2015: Um ano para a Sony esquecer

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Detentora de franquias como Homens de Preto, Anjos da Lei, 007 e (em parte agora, é verdade) Homem Aranha, a Sony é um dos grandes estúdios de Hollywood. Além destas, o estúdio é o responsável por alguns dos filmes que fizeram barulho nas últimas edições do Oscar, como Trapaça, Rede Social, Distrito 9 e Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Em 2015, contudo, um cenário até então estável foi profundamente abalado, e o estúdio agora enfrenta um dos seus piores anos deste século.

Para entender o tamanho do fracasso deste ano, é necessário voltar em 2014, onde tudo começou. No segundo semestre, à medida que se intensificava o marketing de A Entrevista, o estúdio passou a receber vários ataques de hackers, o que levou a divulgação de várias informações sigilosas da empresa, como os salários de alguns de seus atores e até mesmo o lançamento na rede de suas produções, como Corações de Ferro. A imagem da Sony ficou manchada e ela optou por lançar A Entrevista direto para serviços on demand e de streaming, tendo um prejuízo de dezenas de milhões. Como eu já falei aqui, o filme, definitivamente, não compensou o prejuízo que o estúdio teve. Eu só não poderia imaginar, na época, que isso seria a ponta do iceberg.

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Vendo os números da Sony este ano.

Em números, o ano da Sony é vergonhoso. No levantamento feito pelo BoxOfficeMojo, até 25 de Outubro, o estúdio havia arrecadado 650 milhões na bilheteria doméstica (aquela que considera apenas os valores arrecadados nos EUA e Canadá), com 15 filmes lançados (sendo 3 remanescentes do ano passado). É a pior arrecadação dela desde 2001, quando, a esta altura, tinha faturado cerca de U$600 milhões. Para você ter uma ideia da gravidade da situação, o top 3 do estúdio neste ano (Hotel Transilvânia 2, Pixels e O Segurança do Shopping 2) envolvem o Adam Sandler e o Kevin James. ISSO MESMO! ADAM.SANDLER.E.KEVIN.JAMES!

Tá, o Hotel Transilvânia 2 é até uma animação divertida, que cumpre seu papel de agradar seu principal público alvo, por isso nem chega a ser um problema. Mas Pixels é uma das piores coisas que tive o desprazer de ver este ano no cinema, e passei longe de o Segurança do Shopping porque tenho mais o que fazer com meu dinheiro. O pior é pensar que filmes melhores, como Chappie, Sob o Mesmo Céu e A Travessia, tiveram um desempenho muito mais fraco e desastroso.

Salve-se quem puder
Salve-se quem puder.

Em defesa da Sony, é necessário dizer que o principal lançamento do estúdio, 007 Contra Spectre, só será lançado na América do Norte e na maior parte do mundo a partir da próxima sexta-feira (6). A expectativa dos analistas de bilheteria é que o filme consiga arrecadar um montante próximo do que Skyfall conseguiu em 2012/13, a bela quantia de US$1,1 bilhão. O problema? Especula-se que Spectre tenha custado absurdos (para não dizer surreais) 350 milhões de dólares (só para efeito de comparação, Vingadores: Era de Ultron, que é um filme que tem um investimento muito maior em efeitos especiais, custou US$250 milhões). Segundo uma matéria do The Hollywood Reporter, mesmo que Spectre igualasse a arrecadação de Skyfall, e se seu valor de produção fosse de “meros” US$250 milhões, o lucro da Sony seria de apenas 35 milhões de Obamas.

Para completar este túnel sem luz no fim, a Sony pode perder suas principais franquias. O Homem Aranha já fará parte do Universo Cinematográfico da Marvel no próximo ano, em Capitão AméricaGuerra Civil. O novo reboot do personagem pode até ser vantajoso, já que a integração com heróis como Homem de Ferro e Capitão América pode recuperar o prestígio do Cabeça de Teia. Mas ainda está muito nebuloso de como será feita a divisão de lucros quando o novo filme solo do herói sair em 2017. Já James Bond pode estar fazendo seu último filme ao lado da Sony: o acordo de 4 filmes do espião inglês termina em Spectre, e a MGM, detentora dos direitos do personagem, poderá procurar por outros estúdios para a realização de filmes futuros.

Daniel Craig - New James Bond movie Casino Royale

O futuro da Sony é difícil de prever: no próximo ano, o estúdio apostará em filmes como Angry Birds (Meu Deus…), Ghostbusters e os remakes de Jumanji e Magnificent Seven. Para sair da crise, a Sony pode apostar em uma preciosa carta na manga: as adaptações de jogos da empresa. O filme do Uncharted já está previsto para 2017, e o projeto do longa de The Last of Us ainda não foi para o limbo. Mas até nesta saída, ela poderá depender de uma rival. No próximo ano, a Universal aposta suas fichas na adaptação de Warcraft, uma consagrada franquia dos games. O épico de fantasia é um projeto custoso, e o seu sucesso (ou não) será fundamental para apontar o futuro das adaptações de jogos em Hollywood. E o futuro da própria Sony.

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