Macbeth: Ambição e Guerra

“Visual é a grande aposta da releitura de clássico shakespeariano”.

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Até pensei em pegar emprestado o Confissões de um Pires Cultural para falar da nova de Macbeth, já que nunca li nenhuma das peças e livros de William Shakespere (mesmo conhecendo vários de nome, como Romeu & Julieta, Hamlet, Otelo e Rei Lear). E esse sentimento de estranhamento foi reforçado quando percebi que o protagonista é, na verdade, o vilão da obra!

Sem ver nenhum trailer e sem conhecer o enredo, o que sempre me chamou a atenção dessa releitura foi seu visual, que teve o Michael Fassbender todo sujo nos pôsteres do filme (aliás, tais pôsteres estão entre os melhores que tivemos em 2015). Esse visual, de fato, é um dos grandes trunfos da produção. O uso de câmera lenta, os planos abertos que capturam imagens belíssimas da Escócia, a vestimenta mais crua – suja mesmo -, que traz um ar real para a obra. Mérito do diretor Justin Kurzel, que repetirá a parceria com Fassbender na adaptação de Assassins Creed.

Fotografia é uma das qualidades do longa
Fotografia é uma das qualidades do longa

A fotografia de Adam Arkapaw é outro destaque, pois proporciona a interessante mistura dos tons gélidos escoceses com filtros de cores vivas, como vermelho e laranja (a batalha final é uma das sequências mais deslumbrantes deste ano). Outro ponto que merece atenção é a trilha de Jed Kurzel, com seus violinos e tambores, que ajuda na construção de um clima sombrio, melancólico e pesado, lembrando a pegada apresentada em Noé.

Michael Fassbender reafirma o porquê de ser um dos meus atores favoritos, em uma atuação que demonstra, ao mesmo tempo, o lado badass e imponente do senhor da guerra que é o protagonista, com o lado mais frágil e louco do personagem. Apesar de ser um pouco subaproveitada, Marion Cotillard também tem seu momento de dualidade: da esposa sedenta pelo poder até a rainha frágil. Isso corrobora muito para que a química com Fassbender funcione.

macbeth 1

Finalmente, um último detalhe curioso está no roteiro. As falas não são declamadas ou cantadas (o que pode ser uma aproximação mais acessível, para o cinema, dos roteiros de teatro), mas o inglês arcaico é o que caracteriza as linhas do texto e isso deixa tudo mais verossímil, apesar de tornar a dinâmica do filme mais lenta (e na qual a edição pouco ajuda). Apesar disso, o saldo final de Macbeth: Ambição e Guerra é positivo, se revelando uma das experiências mais interessantes deste ano.

Nota: 7,5/ 10.

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3 comentários sobre “Macbeth: Ambição e Guerra

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