O Bom Dinossauro

O grande problema de O Bom Dinossauro é a falta de audácia.”

Por Matheus Araujo

Quando a Disney comprou a Marvel, nerds se preocuparam com o futuro dos heróis. Quando a Disney comprou a Lucasfilm, nerds se inquietaram quanto à nova exploração da galáxia muito, muito distante. Quando a Disney comprou a Pixar, o nerd aqui pensou não haver melhor aliança. Para o bem e para o mal, todos estávamos errados.

Nenhuma aquisição foi tão maléfica quanto a da Pixar e isso é um tanto fácil de ilustrar no senso comum. A negociação fechou em 2006 e logo em 2007 aconteceram as trocas de direção criativa de ambos estúdios. Todavia, como animações são projetos deveras complexos, a ida de Lasseter, diretor da Pixar até o momento, para a Disney somente fora sentida após Toy Story 3, lançado em 2010. Isto é, o último legítimo da Pixar é a finalização da trilogia, enquanto o primeiro, com o dedão do Mickey, é Carros 2. Sentiu o drama?

De lá pra cá, o estúdio não vive os seus melhores dias. Em 2012, Valente passou por uma produção problemática, trocando sua diretora no meio do caminho e evidenciando a falta de estrutura promovida por Lasseter em anos anteriores. Em 2013, Universidade de Monstros, por melhor desempenho comercial que tenha tido, configura-se como a segunda continuação em três filmes, preocupante para um estúdio que pré-Disney era sinônimo de criatividade. Aliás, relevante mencionar que os anúncios de Toy Story 4, Procurando Dory, Carros 3 e Os Incríveis 2 foram todos realizados durante essa nova fase. O ano de 2014 foi marcado pela ausência de estreias do estúdio, quebrando uma sequência de quase uma década. Mesmo ponderando o brilhante retorno da companhia com Divertida Mente, dado o crescimento da Disney nos últimos tempos (a troca de direção criativa foi incontestavelmente benéfica para ela), é inegável sacramentar que a Pixar mudou. O Bom Dinossauro é apenas mais um atestado disso.

Lançado ainda em 2015 nos Estados Unidos, o novo longa-metragem amargou o pior desempenho comercial do estúdio desde a sua criação. Somado a este, outro insucesso é pontuado pela recepção dos críticos. Os fracos desempenhos são facilmente relacionáveis aos problemas na produção, afinal o motivo da falta de estreias em 2014 é o atraso de O Bom Dinossauro, resultando ainda em mais uma troca de diretores. Avaliando sua performance objetivamente, independente da minha opinião nesta crítica, é inegável a mediocridade do filme.

Inegável também é o bom pontapé inicial: uma realidade alternativa, na qual o meteoro que obliterou os dinossauros errou o alvo. Pena é a descontinuidade da sinopse com a antiga cara da Pixar. O enredo aposta numa recorrente história de superação de medos. Sabe o padrão protagonista covardão realiza a jornada para a coragem? Por melhor executado que seja, não foge do típico.

Com exceção de uma solitária ousadia em botar “crianças” para alucinarem, todos os elementos narrativos remetem imediatamente a outras histórias. Direção e roteiro se resumem em bater no liquidificador O Rei Leão, Procurando Nemo, Lilo & Stitch, entre outros, e com o resultado dessa mistura moldar uns dinossauros.

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Acima da média, O Bom Dinossauro apresenta o visual.

Não é que seja ruim, mas com a trilogia Toy Story, Procurando Nemo, Wall-E, Ratatouille, Up! e Divertida Mente no currículo… Não dá pra crer que O Bom Dinossauro deixaria contente a boa e velha Pixar.

Nota: 6,0/ 10.

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3 comentários sobre “O Bom Dinossauro

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