Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

Capítulo final de fenômeno mundial fecha a franquia em grande estilo

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Em 2012, Jogos Vorazes deixou de ser mais uma série infanto-juvenil para se tornar uma nova sensação global. Ao conseguir mais de 400 milhões de dólares na bilheteria doméstica (que considerada o montante dos EUA mais Canadá), o primeiro filme ultrapassou números que nem franquias consagradas como Senhor dos Anéis e Harry Potter conseguiram em solo norte americano. Era o início de fenômeno.

Três anos e dois (ótimos) filmes depois, a caminhada de Katniss chega ao fim. Na segunda parte da adaptação de A Esperança, o público acompanha o derradeiro confronto pela liberdade de Panem, no duelo entre a personagem (vivida por Jennifer Lawrence) e os rebeldes contra o poder da Capital, liderado pelo Presidente Snow (Donald Sutherland).

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Entre os fatores que permitiram que Jogos Vorazes se tornasse uma das mais importantes séries do cinema dos últimos 15 anos, considero duas como fundamentais: a primeira é a escolha de Francis Lawrence (Água Para Elefantes) para comandar as produções, a partir de Em Chamas. O diretor soube encontrar o tom certo para as obras, conciliando uma ação de qualidade e empolgante (como mostrado no 2º capítulo da história) com o teor mais ideológico e distópico que caracteriza a franquia (como desenvolvido em A Esperança – Parte 1).

No seu último trabalho, ele melhora consideravelmente na fotografia, deixando a película muito menos escura (algo que sempre me incomodou nos demais filmes), mesmo com o adendo do 3D (que adianto, pouco acrescenta). A ação do diretor continua calibrada, e tendo o cenário urbano como arena, ele mostra competência tanto nos planos abertos como em ambientes fechados (momento, aliás, em que temos a melhor sequência de ação do filme).

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Outra pedra primordial nesse processo é a fidelidade à obra. Os filmes souberam ser fiéis a passagens e frases dos livros (ou, ao menos, do que eu lembro), se esforçando ao máximo para trazer às telonas o que estava nas páginas. Esforço, por exemplo, que julgo que Harry Potter não teve em vários momentos. O trabalho é mérito dos roteiristas Peter Craig e Dnny Strong. E neste último filme, eles retomam com uma boa característica trabalhada nos dois primeiros longas: a divisão da obra em duas metades. A primeira, mais cadenciada, focada na criação da tensão da grande batalha e no desenvolvimento das relações dos personagens, sobretudo a de Katniss e Peeta (Josh Hutcherson), importantíssima para essa reta final. O segundo momento foca na ação, mas não abandona sua roupagem política, nem o papel crucial da propaganda (tão abordada no filme anterior e, estranhamente, tão criticada). Com essa divisão, o ritmo e o balanço da obra ficam na medida certa.

A Esperança – O Final vem com um velho problema da franquia, que é a trilha sonora. A composição de James Newton Howard (Malévola) talvez seja a mais inspirada dos 4 filmes, mas ainda é muito pouco marcante dado o tamanho da obra. Outro aspecto que lamento é que parte do bom elenco de apoio, como Elizabeth Banks, Woody Harrelson, Jena Malone e Jeffrey Wright, acaba sendo subaproveitada, apesar de que não havia muito que poderia ser feito. Em contrapartida, o tempo extra dedicado ao trio principal (Lawrence, Hutcherson e Liam Hemsworth) talvez tire os melhores momentos dos atores na franquia, havendo uma boa química entre eles. Ainda há outras boas participações, como a da vencedora do Oscar deste ano, Julianne Moore; Philip Seymour Hoffman, em sua última aparição nas telonas; e Donald Sutherland, que executa uma excelente contra parte à presença de Lawrence.

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Finalmente, o fim da jornada de Jogos Vorazes no cinema é coroado com competência e uma execução louvável, aspectos que acompanharam a franquia desde o início. Mesmo com uma passagem rápida (putz, 2012 parece que foi outro dia!), as adaptações da trilogia de Suzanne Collins foram capazes de deixar sua marca na história recente do cinema. Ainda é cedo para dizer se a série se tornará memorável para o grande o público. Mas com certeza, fez o suficiente para influenciar toda uma nova geração.

Nota: 8,5/ 10.

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