Os esquecidos de 2015

Por Luís Gustavo Fonseca e Matheus Araujo

O ano de 2015 foi recheado de grandes lançamentos. E com os holofotes voltados para grandes produções como Jurassic World, Star Wars: O Despertar da Força Vingadores: Era de Ultron, alguns filmes, provavelmente, passaram despercebidos pelo público. Então, o Filmaiada separou 7 filmes que foram lançados em solo brasileiro no último ano, e que (talvez) merecem a sua atenção. Confira!

Eu, Você e a Garota que vai Morrer

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A história de Greg (Thomas Mann), Earl (RJ Cyler) e Rachel (Olivia Cooke) é praticamente uma versão sem grife de A Culpa é das Estrelas, com os dois garotos conhecendo a menina com leucemia e os impactos da doença na amizade deles. A “falta” de luxo não é um problema, já que o tom indie é um dos responsáveis pelo charme da obra. O longa merece elogios pela atuação do trio principal, que possui uma boa química; pela trilha sonora, que geralmente, costuma ser interessante nesse tipo de filme; pelo roteiro adaptado de Jesse Andrews (autor do próprio livro que originou a fita), preciso ao construir diálogos que, ao mesmo tempo, possuem um tom de leveza, mas não esquecem o drama principal do enredo; e pela direção de Alfonso Gomez-Rejon. É o Melhor-filme-do-Wes-Anderson-não-feito-pelo-Wes-Anderson de 2015. A semelhança no estilo de filmagem (posicionamento e movimento de câmera) é um dos méritos de sua direção, assim como a maneira como ele consegue mostrar as emoções dos personagens em close-ups certeiros. Um dos melhores achados do último ano.

Enquanto Somos Jovens

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Alguns poderiam até pensar que esse se trata de mais um filme com a fachada clichê que confronta o velho e o novo, quando o casal “comum” Cornelia (Naomi Watts) e Josh (Ben Stiller) começa a conviver com Darby (Amanda Seyfried) e Jamie (Adam Driver). E no fundo, é. Mas a condução da trama em Enquanto Somos Jovens, misturando cenas hilárias com um drama carregado por bons diálogos, o torna em um diferencial dos demais, fazendo o espectador refletir. O bom texto apenas reforça as atuações seguras do quarteto principal, com destaque para Ben Stiller (é muito bom ver esses atores conhecidos por papeis cômicos em empreitadas dramáticas, como ele fez em A Vida Secreta de Walter Mitty) e Adam Driver, que nos mostra uma outra faceta (apesar de estranhamente familiar) do ator, que interpretou Kylo Ren em Star Wars: O Despertar da Força.

 American Ultra

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Um dos filmes mais fucked ups do último ano, a insana aventura põe Jesse Eisenberg (o futuro Lex Luthor) e Kristen Stewart (SIM, a menina do Crepúsculo) lado a lado. American Ultra não é um dos melhores de 2015, mas ainda é capaz de divertir com um roteiro que, de tão absurdo, dá certo (se você não estiver esperando ver um filme de Oscar, claro). A certa áurea de estranheza que cerca o duo principal é bem explorada no longa, e John Leguizamo (Chef) ajuda a dar um humor extra a obra. Menção honrosa para os créditos, que ao lado de Pixels, foi um dos mais criativos de 2015.

 A Visita

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Após uma década fazendo merda, incluindo as colossais O Último Mestre do Ar e Depois da Terra, M. Night Shyamalan finalmente volta à boa forma. A Visita preza pela diversão e essa proposta mais humilde de Shyamalan pode ser o ponto de virada de sua carreira. No formato de mockumentary (gênero de documentários falsos, como Bruxa de Blair ou REC), o longa-metragem é repleto de acertos, seja no trabalho com os jovens atores, que logo cativam; seja em seu bom ritmo (pouco mais de 1h30), porém que proporciona um bom desenvolvimento de personagens; seja na angústia entregue em pequenas doses; seja com uma virada, dadas às proporções, digna da antiga fama de seu cineasta.

Sr. Holmes

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A BBC tem feito jus à obra de Sir Arthur Conan Doyle nos últimos anos. Todavia, o raro Sherlock de Benedict Cumberbatch não impediu que o estúdio apostasse numa outra visão para o detetive. Estrelado por Sir Ian McKellen, Sr. Holmes propõe um diferente (mas não menos angustiante) caso para o xereta mais famoso do mundo. O maior mistério do filme é de como uma mente poderosa como a de Holmes lida com a senilidade. Como um desmemoriado Sherlock discerne seu passado da ficção criada pelo caro Watson? Além do roteiro envolvente, McKellen, como sempre, é fenomenal e adiciona mais um grande personagem a sua filmografia.

Corrente do Mal

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Quem diz “todo novo filme de terror-adolescente é igual”, não conhece Corrente do Mal. O diretor e roteirista David Robert Mitchell conseguiu, após tanta estagnação nos filmes do gênero, conceber um novo monstro e estrutura narrativa através de uma espécie de doença sexualmente transmitida das trevas. A tal DST é o mencionado novo monstro, que pode aparecer na forma de qualquer pessoa e que caminhará diretamente para você a fim de entregar-lhe uma morte nada tranquila. O interessante desta DST é que ao passá-la adiante, diferente das outras, a morte perseguirá somente o novo contaminado – todavia, caso ele não passe adiante (ou seja, morra), o monstro retornará a você. Além da possibilidade do monstro assumir qualquer corpo, o dilema de passar a maldição para um terceiro, gera um conflito interessantíssimo e torna a história de Mitchell uma das mais memoráveis do último ano.

Vício Inerente

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Paul Thomas Anderson é um dos mais brilhantes e audaciosos cineastas contemporâneos. Em Vício Inerente, por exemplo, críticos dizem ser loucura tentar compreender a totalidade da trama, uma vez que o objetivo do cineasta é emular uma viagem lisérgica e, nessas condições, a percepção da realidade é um tanto, digamos, peculiar em sua compreensão. A coragem de Anderson em abraçar esse tipo de história é admirável por si só, mas o roteirista e diretor cumpre o desafio com louca maestria. Diversos elementos da obra a tornam sensacional e entre eles, destaco a trilha, a ambientação e as ótimas interpretações, entre elas, a bela liderança de Joaquim Phoenix.

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2 comentários sobre “Os esquecidos de 2015

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