[FORA DE SÉRIE] Digimon Tri e o retorno à Odaiba

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Acho que para boa parte do pessoal da minha geração (ali de 1990 pra frente), o grande momento em um desenho que fez as crianças chorarem foi a morte do Mufasa, em O Rei Leão, com as lágrimas escorrendo junto as do Simba. Engraçado que esse momento, apesar de ser triste PRA CACETE, nunca me impactou dessa forma (ou ao menos, não me recordo de chorar vendo essa cena).

O único momento que um desenho me fez chorar mesmo foi ao final da primeira temporada de Digimon. O meu eu de, sei lá, 8 anos, simplesmente não aceitou o fato que o anime chegava ao seu fim. E nem é porque ele foi ruim, muito pelo contrário. Mas era inconcebível para o meu eu criança que não haveriam novas aventuras com Tai, Agumon e companhia. Que eu não os veria eles nunca mais, que deixariam de fazer parte do meu dia-a-dia. Lembro perfeitamente que abri um berreiro e socava descontroladamente o sofá da sala, enquanto minha mãe (coitada!) não entendia o que se passava.

The feels...
The feels…

Outros desenhos e livros me ensinaram, depois, que chegar ao fim de uma jornada ao lado de personagens queridos faz parte. E apesar de enfrentar a dura realidade que é saber que não haverão novas aventuras com eles, há sempre a chance de retomar o material original, e começar tudo de novo.

A não ser quando há o anúncio de um retorno, como foi o caso com Dragon Ball Super este ano. E também o de Digimon. Quinze anos após o lançamento da primeira temporada, a turma original, para nossa sorte e alegria, está de volta. Com um traço reestilizado, o primeiro de 6 OVAs, chamado de Reunion, mostra os 8 digiescolhidos seis anos depois dos acontecimentos da primeira temporada, com eles no colegial.

Digimon Tri 2

Enquanto assisti aos 4 episódios no qual o OVA é dividido, foi impossível não me embebedar na nostalgia. Todos os bons elementos que fizeram de Digimon uma animação pelo qual tenho tanto carinho estão lá. A começar pela trilha, que reutiliza algumas composições clássicas (que vão além de Brave Heart e da música de abertura, claro) e que também adiciona novas faixas, que combinam com a proposta desta nova aventura.

O traço do anime, no geral, foi uma grata surpresa. Quando saíram as primeiras imagens, fiquei receoso, não só por ser diferente, mas por fugir um pouco da pegada cartunesca e infantil da primeira temporada. Contudo, no desenrolar do anime, a animação te convence e mostra sua qualidade. Mais do que isso: as digievoluções ganharam uma nova roupagem, até com a adição de CG, que não ficaram deslocados e deram um ar novo à animação.

Digimon Tri 4

Por se tratar da primeira parte de seis, acho que o roteiro foi certeiro em sua proposta. Reunion não tem pressa, e a porradaria e cenas de ação acontecem, mesmo, só da segunda metade pra frente do quarto episódio. Mas isso fica em segundo plano, já que o foco é justamente reapresentar a turma e mostrar como eles estão enfrentando e se relacionando durante o colegial. O anime ganha um caráter mais maduro: enquanto temos, por um lado, a questão dos típicos relacionamentos de adolescentes (além do clássico triângulo entre Tai-Sora-Matt, somos introduzidos ao inesperado clima entre Izzy e Mimi), acontece, por outro, a discussão de como os digimons e a destruição causada põe em risco a vida dos civis comuns. Algo que parece que irá atormentar Tai por bastante tempo, colocando em confronto com os demais, principalmente o Matt. Há a introdução de novos conceitos que parecem que irão reverberar nas continuações, como o caráter político que é apresentado: o governo japonês criou um órgão responsável para procurar entender e coletar informações sobre as criaturas, enxergando-as como possíveis ameaças. Além disso, há toda uma questão de política internacional envolvida, já que os demais países também querem entender melhor os digimons. O tipo de coisa que nunca havia sido abordada desta forma anteriormente.

Mas o melhor de tudo, sem dúvidas, é rever os personagens. Depois de tanto tempo, cada frase, momento, referência, ganha um peso emocional. Ver cada uma das digievoluções faz o coração bater mais rápido. Apesar do tom mais sério, a leveza durante os diálogos e os momentos cômicos presentes colocam um sorrisão no rosto de qualquer fã. Talvez o mais impressionante, para mim, foi perceber que a personagem que eu achava mais irritante, a Mimi, foi a MELHOR personagem desta primeira parte. Ao lado do Izzy (que é um mito!), ela proporciona os melhores momentos dos quatro episódios. E cada um dos outros também tem seu momento, como quando Joe faz uma das mais impactantes revelações neste ano.

De fato, eu nunca tinha parado para pensar na destruição causada
De fato, eu nunca tinha parado para pensar na destruição causada

O fim de Reunion possui o típico cliffhanger que deixa qualquer um ansioso e contando os dias para a chegada de Abril, que é quando sai o segundo OVA. A primeira parte deixa várias perguntas no ar: quem é (e o que quer) o Digimon misterioso, encapuzado? Por que Joe, o CDF da turma, está tão mal na escola? Por que será que o Tai, subitamente, está receoso de lutar? O que aconteceu com os digiescolhidos da segunda temporada, que aparecem rapidamente no começo do primeiro episódio? E quem diabos é a nova personagem, que possui um digivice igual aos membros da primeira temporada?!?! Enquanto não temos essas respostas, existe uma certeza: Digimon Tri já é o melhor retorno de uma franquia em 2015.

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