Alien – Quando fugir não é uma opção

Por Filipe Elias

Quando lançou Alien, Ridley Scott era uma promessa vinda da publicidade com um bom filme no currículo – Os Duelistas, cópia pouco disfarçada de Barry Lyndon de Stanley Kubrick. Nada indicava que sairia dali um dos filmes de horror mais inventivos feitos.

Alien – O 8º passageiro não inaugurou a onda de filmes que os personagens morrem um a um em ordem crescente de contracheque.  Mas elevou essa ideia a níveis artísticos nunca vistos. Uma nave espacial com 7 tripulantes encontra uma criatura desconhecida. Já na nave, a criatura acorda (de mau humor, lamentavelmente) e começa a atacar os tripulantes em busca do hospedeiro que precisa pra se reproduzir. E só. O resto são sustos, adrenalina e Sigourney Weaver agarrando com força o papel da vida de uma atriz.

Alien 3

Décadas depois o filme continua impactante. Não parece ter sido feito hoje, é filho de sua época, o que é ótimo! O filme para, espera, respira, manipula o tempo.  E passa voando. Cada cantinho escuro vira uma ameaça. Fugir pra onde? Os personagens são críveis e cada morte é icônica.

A ação é concentrada no espaço fechado de onde é impossível fugir. O clima de claustrofobia, que a série tentou em vão repetir no terceiro filme, aumenta a urgência, o desespero de não ter para onde fugir quando tudo que resta é o medo primal de algo incontrolável, incapaz de ter misericórdia. Como diz o personagem de Ian Holm, é um organismo perfeito. Para o espectador, é o monstro perfeito, que não segue regras e fica cada vez mais ameaçador. Pense nos filmes de terror recentes, em que quando mais você conhece do vilão, menos interessantes eles ficam (Jigsaw, estou olhando pra você!). Fácil notar como o feito realizado aqui é especial, o que torna as explicações meia boca do recente Prometheus ainda mais criminosas.

Alien 5

Não é só no visual que Alien dialoga com o trabalho de Kubrick (tem muito de 2001 – Uma Odisséia no Espaço aqui), mas na noção de isolamento do ser humano, deixado à própria sorte, que enfrenta o quão pequeno e frágil pode ser. É a força feminina que vence a briga, outro tema repetido sem sutileza nenhuma nos filmes posteriores da série. É para os anos 80 o que Mad Max: Estrada da Fúria foi para 2015. A missão e os personagens são um filme em si e não uma desculpa para o banho de sangue.

Repare também no visual das máquinas, tão orgânicos quanto à criatura. Na cena inicial, as cabines de hibernação se abrem como asas de um inseto. Lá dentro, um útero quente guarda os personagens que despertam para o pesadelo que mal imaginam que virá.  O filme começa e termina com um sono.

Alien 4

Alien marcou época. Terminou por se tornar uma série estranha, irregular, em que cada filme tem personalidade, qualidades e defeitos próprios (este escriba confessa seu amor por Aliens, o Resgate, de James Cameron).  A tentativa de assassinar a franquia no terceiro filme, felizmente, falhou. Ainda aguardamos um quinto capítulo.

Dá pra notar nossa relutância em entregar demais a história, porque a experiência nesse caso é fundamental. Chame os amigos, desligue os telefones, apague as luzes e tenha medo. No espaço, ninguém vai ouvir você gritar. Se seu vizinho ouvir, convide-o para a sessão.

Alien 2

Ah, e dê adeus às suas unhas antes de assistir. Elas serão a primeira vítima.

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3 comentários sobre “Alien – Quando fugir não é uma opção

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