O nome é Craig… Daniel Craig

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Apesar da longa lista de filmes (Contra Spectre será o 24º filme da franquia), o meu interesse e afeição por 007 veio com o saudoso e épico 007 contra Goldeneye, do Nintendo 64. É verdade que não jogo o game há vários anos, mas foi o suficiente para ele se tornar um dos meus mais queridos. Depois, houve ainda outros jogos para o Play Station 1 (como o 007 Racing) e, meio que por tabela, comecei a assistir aos filmes estrelados pelo Pierce Brosnan. Eram legais, sobretudo quando eu via na tela as cenas que eu estrelava nos jogos, mas nunca foi algo que explodiu minha cabeça. Apenas quando Daniel Craig passou a viver o espião inglês que eu comecei a acompanhar a franquia mais de perto e, consequentemente, a gostar dela.

De forma resumida, posso dizer que Cassino Royale é um espetáculo. Os primeiros vinte minutos mostram como essa nova abordagem de Bond tinha uma pegada diferente dos filmes anteriores, recebendo influência de outras franquias que surgiram no início da década, como o ritmo frenético de Bourne e o jeito durão do protagonista de 24 Horas. A perseguição pelas construções e ruas de Madagascar já colocam o filme a duzentos por hora, em um estilo de introdução que se repetiria nos demais filmes estrelados por Craig.

Craig 2

Não apenas no começo, mas durante todo o longa, a ação é bem realizada, com sequências de tirar o fôlego e que, também, possuem um toque de humor: enquanto o alvo de Bond foge realizando manobras diversas de parkour, o durão inglês passa correndo por uma parede (literalmente). Mas nem tudo é correria: a direção de Martin Campbell (que, pasmem, anos depois iria dirigir Lanterna Verde) acerta na construção da tensão em volta da mesa de pôquer, não perdendo a atenção do espectador. Momento que permite que Daniel Craig e o vilão Le Chiffre, vivido por Mads Mikkelsen, apenas pela troca de olhares, imponham suas presenças e travem um duelo psicológico.

Vale, também, parabenizar a edição e o roteiro do longa, que alternam a ação e o drama na medida certa. O momento em que a obra “descansa” é quando a personalidade deste novo Bond é melhor desenvolvida e o espectador tem a chance de conhecê-lo melhor. O público já conhece os principais traços do personagem, mas Craig consegue acrescentar algo mais. Além do charme inerente ao papel, há momentos em que ele é frio, durão e apresenta um traço sarcástico que dá um tempero a mais ao filme. Há momentos, aliás, que vemos em tela um James Bond que deixaria com orgulho os maiores malandros brasileiros. O roteiro, ainda, possui mérito na construção da relação entre Bond e Vesper (Eva Green), assim como nos pequenos detalhes que permitem o grande plot twist presente na trama.

Craig 3

Cassino Royale ainda merece elogios em relação às atuações, com o trio principal (Daniel Craig, Eva Green e Mads Mikkelsen) se saindo muito bem e apresentando uma química que funciona. Outra que merece atenção é a trilha sonora, composta por David Arnold e que colabora ao ditar o ritmo do filme e reforçar os seus principais momentos, sobretudo com a variação da música tema, You Know my Name (muito boa, por sinal).

E é justamente por Cassino Royale ser tão bom, que eu acho Quantum of Solace tão… Desinteressante. O filme não chega a ser ruim, mas não consegue igualar as qualidades presentes no anterior. Curioso se pensar que o diretor Marc Forster (Guerra Mundial Z) até faz um filme mais rápido e com um clímax mais explosivo, mas a tensão, peça chave no antecessor, faz falta. Mesmo sendo quase 40 minutos mais curto, Solace se arrasta bem mais. A ação também não é a mesma coisa, apesar de ainda termos bons momentos, como a perseguição de barcos no primeiro ato do filme.

Quantum of Solace

O roteiro também parece ser mais preguiçoso. Solace procura fechar algumas pontas soltas de Royale, motivando Bond em uma cruzada pessoal para se vingar dos assassinos de Vesper. O plano do vilão é o do tipo mirabolante que marca a franquia, mas o vilão em si, Dominic Greene (Mathieu Amalric) é fraco e fica bem aquém do Le Chiffre de Mikkelsen. As atuações, aliás, também ficam devendo: é um trabalho mais fraco também de Craig e, apesar de julgar que Olga Kurylenko está razoavelmente bem, a química entre ela e o protagonista não funciona como foi entre Craig e Green. A trilha é composta mais uma vez por David Arnold, mas o tema de Solace, Another Way to Die, é fraquinho, e não permite que ele brinque tanto com o tema no decorrer do filme, o que faz falta.

Falando em música tema, eu recomendo (MUITO!) que você dê o play para ler sobre Skyfall:

 

O belíssimo tema cantado por Adele é um dos vários motivos que fazem deste 3º filme estrelado por Craig meu favorito. É verdade que não é fácil escolher entre ele e Royale, mas o tom e a condução de Skyfall o elevam a outro nível, em um verdadeiro filmaço! A perseguição inicial não tem a maluquice e o improviso visto seis anos antes em Madagascar, mas possui o mesmo nível de surrealidade desta, como quando Bond entra em um trem por meio de uma escavadeira. A sequência é o cartão de visitas do diretor Sam Mendes, vencedor do Oscar por Beleza Americana. A ação neste novo capítulo é menos exagerada do que vista em Solace, mas aparece de maneira muito mais precisa e eficiente, dando à obra a solidificação necessária para que ela se imponha entre os melhores filmes de ação dos últimos anos.

O mérito maior de Skyfall mora no roteiro, escrito mais uma vez pela dupla Neal Purvis e Robert Wade (responsável pelos demais filmes com Craig) e com o acréscimo de John Logan (Gladiador). A trama é inteligente ao colocar Silva (Javier Bardem) como um vilão hacker e independente, mostrando que as ameaças presentes no século XXI são mais complicadas de serem resolvidas pelos Serviços de Inteligência. É nesse argumento que há o confronto deste mundo moderno com a visão “simples” e clássica dos filmes de espionagem, com o duelo entre as superpotências no auge da Guerra Fria. E é neste enfrentamento que é posto em cheque a experiência e competência de M (Judi Dench), tida como representante deste velho mundo, assim como pondo Bond, um “velho agente”, também em situação de descrédito por parte de seus piores. Desta vez, ambos precisam provar do que ainda são capazes.

Aliás, é louvável que os roteiristas tenham posto M como peça principal da trama, já que Skyfall também é uma trama sobre a relação entre mãe e filho. A relação é um dos melhores aspectos desenvolvidos pelo roteiro, e a chance de aprofundar bem mais a personagem, presente na franquia deste Goldeneye, oferecendo a oportunidade de fazer um tributo a ela. O enredo também aprofunda, de forma competente, o passado de James Bond, revisitando sua infância e a própria franquia, ao trazer de volta o icônico Aston Martin DB5, em comemoração aos 50 anos da franquia.

Como dito, há um tom diferente neste novo filme. Uma tensão diferente do que sentida em Royale e, por isso, bem vinda. A condução de Sam Mendes é mais tranquila e desacelerada, permitindo que as principais relações da obra sejam estabelecidas e as personagens possam ser bem exploradas. Méritos também para a fotografia de Roger Deakins (Sicario, Os Suspeitos), que incrementa na ambientação mais pesada do filme e lhe concede um toque mais sério. O clima do filme ainda é reforçado pela excelente trilha de Thomas Newman (WALL-E), que faz com que o espectador fique ligado o tempo inteiro.

Craig 5

Mendes também demonstra ter uma boa direção de atores e o elenco é muito bem aproveitado. É a melhor personificação de Craig no papel e, tendo tempo, Judi Dench mostra que não foi à toa que ela esteve na franquia por 7 filmes. É ótimo ver as interações entre os dois! O elenco conta com novos atores na franquia, que deixam uma boa impressão, como é o caso de Bem Wishaw, Naomie Harris e Ralph Fiennes. Contudo, quem rouba o filme para si é Javier Bardem, em uma atuação tão monstruosa e bem feita como o do seu papel em Onde os Fracos Não tem Vez. Para mim, um dos melhores vilões que Bond já teve o prazer de enfrentar.

São todas essas qualidades que o público espera ver em Spectre. O filme conta com o retorno de Sam Mendes na direção, e talvez marque a última vez que veremos Craig no papel. O ator já falou que preferia “cortar os pulsos” a interpretar o agente mais uma vez, mas Money talks e nunca se sabe o que pode acontecer. Além disso, a obra conta com um baita elenco, tendo alguns remanescentes de Skyfall e novos nomes como Monica Belluci, Léa Seydoux, Andrew Scott e, claro, Christopher Waltz no papel do vilão. Então, prepare-se com seu Martini batido, pois 007 está voltando para o dever!

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