O Agente da U.N.C.L.E.

“Embalado por trilha internacional, novo filme de Guy Ritchie aposta na ação e no humor para cativar”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Além de ser o ano do retorno de franquias famosas e mais um ano em que os super heróis deram o que falar, 2015 é, também, o ano dos filmes de espionagem. Começou bem com o visceral Kingsman, evolui com a chegada do quinto Missão: Impossível, e teremos o 24º filme de James Bond em novembro. No meio disso tudo, O Agente da U.N.C.L.E. tenta deixar a sua impressão.

A releitura da série de TV dos anos 60 é produzida pela Warner Bros. e marca a volta do diretor Guy Ritchie às telonas, ausente desde Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras, de 2011. No longa, em plena Guerra Fria, uma aliança improvável é formada entre o agente da CIA e ex-ladrão Napoleon Solo (Henry Cavill) e o agente da KGB Illya Kuryakin (Armie Hammer). O objetivo? Impedir que uma organização criminosa comandada por Victoria (Elizabeth Debicki) consiga produzir uma bomba atômica. Para impedir isto, os dois terão que resgatar o pai de Gaby (Alicia Vikander), além de contar com a ajuda dela para que seus disfarces funcionem.

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Mesmo sem ter visto Snatch (uma das minhas várias lacunas do meio cinematográfico), os filmes de Ritchie sempre me agradaram. Seja de Revólver, obra que acho bem interessante e um tanto subestimado, ou de seu dois Sherlock Holmes (que, aproveito, não acho que devem ser desmerecidos após o mundo conhecer o Sherlock da BBC), a temática proposta pelo diretor sempre me atraiu. Em U.N.C.L.E., não é diferente. Encarregado da direção e um dos roteiristas do filme, função que divide com Lionel Wigram (parceiros no primeiro Sherlock Holmes), Ritchie consegue méritos nos dois campos.

No primeiro, vale a pena destacar as cenas de ação que, mesmo que não esteja no nível de trabalhos mais arrojados (aliás, que filme em 2015 terá uma ação que se equipare com Mad Max: A Estrada da Fúria?), cai como uma luva e funciona perfeitamente para a proposta do filme. Não chega a ser uma ação intensa, mas é isso que permite que o telespectador não fique perdido no desenrolar das cenas. O enquadramento e o posicionamento das câmeras não é algo espetacular, mas é curioso ver sua ousadia em dois momentos específicos, quando a tela é dividida em vários segmentos e proporciona um visual com cara de quadrinho, proporcionando uma dinâmica agradável.

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O lado ruim da direção acaba se misturando com um dos tropeços do roteiro. Existem cortes demasiadamente bruscos, onde a história acaba pulando de um ponto para o outro sem grandes explicações, o que deixa a trama um pouco desconexa. Outro ponto negativo deste quesito é que o filme demora a incrementar o humor, uma das marcas do seriado, na trama.

Em contra partida, quando o humor aparece, ele leva a obra a outro nível. O trabalho em cima da canastrice de Solo é bem executado, o que corrobora também para o ótimo trabalho de Henry Cavill, que evidentemente se diverte com o papel. Até mesmo aspectos mais clichês, como a amolecida no coração do durão Illya em sua relação arranjada com Gaby, é feita de maneira interessante e proveitosa. Outros acerto no trabalho dos roteiristas é ter colocado uma mulher como vilã, quebrando o padrão dos filmes de espionagem e mostrando que é possível o sexo feminino assumir o papel de antagonista. Por fim, como é comum nos filmes de espião, as explicações sobre as reviravoltas são bem feitas, apesar de que uma ou outra se encontra logo após o momento de choque criado pelos revés, dissipando, assim, o seu impacto.

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Assim como Cavill, que se diverte com o papel, o resto do elenco também está bem na produção. Armie Hammer mostra um talento bem maior e mais cativante do que o fraco O Cavaleiro Solitário, se saindo bem até no tradicional inglês de sotaque russo; neste ano, o trabalho mais interessante de Alicia Vikander será o do sci-fi Ex-Machina, mas em U.N.C.L.E., a sua química cômica funciona ao lado de Hammer; talvez ela poderia ser um pouco mais explorada, mas quando em cena, o trabalho de Elizabeth Debicki não deixa nem um pouco a desejar. Vale ressaltar também os trabalhos menores feitos por Sylvester Groth e Hugh Grant, que ajudam a qualificar a obra.

Entre todos os aspectos, nenhum foi tão surpreendente e bem vinda como a trilha composta por Daniel Pemberton. A qualidade existe não apenas na parte instrumental, quando há a mistura do clima de espionagem com o lado mais leve e divertido do filme, mas também na escolha das músicas que permeiam a obra. Uma selação internacional de cantores, que vai do italiano Peppino Gagliardi até o brasileiro Tom Zé, ajuda a conceder (e temperar) o filme com uma atmosfera bem agradável. Uma das minhas favoritas deste ano.

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Finalmente, O Agente da U.N.C.L.E. consegue manter a qualidade do gênero de espionagem em 2015, mesmo não tendo reproduzido o sucesso comercial dos demais (o filme faturou, até agora, US$ 72 milhões pelo mundo todo). Uma pena, já que adoraria ver uma continuação. Ao menos, é bom ver que Guy Ritchie continua em boa forma, e mal posso esperar pelos seus próximos trabalhos.

Nota: 7,5/ 10.

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