Creed

Por Matheus Araujo

A cultura pop tem seus ícones e Sylvester Stallone vencendo as escadarias da Filadélfia é um deles. A película como um todo é imortal, uma vez que, independente de seus 40 anos, a imagem é tão vívida, que dificilmente seria aceito um remake da jornada de Rocky. E é por isso que o disfarçaram de sequência.

Rocky é como Star Wars. Não dá pra refilmar. Simplesmente não dá. É um tiro no pé. Artisticamente não vingaria e o insulto que se pode criar com uma ideia dessas marcaria terrivelmente todos os envolvidos. Portanto, Creed é como O Despertar da Força. É uma sequência? Teoricamente, sim. Mas você já conhece cada pedaço dessa nova história.

Adonis Johnson (Michael B. Jordan) é filho de Apollo Creed, o principal adversário de Rocky Balboa. Assim como seu pai, o rapaz tem uma aptidão para as lutas, todavia, mais semelhante à história do algoz, possui alguns empecilhos fora do ringue entre si e o cinturão: uma hesitação dada à sombra do pai e o desencorajamento da carreira pela mãe, que não desejava repetir o sofrimento dos tempos de Apollo. Quando enfim decide abraçar seu sonho, algo que o aproxima do pai, ainda que com vontade de construir seu próprio nome, o jovem pugilista procura a orientação da lenda Rocky Balboa.

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Um dos principais trunfos do original é replicado à altura. Bons personagens. Afinal, não se nomeia um filme com o personagem sem que ele valha a pena, certo? Eles não possuem aquela tridimensionalidade, tons de cinza, etc, mas são bem construídos e interpretados. São críveis. E o melhor: o roteiro funciona tão bem para o Creed quanto para o próprio Rocky – êxito semelhante, repito, ao de O Despertar da Força. As duas jornadas, suas lutas, têm seu feliz significado.

Outro ponto alto é a direção de Ryan Coogler. A câmera solta combinou demais com a repaginada. O cara tem umas boas exposições mais longas, que são ofuscadas por aquele plano sequência iradíssimo durante a primeira luta, esbanjando uma cinematografia invejável. Coogler, quando peca, o faz em função do roteiro.

Ao repetir a base do filme original, o enredo por vezes dá aquela forçadinha, e a direção o acompanha. O raio caindo duas vezes no mesmo lugar é esquisito, certo? E como não temos aqui um ar mais fantasioso como em Star Wars, fica um tanto mais esquisito. E não só por utilizar-se da mesma estrutura, mas principalmente por como desenvolve certas situações. Felizmente, nada que invalide a proposta.

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Contradizendo a história: enquanto Creed, o personagem, tenta não seguir o caminho do pai, Creed, o filme, não desgruda dos passos do seu.

Nota: 7,5/ 10.

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