Sicario: Terra de Ninguém

“Em novo filme, Denis Villeneuve reafirma sua competência e qualidade.”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Denis Villeneuve é um dos ‘novos’ cineastas que, talvez, fuja um pouco da regra imposta pelo mercado. Nos últimos anos, diretores de filmografia curta foram alavancados imediatamente para comandarem grandes blockbusters. É o caso de Josh Trank com o novo Quarteto Fantástico; Colin Trevorrow com Jurassic World e, agora, Star Wars Episódio IX; Gareth Edwards com Godzilla e Star Wars: Rogue One; do próprio Neil Blomkamp, que após ter sido indicado a Melhor Filme do Oscar por Distrito 9, lidou com um grande orçamento em Elysium e voltará aos holofotes com Alien. Vileneuve também está nesse bolo, já que terá a difícil missão de dirigir a sequência de Blade Runner, um dos maiores clássicos da ficção científica.

Mas ao contrário de alguns desses exemplos, Villeneuve mostra ter uma carreira mais sólida antes de lidar com tão sórdida tarefa. Em 2011, ele teve seu filme, Incêndios, indicado a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar. Depois, dirigiu um dos meus filmes favoritos de 2013, Os Suspeitos. E Sicario é o mais novo exemplo do talento existente no cineasta.

Sicario 2

Na trama, a agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt) tem sua vida e carreira sacudidas quando, durante uma investigação para combater os cartéis de droga mexicanos no Arizona, encontra uma casa repleta de cadáveres. A investigação ganha um contorno muito maior, e Kate se voluntaria para ajudar o funcionário do Departamento de Defesa, Matt Graver (Josh Brolin), e o misterioso Alejandro (Benicio Del Toro), a resolver o crime. Contudo, o desenrolar do crime colocará a agente em conflito de sua moral com o que deve ser feito.

Assim como Os Suspeitos, o ritmo do filme será um desafio para aqueles que gostam e estão acostumados aos blockbusters atuais. Sicario tem sua pegada própria, cadenciada, que se constrói aos poucos e não corre para explicar as coisas. Intencionalmente (ou assim espero), o roteiro da obra procura te deixar tão no escuro quanto a personagem de Emily Blunt, escondendo as motivações dos personagens principais. Uma escolha arriscada, que compensa pelo fechamento e execução do filme, resultando em uma trama bem amarrada. Contudo, a tática pode perder a atenção de alguns espectadores, o que pode impactar diretamente na avaliação final do longa.

Sicario 4

O trio de atores principais mostra um trabalho competente e uma boa química entre eles, principalmente nos diversos momentos de tensão existentes. Se destaca, dos três, o trabalho de Benicio Del Toro (Guardiões da Galáxia), em um papel mais soturno e melhor aproveitado pelo filme. Josh Brolin e Emily Blunt não comprometem (a última, aliás, reforça sua capacidade em lidar com o protagonismo), mas já tiveram papéis mais chamativos.

Quanto a Villeneuve, Sicario é mais um exemplo de seu talento. O diretor demonstra, mais uma vez, sua habilidade de criar uma ambientação de suspense que atinja o espectador com força. O clima de tensão estabelecido pelo filme faz com que você fique tão atento aos seus detalhes como a agente Kate. Isso é reforçado, ainda, pela nova parceria entre ele e Jóhann Jóhannsson (Os Suspeitos, A Teoria de Tudo), que compõe uma trilha competente e que coloca o espectador ainda mais no clima do filme.

A fotografia do filme é outro aspecto que deixa a obra ainda mais rica
A fotografia do filme é outro aspecto que deixa a obra ainda mais rica

Os méritos do diretor também são visíveis no seu manejamento com a câmara, ao filmar planos altos e abertos, bem contemplativos (combinando com a proposta da obra), e nas opções tomadas no último ato do longa, ao filmar com lentes de visão noturna. De negativo, que ele certamente terá que rever para Blade Runner, é a sua ação. Ela fica escondida e é pouca explorada no clímax, algo que dificilmente ocorrerá na continuação da clássica ficção científica, mesmo devido ao caráter mais comercial que este deve ter.

Finalmente, Sicario é a prova definitiva da qualidade de Denis Villeneuve, que comprova ter uma carreira muito mais segura e promissora de que outros diretores ‘prematuros’ em situação semelhante. Se a continuação de Blade Runner tiver o mesmo clima de suspense e tensão de seus outros trabalhos, existe a certeza que o projeto dará certo.

Nota: 8/ 10.

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