[REVIEW] Peter Pan

“Quando a releitura da obra sobre infância esquece de sua própria criança.”

Matheus Araujo

Em meio as recentes releituras dos clássicos infantis, Peter Pan tem a pretensão de desconstruir o menino que se recusa a crescer. Ao mostrar como Peter (Levi Miller) chegou à Terra do Nunca, quando lá ainda James Hook (Garret Hedlund) não é o famoso capitão e o território está sujeito as maldades de outro imortal bucaneiro, Barba Negra (Hugh Jackman), que, pelo que se sabe, dizimou as fadas.

A nova visão de Joe Wright possui seus méritos e deméritos. O primeiro ato é ótimo e apresenta bem a proposta de Peter Pan “begins”. Afinal, o passado do menino sempre nos instigou e confrontá-lo com a extinção da fantasia torna o mistério ainda melhor. Ademais, concebido para ser um espetáculo, inclusive com um ótimo 3D brincando com os limites da tela, o visual não é impecável por deslizes na computação gráfica, incapaz de entrega semelhante ao que os blockbusters nos (mal) acostumaram. Outra das fortalezas do longa-metragem é a música, interessante tanto em suas inserções pop, quanto na composição original.

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As falhas surgem ao transformar a história em algo, de certa forma, mais comercial. Mais convencional. Menos especial. Assim, Peter Pan produz uma história de coincidências. Veja bem, o sujeito chamado Hook, por acaso, terá um gancho no lugar da mão perdida! É tipo o Barba Negra ser chamado assim desde imberbe infante.

O inconsistente comando de Wright reverbera nas atuações. Ainda que caricatas, teatrais, funcionam. A única que realmente me soa forçada é a de Tiger Lily (Rooney Mara), sobretudo em sua dinâmica com Hook, na qual este também responde com seus piores momentos. Por outro lado, o protagonista infantil é, na medida do possível, competente e Hugh Jackman, dando a lógica, faz o melhor trabalho da película. Sua introdução certamente é a cena mais marcante do filme.

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Infelizmente, o roteiro, importantíssimo na releitura, decepciona. Apesar de se justificar tranquilamente ao início, o desenrolar não envolve – agravando a pobreza desta Terra do Nunca e descartando o cerne da história original. Envelhecimento, o principal legado da obra, é mal trabalhadíssimo e, daí, pouco importa se não acreditarmos nas fadas. A obsessão de Peter com sua mãe, a motivação central do personagem, o torna irritante. Caso a discussão deveras centralizasse sua escolha pela infância eterna e o combate da extinção da fantasia, o personagem ganharia melhores ares.

Peter Pan é sobre a magia da infância, o poder dos contos de fadas, enquanto este filme mal é capaz de entreter.

Nota: 5,5/ 10.

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