A Grande Aposta

“Crise financeira de 2008 ganha ares de tragicomédia com atuação impecável de Steve Carell”

Por Luís Gustavo Fonseca

 

Não precisa ser um entendedor de economia para perceber que, até os dias atuais, a crise financeira de 2008 ainda causa reflexos e “marolinhas”. O estouro da bolha imobiliária desestruturou boa parte da economia global, levando milhões de pessoas ao desemprego e a perda de suas moradias. O que talvez passe despercebido é que, enquanto muitos perdiam, alguns outros viram a oportunidade de lucrar como nunca.

Essa é a abordagem de A Grande Aposta, que narra como alguns investidores, de lugares e visões de mundo diferentes, perceberam o tamanho da encrenca para qual Wall Street estava caminhando. O filme adapta o livro escrito por Michael Lewis (o que rendeu a indicação a Melhor Roteiro Adaptado no Oscar), retratando toda a jornada destes, vamos dizer, visionários.

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A condução é o segredo que faz do filme um dos meus “achados” favoritos do Oscar deste ano. O roteiro talvez seja o ponto com maior desnível, já que a presença de muitos termos técnicos (apesar do esforço da obra em explicar, didaticamente, cada um deles) deixa a obra, às vezes, confusa. Por outro lado, a proposta do filme talvez seja seu maior mérito. Apesar de seu tom sério e explicativo, o filme tem um lado cômico arrojado, que lembra o humor presente nos filmes dos irmãos Coen. A quebra da quarta parede, principalmente com intromissões do tipo “Margot Robbie te dando uma aula de economia enquanto bebe champagne em uma banheira”, é o que dá o requinte ao quesito.

Outro aspecto que beneficia o texto é a edição, também indicada à estatueta, que se alterna entre os três principais núcleos do filme, feita com inteligência e tornando o resultado dinâmico. Méritos, também, para a direção de Adam McKay (o roteirista de Homem Formiga), concisa e que tem uma boa fotografia, apesar de que não consigo achar o seu trabalho melhor que o de Riddley Scott por Perdido em Marte, que poderia substituí-lo no prêmio de Melhor Diretor.

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Nas atuações, talvez esteja presente uma das maiores injustiças do Oscar deste ano. Quem merecia a indicação a Melhor Ator Coadjuvante era Steve Carell, e não Christian Bale. Não que o ex-Batman esteja mal (é, ao lado de Brad Pitt, o mais soturno dos personagens, apesar de ser melhor aproveitado do que o marido de Angelina Jolie), mas Carell é um retrato do filme, alternando com maestria entre seu lado sóbrio e sua faceta cômica, exagerada. Um trabalho que me agrada muito mais, por exemplo, do que feito por ele em Foxcactcher, onde ele também bateu na trave na hora de ser indicado.  O resto do elenco, que conta com nomes como Ryan Gosling, também está bem.

Finalmente, A Grande Aposta não deve ser o filme de maior torcida na disputa pelo Melhor Filme deste ano, mas é, indiscutivelmente, uma das obras mais agradáveis desta edição. Torço para que consiga o reconhecimento que merece, mesmo que não seja em forma de estatuetas.

Nota: 9/ 10.

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