenção é boa, mira a não repetição da fórmula da primeira temporada, mas a execução não é tão bem acertada. Sacrifica-se a profundidade da história (e das relações), um dos principais trunfos da primeira temporada, para poder contar mais sobre os dramas e subtramas particulares de cada um dos núcleos. Subtramas que, às vezes, pouco acrescentam ao background dos personagens. Se a primeira temporada de True Detective tinha uma cadência interessante, a de sua nova temporada beira o irritante em alguns momentos.

Outra mudança primordial entre as duas temporadas, é a direção. Na primeira, todos os oito episódios foram dirigidos por apenas uma pessoa, Cary Joji Fukunaga. O que transmite a obra a sua assinatura, e uma maior consistência. Neste segundo ano, True Detective se rende a TV convencional, e faz um rodízio de diretores. Não que o trabalho destes esteja medíocre. Nomes de peso, como Justin Lin (diretor de vários Velozes & Furiosos) estão presentes, e ajudam a proporcionar uma nova dinâmica para a série. Se não há o plano sequência, a nova temporada tem grandes momentos, como o tiroteio do quarto episódio, ou a construção do sétimo. Contudo, a mudança de diretores faz com que se perca o ar autoral e mais intimista, reservado, que a dupla Pizzollato-Fukunaga conseguiu emplacar. Aspecto que parece ter atingindo, até mesmo, a trilha. Ela continua composta por T. Bone Burnett, mas só ganha maior destaque na segunda metade desta nova temporada.

Paisagens de LA são bonitas, mas sem o mesmo impacto das de Lousiana.
Paisagens de LA são bonitas, mas sem o mesmo impacto das de Lousiana.

As comparações (me desculpem insistir nessa tecla, mas julgo inevitável) se estendem, também, as atuações. Já sabia que os trabalhos de Woody Harrelson e Matthew McConaughey não seriam nem de perto igualados, mas o elenco era interessante, apostando em nomes mais arriscados como Collin Farrell e Vince Vaughn. O trabalho dos dois chega a ser razoavelmente satisfatório, em vista da dinâmica com 4 protagonistas, que inibe a chance de aprofundar mais seus personagens. Mas nada espetacular ou memorável. Taylor Kitsch é o elo mais fraco do quarteto. Possui uma ajuda maior do roteiro, tem uma trama mais interessante, mas lhe falta carisma, e o talento dele não se iguala ao dos outros, o que prejudica a dinâmica da série. Neste aspecto, quem se salvam são as mulheres. Cada cena com Rachel McAdams e Kelly Reilly (que interpreta a mulher de Semyon) é algo que salta os olhos, e puxa a série pra cima. As atrizes compreenderam e personificaram melhor o clima da série e possuem, de longe, as melhores personagens.

TD 2 02

Por fim, o segundo ano de True Detective chega ao fim aquém não só da primeira temporada, mas como também, das expectativas. Contudo, isso talvez sirva de ajuda. A próxima temporada (torço muito para que tenha!) não chegará com uma expectativa tão sufocante, o que beneficia a obra. Um paralelo que faço é com a segunda temporada de Game of Thrones: a primeira foi espetacular, e a expectativa para o segundo ano foi maior do que a Muralha. Conclusão: o segundo ano de GoT talvez seja o mais fraco das 5 temporadas (rivalizando com esta última), mas o segundo ano dela, assim como de True Detective, ainda vale muito a pena ser visto. Afinal, permanece sendo uma ótima série de TV.

Nota: 7,5/ 10.

Anúncios

4 comentários sobre “[REVIEW] True Detective – Season 2

  1. Gostei da sua crítica, apesar de só concordar que as mulheres mandaram muito bem e era maravilhoso quando as duas apareciam, merecem indicações e prêmios no ano que vem!
    Mas achei essa temporada melhor do que a primeira em todos os aspectos! Foi muito mais detalhista e entrou e de cabeça em toda a psicosfera relatado por Rust na primeira temporada! Até entendo a confusão de acompanhar tantos detalhes e personagens, mas eu não tive problema nesse assunto e achei essa temporada simplesmente BRILHANTE! Na primeira tivemos ótimas interpretações e Matthew Mcgounaghey faz a diferença em papéis desse tipo, foi uma atuação magnífica, mas todo o enredo e detalhes foram muito melhores nessa temporada!
    Minha opinião! 😉

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s