Nocaute

“Filme de boxe de Antoine Fuqua ainda não é o trabalho que levará Jake Gyllenhaal ao Oscar”

Por Luís Gustavo Fonseca

Geralmente, quando falamos em um ator que busca incessantemente a conquista de um Oscar, o primeiro nome que vem a cabeça é o de Leonardo DiCaprio, a ponto do assunto ter se transformado em um meme pela Internet. Mas ele não é o único que almeja este reconhecimento. Nos últimos anos, outro ator vem se arriscando em papéis de variados estilos na tentativa de conquistar o careca dourado: Jake Gyllenhaal. E Nocaute é a sua mais nova investida para alcançar o prêmio.

Na trama, Billy Hope (Gyllenhaal) é um boxeador de sucesso: invicto, com uma carreira de mais de 40 vitórias e tendo ganhado quatro vezes o cinturão de melhor atleta de sua categoria. Apesar de sua personalidade difícil e de ter o pavio curto, ele, ao lado da esposa Maureen (Rachel McAdams) e da filha Leila (Oona Laurence), possui uma vida luxuosa, bem diferente de sua infância difícil em um orfanato. Contudo, após uma tragédia familiar, o mundo de Billy vem abaixo e ele perde tudo o que conquistou. Somente com a ajuda do treinador Tick Wills (Forest Whitaker) que o boxeador poderá, não apenas dar a volta por cima na carreira, mas também, na vida.

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A história escrita por Kurt Sutter (o criador de Sons of Anarchy) tem todo o plano de fundo clichê deste tipo de obra. Do personagem problemático, que mesmo com as adversidades demora a tomar uma postura diferente, até o momento de sua redenção. Entretanto, não é por fazer parte de um modelo que já está no imaginário das pessoas, que a história não seja interessante. Toda a derrocada da vida de Billy, assim como o desenvolvimento (cheio de altos e baixos) do relacionamento com sua filha, são alguns dos atributos que permitem aprofundar o lado dramático do personagem. O ritmo da obra também é surpreendentemente agradável, já que o longa tem mais de 2h de duração, mas dificilmente o telespectador vê o tempo passar. De negativo neste quesito, alguns saltos na narrativa que deixam certos aspectos desconexos, prejudicando a construção do filme como um todo.

A direção de Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, O Protetor) vai se aprimorando no decorrer do filme, assim como o seu protagonista. Na primeira metade, há vários momentos que incomodam, nos quais a câmera treme em tomadas mais tranquilas, algo que é corrigido posteriormente. Ele repete algumas das características vistas em O Protetor, como os close-ups para captar as expressões dos personagens, e a beleza e os detalhes das expressões nas cenas de luta. Aliás, as sequências filmadas dentro do ringue são excelentes, seja filmando (mesmo que brevemente) em primeira pessoa, ou utilizando-se do slow motion para potencializar o choque de um golpe. Pode não ser o seu melhor trabalho, mas a direção de Fuqua dá uma assinatura ao filme.

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O principal chamariz da obra é Jake Gyllenhaal, que continua com suas transformações físicas e papéis alternados em busca da disputa por um Oscar (e para apagar Príncipe da Pérsia de nossas mentes). Sua atuação, aqui, é mais contida que em trabalhos recentes, como O Abutre e Os Suspeitos, e talvez por isso não tenha me agradado tanto. Ele ainda tem, no filme, seus momentos de porralokice e ‘descontrole’ (que eu, por sinal, gosto muito), mas é algo bem mais sóbrio e pés no chão. Apesar de tudo isso, é, sem dúvidas, um trabalho competente. Juntando-se a ele, ainda há a atuação de Forest Whitaker (que cai como uma luva nesse papel de paizão) e da jovem Oona Laurence, que consegue contrabalancear Gyllenhaal nas cenas em que os dois dividem.

Por fim, mas não menos importante, outro ponto positivo do filme vai para sua parte sonora. O som ambiente, como o do barulho da torcida, dá a impressão que você está dentro da arena, assistindo a luta in loco. E a trilha de James Horner (Avatar, Coração Valente), que faleceu em junho em um acidente de avião, também corrobora para dar o tom e embelezar a obra.

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De uma leva de filmes recentes do gênero, como Guerreiro e O Vencedor, Nocaute talvez seja o mais ‘esquecível’ da sequência, mesmo sendo capaz de manter o patamar do tipo. Pelo visto, a busca de Gyllenhaal pela estatueta vai continuar, já que Nocaute não voa alto o bastante. E no Festival de Toronto, que acontece entre 10 e 20 de setembro, o primeiro buzz causado por sua nova empreitada, Demolition, dá a entender que ele continua tentando. Se irá conseguir, só o futuro será capaz de dizer.

Nota: 7/ 10

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