[REVIEW] Aliança do Crime

“Novo filme de Johnny Depp desperdiça, com roteiro temeroso, sua interpretação primorosa”

Por Matheus Araujo

Se a sua intenção ao assistir a Aliança do Crime é contemplar o dito retorno de Johnny Depp aos grandes papéis, vá e compre o ingresso sem medo. Agora, se pretende algo além, fique e pondere um pouco.

Aliança do Crime narra os anos de James “Whitey” Bulger (Johnny Depp) enquanto informante do FBI e como os privilégios deste seu trabalho o alavancaram ao posto de Crime Lord of Boston e, uns anos mais à frente, à lista d’Os mais procurados pelo FBI. A tal aliança se inicia quando o agente John Connolly (Joel Edgerton) compele ao FBI tornar o criminoso em informante para derrubar a Máfia em Boston em troca de certa imunidade. Aproveitando das condições favoráveis, Whitey ascende.

Após amargar a sequência de retumbantes fracassos (Diário de um Jornalista Bêbado, O Cavaleiro Solitário, Transcendence, Mortdecai), Depp ensaia sua volta ao sucesso. E sem deixar de brincar de camaleão para isso. Todavia, o faz em um ambiente mais sujo. Com olhar doentio, Whitey é essencialmente imundo, absolutamente desconfortável, embora o roteiro permita o trânsito entre o pai, o cruel, o popular, o ameaçador… Aliança do Crime é engendrado sob medida para que Depp desencante novamente.

maxresdefault

Uma pena que nenhum outro elemento esteja à altura da performance. O diretor Scott Cooper não conduz o filme de qualquer maneira mais interessante, reduzindo a narrativa a um distante emaranhado de acontecimentos na vida de Whitey que, pouco permitem ao espectador se envolver. E sabe aquela clássica narração de filme policial de vai e volta aos testemunhos? Pois é… Um lugar comum que contamina a fotografia e a trilha, que apesar de desenvolver bem o tema, chega até irritar em sua ininterrupção.

Mas os deméritos não são todos da direção. A culpa recai principalmente sobre o roteiro que não se envereda, ao menos não o suficiente, na lambança feita pelo FBI. De Black Mass (título original) a Black Mess. Por que não mostrar as mazelas de Whitey na sociedade, TODAS elas consequências diretas das cagadas do FBI?

Acredito até que concentrar a “culpa” em Connolly seja uma opção arregona, privando o filme de melhores discussões. Até porque o foco no personagem, ao contrário do que se possa pensar, não o permite grande desenvolvimento, não permite pensar quanto as suas intenções, transformação ou ingenuidade ao tratar com Whitey.

Perpetuando o desperdício, a obra também vela a relação do irmão do criminoso na trama. Apesar de competentemente interpretado por Benedict Cumberbatch, a participação do senador é pontual. Mas, okay. Que aliviem para esse pessoal todo.

black-mass-depp-1280jpg-32cad0_1280w

O que definitivamente lamento é não abordarem o tempo em que Whitey era foragido. A curiosidade que assolou os americanos por décadas era uma opção seguramente mais atrativa à estrutura medíocre e proporcionaria ainda mais oportunidades para Depp se firmar entre “Os mais procurados do Oscar”.

Nota: 6,5/ 10.

Anúncios

2 comentários sobre “[REVIEW] Aliança do Crime

O que você acha sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s