[REVIEW] A Colina Escarlate

“Visual gótico é o principal trunfo do novo filme  de Guillermo del Toro.”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

O mexicano Guillermo del Toro, estranhamente, tornou-se um dos meus cineastas favoritos, mesmo eu tendo visto pouca coisa da carreira do diretor. O aclamado O Labirinto do Fauno é uma das mais memoráveis fantasias da década passada (apesar de que, admito, não acho que o filme esteja no patamar que alguns defendem); Pacific Rim foi um dos melhores filmes de 2013, com os jaegers dando um show para cima dos autobots de Michael Bay. Mas, mesmo quando é produtor, como é o caso de Festa no Céu, o traço estilístico do mexicano fica perceptível, o que distingue a animação das demais. Isso sem contar vários projetos que ele anuncia, como o filme da Liga da Justiça Sombria ou a versão dark de Pinocchio, que já conquista o interesse do público só pela ideia inovadora.

Em 2015, del Toro volta a atacar na fantasia mais pesada com A Colina Escarlate. Na trama, a escritora Edith Cushing (Mia Wasikowksa) luta para publicar seu livro, apesar das dificuldades que ela enfrenta por ser mulher. Durante sua trajetória, se apaixona por Sir Thomas Sharpe (Tom Hiddleston) e acaba se mudando para uma sombria mansão no topo de uma colina, onde, além do marido, mora também com a cunhada, Lucille (Jessica Chastain). A casa possui uma história macabra, e a sanidade de Edith é posta a prova quando seres do outro mundo começam a se manifestar.

CP 1

Visualmente, o filme chama bastante atenção. O estilo gótico proposto por Del Toro se sai bem ao criar um cenário apreensivo e cheio de terror. Sua direção de arte é um primor a parte, seja na elaboração dos fantasmas que assombram a casa, no vestuário dos personagens ou nos cenários escolhidos. Tudo isso é reforçado pela excelente fotografia de Dan Lausten que, em meio aos ambientes mais escuros e agonizantes, sabe reforçar as cores vivas no filme (sobretudo, o vermelho). Ajudando ainda mais na imersão desejada pela obra, há a trilha competente e bem feita, composta por Fernando Velázquez, que dá requintes ao clima de horror da mansão mal assombrada.

Contudo, o roteiro assinado por Del Toro e Matthew Robbins não se sai tão bem assim. O primeiro ato do filme acaba destoado de seu restante, pois nem há a impressão de que a história será, de algum modo, de terror. E, ao menos comigo, falha ao tentar criar e desenvolver personagens interessantes. Felizmente, o longa consegue se recuperar e nos leva a um clímax agitado, bem executado e satisfatório. Aliás, sou o único que enxerga uma espécie de homenagem a O Iluminado neste final?

CP 3

Por causa do roteiro, o trabalho dos atores acaba sendo prejudicado, com bons talentos sendo subaproveitados. É o caso de Jessica Chastain (Interesterlar, Perdido em Marte) e Tom Hiddleston (o Loki do Universo Cinematográfico da Marvel), que já desempenharam papeis melhores. Apesar disso, a química da dupla é dinâmica e capaz de prender a atenção do telespectador. O trabalho dos dois funciona ainda melhor com a presença de Mia Wasikowksa em cena, provando que ela melhorou desde quando apareceu para o mundo em Alice no País das Maravilhas.

Finalmente, mesmo sendo o trabalho do mexicano que menos tenha me cativado, A Colina Escarlate é mais uma prova do talento e da visão que Guillermo Del Toro possui. No mês do Halloween, o filme não poderia ser mais bem vindo. Que, agora, o diretor possa focar em novos trabalhos, e que eles se tornem realidade.

Nota: 7/ 10.

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