Missão: Impossível – Nação Secreta

“Quinto capítulo da franquia é a prova que ela só tende a melhorar”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

O primeiro Missão: Impossível é cheio de cenas icônicas, como, claro, a de Tom Cruise descendo por um fio, além da sequência inicial com seus companheiros sendo mortos (como esquecer o cara que foi esmagado no topo do elevador?) e do clímax do longa. Independentemente de quantas vezes ele passe na TV aberta, ver o primeiro filme é um prazer imenso.

E, a partir desse filme, foi sendo construída uma das franquias mais icônicas do cinema de ação, na qual já falamos aqui. Tudo bem, essa trajetória foi marcada por aquele segundo filme. Mas desde então, a franquia vem uma excelente curva ascendente, iniciada pelo ótimo Missão: Impossível 3, passando pelo sensacional Protocolo Fantasma e chegando, agora, em Nação Secreta.

MI 5 02

Quase 20 anos depois do primeiro, o novo capítulo da saga é a prova que a franquia só tende a melhorar, uma tarefa difícil para quem está em seu quinto filme. Desta vez, Ethan Hunt (Tom Cruise) está em uma procura obcecada pelo Sindicato, uma organização especializar em causar “o caos e a desestabilização mundial”. Ninguém está disposto a acreditar no que parece ser uma teoria da conspiração sem fundamentos de Hunt e a IMF acaba sendo desmantelada pelo agente da CIA Alan Hunley (Alec Baldwin). Com a ajuda de sua velha equipe e de uma misteriosa aliada, Ilsa (Rebecca Ferguson), Hunt deve fazer o possível (e o impossível!) para provar que o Sindicato existe.

Se a franquia chegou até aqui, deve-se muito a Tom Cruise. O ator parece ter nascido para o papel, estando cada vez mais à vontade para fazer loucuras pela série, o que acaba se tornando um dos grandes atrativos dessas obras. Depois de escalar um paredão, pular de paraquedas no meio de uma cidade e escalar o prédio mais alto do mundo, ele agora fica dependurado nas portas de um avião cargueiro! E o fato de saber que, de fato, é o Cruise fazendo essas cenas, e não um dublê, deixa toda a ação mais palpável, mais realista. Nem parece que ele tem mais de 50 anos.

Tom Cruise fazendo o que faz de melhor
Tom Cruise fazendo o que faz de melhor

Cruise não colabora apenas nas ideias e nas cenas de ação, mas também na atuação. Ele não apenas atua bem (e claro, corre bastante!), mas tem uma ótima química com os demais atores. A atuação é, aliás, um dos pontos fortes da trama. A primeira metade depende muito do trio Tom Cruise-Simon Pegg-Rebecca Ferguson, que funciona de maneira equilibrada e arrojada. O timing de comédia e humor de Simon Pegg encaixa-se como uma luva na clima de cinema pipocão proposto por Missão: Impossível e o talento do ator é bem melhor aproveitado do que em Protocolo Fantasma. Rebecca Ferguson talvez tenha sido exageradamente sexualizada em algumas cenas, mas o trabalho da atriz honra um “Verão” em que o cinema foi brindado com a presença de Charlize Theron em Mad Max: Estrada da Fúria. Ferguson faz parte da porradaria, atua bem e acrescenta um excelente tempero ao filme.

Contudo, o resto do elenco foi um pouco subaproveitado. Alec Baldwin não compromete, exercendo o típico burocrático do governo; Jeremy Renner tem um papel bem mais contido do que vimos em Protocolo Fantasma; o vilão, vivido por Sean Harris, não é um mal antagonista, mas não consegue chegar nem perto da presença que Philip Seymour Hoffman teve no terceiro filme. Acho que o “desperdício” que mais me entristece é o de Ving Rhames, o Luther, que acompanha Cruise/Hunt desde o primeiro filme. Talvez tenha sido seu papel de menor destaque. Apesar disso, a química do elenco, como um todo, é um dos pontos positivos da obra.

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O filme funciona não apenas devido a seu elenco, mas também, pelo seu roteiro, escrito por Drew Pearce e Christopher McQuarrie (que também dirige o filme). Apesar de suas ideias meticulosas e suas (esperadas) reviravoltas, a trama aposta no simples. E talvez seja por isso que o filme flui de maneira tão bem e proveitosa. O corte final do longa (mais de 2h10 de duração) pode ser um pouco extenso, mas o espectador não vê o tempo passar. A história mantém a atenção presa, possui um humor bem distribuído, ação na hora certa, tem reviravoltas válidas (e que bom que os trailers, um problema recorrente em Hollywood, não entregaram nada desta vez) e cumpre seu principal dever: divertir. Dos filmes deste Verão, Missão: Impossível – Nação Secreta é o que melhor cumpre a missão (!) de um cinema pipocão, perfeito para um domingo à tarde. Uma única ressalva: o terceiro ato do filme, talvez, seja o mais fraco da obra. Ele não é, de maneira alguma, ruim, ou chega a destruir o filme. Mas a ação dele, principalmente, fica aquém do que vemos na primeira 1h30 de filme.

A direção de McQuarrie também é outra qualidade de Nação Secreta. As cenas de ação são bem pensadas e executadas, e o diretor mostra tudo de forma limpa, sem colocar uma câmera desesperada, que não sabe o que filmar. A cena do avião, tão divulgada no marketing do filme, já é uma das mais icônicas deste ano. A condução do filme, assim como sua fotografia, também são boas, e fico feliz pela decisão do não 3D (que mais blockbusters sigam o exemplo!). Ele também utiliza bem da fantasia presente na franquia, mostrando aparelhos mirabolantes, máscaras, mensagens gravadas em disco de vinil. O mais legal nesse aspecto é que, apesar de manterem o clima, cada diretor consegue dar sua assinatura a obra, o que torna a franquia bem dinâmica. Neste quinto filme, uma das assinaturas fica por conta da parte sonora. A composição de Joe Kraemer não apenas complementa o visual, e sabe utilizar o tema clássico na hora certa, mas o som ganha importância quando ele não está lá. Na perseguição em alta velocidade, o ronco dos motores toma conta da sala de cinema; quando Hunt vai para de baixo d’água, tudo emudece, o que aumenta a sensação sufocante da cena. Detalhes que fazem toda a diferença.

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Ainda não sei dizer se Nação Secreta é o meu favorito dos 5. Mas é fato que a série, assim como um bom vinho, vai ficando cada vez melhor a medida que o tempo passa, se refinando cada vez mais, melhorando em todos os seus aspectos. Tom Cruise já anunciou que teremos o 6º filme e a ideia não poderia ser mais bem vinda. Quanto mais Tom Cruise correndo e fazendo cenas malucas, melhor. Vida longa a Missão: Impossível!

Nota: 8,5/ 10.

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7 comentários sobre “Missão: Impossível – Nação Secreta

  1. Com esse comentário “Quinto capítulo da franquia é a prova que ela só tende a melhorar”, não precisei ler o post inteiro, eu já sou fã de carteirinha da franquia, muito bom saber, não vejo a hora de assistir!

  2. Pingback: Vida – Filmaiada

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